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sábado, 2 de janeiro de 2010

Rebeldia d'ilusão

É em cada gota de orvalho deslizante,
em cada teia tecida reluzente,
que os dias cantam anos de silêncio,
que as noites contam a tétrica solidão,
cenas de vida. De hoje. E de então...
É assim em cada instante. De rompante,
na neblina do sentir profundo,
renascendo do âmago do desesejo ardente,
valente, estonteante d'emoção,
o deserto d'um querer eterno,
de lúgubre paixão. Trama inocente,
pintada, dia a dia, d'ilusão...
Pinceladas sorrateiras. Cores fulgentes.
Telas construídas de brumosa fantasia,
em encontros fugídios,
plenos de segrado segredo e atenção,
em cujas mãos se venceram anos,
de fios frios desenganos,
que se extinguiram se unindo...
Redes, laços, filamentos desfeitos
nas noites quebradas de ironia
na esperança de um acontecer,
de um só dia,
vivido ao entardecer,
até ao anoitecer, com rebeldia.
Eis o sonho. Eis a ilusão!...

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Paradoxos de ser e acontecer

De estômago embrulhado,
de sentires contraditórios
e ambíguos pensares
escondo-me, de mim,
no inferno do ser
em cada amanhecer.

Encafuar a cabeça
no fundo da areia
esperando que o vento
a afunde, e sem alento,
agonizar,
sem espectadores nem rancores,
seria melhor, aposto!...

Que consciência aflita
duma (desta) vida em desdita,
que desfila, feito fita,
e se amofina,
em contradita sina,
e exangues suspiros
desafiando longos vazios
de ser e acontecer...

E caminha e vacila, e soluça.
E avança sem encanto...

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sou o foi...

Caminhando no arame,
com o coração a trote,
retomando a outra margem,
recomeçando,
puxando o último primeiro fio,
num tormento renovado
de desejo mal amado,
num desafio truncado
de metasteses cinzeladas,
pelos interstícios do ser
disseminadas,
em malignidade e pudor,
sou sedenta de sinais,
de mensagens matinais
que tardam até o sol pôr;
sou triste simulação,
dum querer vago, tardio,
dum sentir insane e frio,
que entorpece o coração;
sou o foi e o perdão...

domingo, 24 de maio de 2009

sábado, 19 de abril de 2008

E... III

E se a vida
mais não me der do que já deu,
hei-de ainda assim viver
da lembrança de ti,
da saudade
e da imaginação,
do que aconteceu,
daquilo que,
apaixonada,
então vivi
e tão profundamente senti.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Sedução e conquista

Quando o amor resiste
saltando em riste,
e não desiste,
provoca o despiste,
mas ainda assim insiste,
e em desejo consiste,
é necessário amar...
E mais ainda se persiste,
num deslumbre encantado.
Sedução e conquista,
de querer viver,
a doce ventura
de um pleno amanhecer,
que não tenha de se contentar
com poucochinho...

segunda-feira, 25 de junho de 2007

A interiorização do encanto

Ouço e vibro.
Vejo e sorrio.
Imagino e suspiro.
Penso e confio...
Quero manter-me fiel
à estranha loucura
que a ti me une
(e ao diverso),
à doce ilusão
de me sentir querida,
à certeza íntima
de me saber complemento,
à razão segura
de me reconhecer cúmplice,
à magia envolvente
de ser companheira...
O espelho devolve confiança,
na lembrança do percurso.
Assumo o sentir,
a interiorização do encanto,
labareda (re)acesa,
no espanto do querer,
no frémito do acontecer...

terça-feira, 19 de junho de 2007

Reavivo o gosto do chocolate


Reavivo o gosto do chocolate,
imaginando-o derretido,
sofregamente lambido,
gostosamente saboreado.
Treino as letras frente ao espelho
e sorrio antecipando o frémito,
o desejo levado ao rubro,
o corpo em desalinho...
Delicio-me...
Sinto o formigueiro invadir-me,
melhor que o torpor,
mais agradável e prazeiroso
do que a brisa em dia de calor...
Renovo a memória do cheiro.
Inspiro profundamente
e sinto o desejo crescente,
em catadupa, até à explosão...
Relembro, em flashes, alguns momentos,
reavivo memórias,
cujas emoções guardo, com afecto...
Resumo a espera à expectativa,
ao devir que em delirio anseio,
pronta para a reconciliação serena,
consequência do querer saciado,
Descortino realização plena...

segunda-feira, 18 de junho de 2007

domingo, 17 de junho de 2007

Pobre coração...

O coração não aguenta tanta emoção...
E, o aperto, e a formigagem, e o suspense e a saudade?!...
Pobre coração, assim não resistirás por muito tempo...

sábado, 16 de junho de 2007

Será isto o envelhecer? (II)

Mais um final e com ele o balanço que se impõe. Na hora de avaliar, tudo vem, tem de ser...

A vergonha sentida perante alguns procedimentos, alertam-me para a necessidade da
serenidade e para a exigência de repensar as actuações e o desempenho de forma mais profunda, procurando encontrar razões escondidas para as acções...

