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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

Ponto de interrogação ?


Sou um ponto,
mas também uma ponte.
Sou um laço,
 mas também muro.
Sou abraços,
imaginados na canseira dos dias,
desfeitos no aconchego da alma,
refeitos nas memórias distantes.
Sou aguarela,
desfeita pelas vicissitudes da vida.
Sou brasa indelével, tornada tição...
Sou nas memórias distantes,
contradição
Sou eu, sim...
Sou ainda um ponto de interrogação
?

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A magnitude de uma memória...

Mais do que ser, era querer então,
de verdade e coração...
Hoje a memória é mais saudade e ilusão.
A certeza de agora apenas ser...
Mas, mais logo, a consciência
da vontade de querer...
Na memória, a paixão,
o sabor de ti, na mágoa da solidão.
Magnífica memória
que queria...
ser mais que ilusão...

domingo, 16 de agosto de 2009

Aparente glória

Soletro as letras do alfabeto
e com elas construo castelos,
edifico meu secreto desejo,
que no sonho antevejo
e que ao acordar perco,
qual espuma diluida
em transplantes d'açafrão,
sem direitos, sem perdão.
Soletro as letras do alfabeto,
e no sonho do amor,
recupero o sabor
das palavras que proferes,
com enebriante calor.
Esqueço a dor,
ultrapasso a solidão,
envolvo-me no olhar,
ouvindo tua canção
de embalar.
As palavras coincidem
com o desejo e o sentir,
do querer conciliação,
de te ter um dia,
por companheiro paixão.
Realizo as palavras
no inferno da ilusão,
imagino as andanças
no desprazer que convive
com a intensa convicção
de me saber memória:
Pura contradição
de aparente glória,
metáfora sedução.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Estranha lucidez

Sei-te nas veredas do mau(meu?) tempo,
apesar de ensolarados desejos
de permanecer esperança.
Neste espaço nu,
carente de aconchego,
(re)visito-me vestindo arrogância,
e num desvelo de maturidade,
transpiro laivos de fraqueza
imbuídos de espontaneidade.
Autênticidade? Não. Não sei...
Talvez apenas fugacidade do ser
que em pleno amanhecer
desfalece de saudade
e se afunda em vontade de mudança...
Escolhi esta vida, em tempos.
Hoje odeio ter de a viver
confrontada comigo mesma,
e com os ecos
da minha memória, insolente.
Cegueira. Surdez. Demência(?)
Estranha lucidez, vã glória
de caminhar direita ao abismo,
guiando-me sobre o fio da navalha,
em busca de um mar acolhedor:
sereno na sua imensidão,
forte para o meu desnorte...

domingo, 22 de março de 2009

Infância revisitada

Valho como ser que ama
mais do que como ser que pensa.
Valho para a realização imensa
da viva chama incandescente
que em meu peito acendeste,
alimento de um viver
cuja simplicidade reclama
o sonho de ser mulher...
Denotando-se a esperança
dum profundo querer,
profuso amanhecer de luz,
bendita alma distinta,
sonhada na genética do meu ser,
no silêncio do meu eu,
no eco da minha memória simples
da infância "revisitada",
estagnada, ingurgitada.
Infame absinto:
Metáfora de um labirinto medonho...

segunda-feira, 16 de abril de 2007

Memória inventada


De tempos a tempos,
perpassam, por mim,
memórias de fugazes momentos
de ternura e enleio,
envoltos em mistério e deleite,
de loucura arrebatadora,
onde destemidos nos expunhamos,
despidos de preconceitos,
em busca do sublime,
da certeza de querer...

Foram ternas carícias,
celebrações mansas,
reconciliados com a natureza,
na serenidade do silêncio,
num esplendor de sentir,
o coração largado a tropel,
numa infinita vontade de mais
em busca da apoteose,(pre)dita,
(pre)configurada, (pre)vista
...
Traz-me estes momentos intensos,
a memória presente do ausente...

De que tens (tiveste) medo amor?
Da dádiva? Do segredo de ser?
Da verdade de existir e perecer?
Porque foges (fugiste)?
Vive! Arrisca! Sonha o deleite,
o não adiado, espontâneo, convertido.
Sê apaixonado, livre!...

domingo, 4 de março de 2007

A esperança ainda...


Reter na memória o instante vivido,
na certeza das recordações (re)actualizadas,
(re)animadas em sequências significativas,
na prevalência do sentir contra a razão,
parece ser, não o adequado, mas o mais acertado...
Na espera de mansos e dourados dias,
num futuro feito encontro,
em que a distância não será,
na paixão (re)avivada, profunda,
na verdade da existência plena, redonda,
na procura do segredo do meu ser
que quer saber viver para crescer,
contigo, de ti, comigo...
A esperança ainda...Imensa,
apesar da saudade de um cheiro
e de um beijo que não esqueci...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Passado? Presente eterno?...


Verifiquei datas e palavras.
Encontrei teus dizeres apaixonados
num papel escondido, dobrado, passado...
Pensei e perguntei-me porquê.
E, uma vez mais, não consegui controlar,
não fui capaz de me aguentar: chorei...

Analisei melhor e mais discernida
para ver se percebia o padrão.
Não conseguindo identificá-lo,
maldisse o meu destino, a minha sina...

Quantas vezes estou num caminho (que julgo) linear,
e de repente, sem perceber porquê,
sem descortinar razões nem intuir sequências,
tudo se desmorona, se transforma e se perde
sem que perceba, sem que encontre justificação...

Depois, quando caio em mim,
não consigo perceber o que verdadeiramente aconteceu.
Apenas sei o que perdi... E dói sempre. E muito!...

Será que o problema está em não saber verbalizar o que sinto?
Ou, será a forma de dizer o meu sentir
que demasido brusca, directa, franca e muito sincera,
poderá fazer, os outros, sentirem-se em perigo?...

Será num destes aspectos que está a razão das minhas perdas,
residindo nesta aprendizagem o meu Karma?...

Enquanto não aprendo, relembro, revivo,
em cada memória o belo fogo que nos animou e,
recordo um sonho que não foi apenas meu...


"Viro-me para trás , para o passado , não resisto;

Olho e o passado é uma espécie de futuro para mim
."

Álvaro de Campos

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Inspiração


Bailam nas entrelinhas do pensamento
as imagens vividas, fortemente reconstituídas,
renovadas na recordação evocada,
cuja reescrita é registada de acordo com as actualizações,
que a química ajusta e reconstrói continuamente.
Aturdida, dou conta da consolidação da memória,
revendo cada pequeno avanço e nele a explosão do ser,
a verdade do saber sentir cada emoção,
num gesto espelhado, ainda e sempre contido.
Devaneio, desvario, desatino, delírio...
Atracção enfeitiçada, intensa, apaixonada,
perigosa, mas viva, tão intensamente vivida,
que persiste e resiste ao tempo e à distância...
É apenas lembrança, reminiscência,
que traduzida se reflecte em mágica inspiração.

Bem vindos!

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