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sábado, 19 de setembro de 2015

Soneto (de Chico Buarque na voz de Ney Matogrosso)


Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

Chico Buarque



sexta-feira, 21 de junho de 2013

Mágoa

Quando a mágoa
se instala,
como uma ausência,
uma ânsia,
de lágrimas a escoar
 a tristeza do ser,
os olhos alagam-se,
o corpo retrai-se,
a alma encolhe...

Sentir que o respeito,
o valor universal,
o querer incondicional,
se afundam,
se amarrotam e descartam
ao mínimo desaire,
ao minúsculo estorvo,
constrói a angústia no peito.

Desvario. O silêncio é presente
num desespero  incessante.

Tudo não passa
de conversa fiada,
de palavras ocas lançadas ao vento, ~
de rugosas superfícies
onde transparecem os nódulos,
os sulcos, as rugas, as fendas...


Como ultrapassar a mágoa?

Bem vindos!

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