Questionar-me, também faz parte: Que aprendi em tantos anos de experiência e vida? Como tenho interiorizado experiências de aprendizagem? Como auto-regulo os fracassos e os êxitos? Cada vez me conheço menos e me descubro com mais dúvidas, porquê? Seria suposto ser assim?

Se fosse ao menos capaz de escrever sobre essas aprendizagens, teria ideia clara e racional do que me constitui por dentro...

Tenho sentido na pele o que costumo dizer aos meus jovens alunos: Crescer faz doer, tanto quanto o pensar...

Eis-me, de novo, em fase de mudança... Novo ano se aproxima perspectivando vida nova pelo "calo" formado no (per)curso/processo individual que forçosamente terá
repercussões no meu trabalho e no das equipas...

Sinto e sei que se não fossem algumas raízes que me prendem à terra: ser mãe (filhos - o meu orgulho) e amar (a minha paixão - meu encanto/sonho), aliadas aos ideais que o trabalho me proporciona, "socumbiria" fácil, fácil...

Apesar dos pesares, sinto-me serena. Tal sentimento amedronta-me, por um lado, mas por outro, descansa-me... Será isto o envelhecer?

domingo, 10 de junho de 2007

Enya - Wild Child


Tradução
"Feche seus olhos,/Pare e escute,/Sinta-se vivo/E você não estará deixando escapar nada./Você não precisa de um motivo,/Deixe o dia prosseguir sem parar...
Deixe a chuva cair/Por todo lado ao seu redor./Renda-se a isso agora,/Deixe o dia te rodear./Você não precisa de um motivo,/Deixe a chuva prosseguir sem parar...
Que dia, que dia para se apreciar!/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa...
Apenas arranje tempo/[longe] do tumulto,/Cada dia você descobre [que]/Tudo está em equilíbrio./Você não precisa de um motivo,/Deixe o dia prosseguir sem parar...
A cada sol de verão,/A cada anoitecer de inverno,/A cada primavera por vir,/A cada outono que vai embora./Você não precisa de um motivo,/Deixe isso tudo prosseguir sem parar...
Que dia, que dia para se apreciar!/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa...
Que dia, que dia para se apreciar!/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Da-da-da Da-da-da-da-da-da/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Da-da-da Da-da-da-da-da-da Da-da-da Da-da-da-da-da-da/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa.../Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa..."

sábado, 9 de junho de 2007

Será isto o envelhecer?

Queria que este meu desalento,
fosse nuvem passageira,
que se fosse com o vento,
este desacerto e desajuste
bolorento,
capaz de desassossego,
disforme de imberbe,
pelo cansaço profundo,
do embaraço senil
que determina o desânimo
e nem a ovação inocente,
nem o trabalho clemente,
constroem/consolidam libertação...
Devia sorrir, (sei disso),
perante o esforço expresso,
assertivo,
que se evidencia
na realização das mostras,
dos desempenhos percursos
e dos ganhos, mais valias,
boas práticas, recursos,
balanços de excepção,
nos "produtos" de gratificação...
São o meu reflexo, eu sei.
Mas, perante o desalento,
o cansaço acumulado,
este torpor nefasto,
oprimente, sem igual,
angustiante,
que poderei fazer
senão "este" escrever?...
Será isto o envelhecer?
E, se o feed-back surgisse!...
Quem sabe acreditaria ainda,
lembrando a caixa de Pandora...

domingo, 3 de junho de 2007

Perder ou ganhar?

Perder/Ganhar:
a vontade, a saudade, a ventura, a doçura, a certeza, a beleza, a ionia, a maresia, a alegria, a brisa, a flor, a cor, a serenidade, a vivacidade,
a verdura, a amargura, a leitura, a loucura, a frescura, a postura, a ilusão,
a canção, a paixão, a visão, a noção, a razão, a raiva, a força, a competência, a consciência, a sensibilidade, a verdade, a metáfora, a magia,
o porte, o norte, o fio, o rio, o riso, o brio, o desejo, o beijo, o olhar, o vagar, o humor, o sabor, o saber, o viver, o pavor, o rancor, o amor, o torpor, o fulgor, o roteiro, o terreiro, o amigo, o vazio, o afago, o orvalho, o ser, o valer, o abraço, o espaço, o cansaço, o cansaço, o cansaço...

quinta-feira, 31 de maio de 2007

terça-feira, 29 de maio de 2007

O essencial é invisível para os olhos...


«(...) E ela, que se preparava com tanto esmero, disse, bocejando:
- Ah! Eu acabo de despertar... Desculpa... Estou ainda toda despenteada...
O principezinho, então, não pode conter o seu espanto:
- Como és bonita!
- Não é? Respondeu a flor docemente. Nasci ao mesmo tempo que o sol...
O principezinho percebeu logo que a flor não era modesta. Mas era tão comovente!
- Creio que é hora do almoço, acrescentou ela. Tu poderias cuidar de mim...
E o principezinho, embaraçado, fora buscar um regador com água fresca, e servira à flor.
(...)Um dia por exemplo, falando dos seus quatro espinhos, dissera ao pequeno príncipe:
- É que eles podem vir, os tigres, com suas garras!
- Não há tigres no meu planeta, objectara o principezinho. E depois, os tigres não comem erva.
- Não sou uma erva, respondera a flor suavemente.
- Perdoa-me...
- Não tenho receio dos tigres, mas tenho horror das correntes de ar. Não terias acaso um pára-vento?
"Horror das correntes de ar... Não é muito bom para uma planta, notara o principezinho. É bem complicada esta flor..."
- À noite colocar-me-às sob a redoma. Faz muito frio no teu planeta. Está mal instalado. De onde eu venho...
Mas interrompeu-se de súbito. Viera em forma de semente. Não pudera conhecer nada dos outros mundos. Humilhada por se ter deixado apanhar numa mentira tão tola, tossiu duas ou três vezes, para pôr a culpa no príncipe:
- E o pára-vento?
- Ia buscá-lo. Mas tu falavas-me...
Então ela redobrara a tosse para infligir-lhe remorsos.
Assim o principezinho, apesar da boa vontade do seu amor, logo duvidara dela. Tomara a sério palavras sem importância, e se tornara infeliz.
"Não a devia ter escutado - confessou-me um dia - não se deve nunca escutar as flores. Basta olhá-las, aspirar o perfume. A minha embalsamava o planeta, mas eu não me contentava com isso. A tal história das garras, que tanto me agastara, devia-me ter enternecido..."
Confessou-me ainda:
"Não soube compreender coisa alguma! Devia tê-la julgado pelos atos, não pelas palavras. Ela perfumava-me, iluminava-me... Não devia jamais ter fugido. Devia ter-lhe adivinhado a ternura sob os seus pobres ardis. São tão contraditórias as flores! Mas eu era jovem demais para saber amar."
(...) E, quando regou pela última vez a flor, e se dispunha a colocá-la sob a redoma, percebeu que estava com vontade de chorar.
- Adeus, disse ele à flor.
Mas a flor não respondeu.
- Adeus, repetiu ele.
A flor tossiu. Mas não era por causa do resfriado.
- Eu fui uma tola, disse por fim. Peço-te perdão. Trata de ser feliz.
A ausência de censuras o surpreendeu. Ficou parado, inteiramente sem jeito, com a redoma no ar. Não podia compreender essa calma doçura.
- É claro que eu te amo, disse-lhe a flor. Foi por minha culpa que não soubeste de nada. Isso não tem importância. Foste tão tolo quanto eu. Trata de ser feliz... Mas podes deixar em paz a redoma. Não preciso mais dela.
- Mas o vento...
- Não estou assim tão resfriada... O ar fresco da noite me fará bem. Eu sou uma flor.
- Mas os bichos...
- É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! De contrário, quem virá visitar-me? Tu estarás longe... Quanto aos bichos grandes, não tenho medo deles. Eu tenho as minhas garras.
E ela mostrava ingenuamente seus quatro espinhos. Em seguida acrescentou:
- Não demores assim, que é exasperante. Tu decidiste partir. Vai-te embora!
Pois ela não queria que ele a visse chorar. Era uma flor muito orgulhosa...


(...) "Que planeta engraçado! pensou então. É todo seco, pontudo e salgado. E os homens não tem imaginação. Repetem o que a gente diz... No meu planeta eu tinha uma flor: e era sempre ela que falava primeiro".

(...) Que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços..."
- Criar laços?
- Exactamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo, a teus olhos, de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
- Começo a compreender, disse o principezinho. Existe uma flor... eu creio que ela me cativou...
(...) a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer alguma coisa. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim, na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal-entendidos. Mas, cada dia, te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.
- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração... É preciso ritos.
- Que é um rito? perguntou o principezinho.
- É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta-feira então é o dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores dançassem qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu não teria férias! Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria fazer-te mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! disse o principezinho.
- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é a única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais à minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativastes ninguém. Sois como era a minha raposa. Era uma raposa igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Ela é agora única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.
- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez a tua rosa tão importante.
- Foi o tempo que eu perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não a deves esquecer. Tu tornas-te eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- Eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
(...) - Os homens do teu planeta, disse o principezinho, cultivam cinco mil rosas num mesmo jardim... e não encontram o que procuram...
- Não encontram, respondi...
- E no entanto o que eles buscam poderia ser achado numa só rosa, ou num pouquinho d'água...
- É verdade.
E o principezinho acrescentou:
- Mas os olhos são cegos. É preciso buscar com o coração...
Eu havia bebido. Respirava facilmente. A areia é cor de mel quando amanhece. E a cor de mel me fazia feliz. Por que haveria eu de estar triste?...
- É preciso, disse baixinho o príncipe, que cumpras a tua promessa. Ele estava, de novo, sentado junto de mim.
- Que promessa?
- Tu sabes... a mordaça do meu carneiro... eu sou responsável pela flor!
(...)Mas eu não estava tranqüilo. Lembrava-me da raposa. A gente corre o risco de chorar um pouco quando se deixou cativar...»

Bem vindos!

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