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sábado, 2 de janeiro de 2010

Rebeldia d'ilusão

É em cada gota de orvalho deslizante,
em cada teia tecida reluzente,
que os dias cantam anos de silêncio,
que as noites contam a tétrica solidão,
cenas de vida. De hoje. E de então...
É assim em cada instante. De rompante,
na neblina do sentir profundo,
renascendo do âmago do desesejo ardente,
valente, estonteante d'emoção,
o deserto d'um querer eterno,
de lúgubre paixão. Trama inocente,
pintada, dia a dia, d'ilusão...
Pinceladas sorrateiras. Cores fulgentes.
Telas construídas de brumosa fantasia,
em encontros fugídios,
plenos de segrado segredo e atenção,
em cujas mãos se venceram anos,
de fios frios desenganos,
que se extinguiram se unindo...
Redes, laços, filamentos desfeitos
nas noites quebradas de ironia
na esperança de um acontecer,
de um só dia,
vivido ao entardecer,
até ao anoitecer, com rebeldia.
Eis o sonho. Eis a ilusão!...

sábado, 16 de junho de 2007

Será isto o envelhecer? (II)

Mais um final e com ele o balanço que se impõe. Na hora de avaliar, tudo vem, tem de ser...

A vergonha sentida perante alguns procedimentos, alertam-me para a necessidade da
serenidade e para a exigência de repensar as actuações e o desempenho de forma mais profunda, procurando encontrar razões escondidas para as acções...

Questionar-me, também faz parte: Que aprendi em tantos anos de experiência e vida? Como tenho interiorizado experiências de aprendizagem? Como auto-regulo os fracassos e os êxitos? Cada vez me conheço menos e me descubro com mais dúvidas, porquê? Seria suposto ser assim?

Se fosse ao menos capaz de escrever sobre essas aprendizagens, teria ideia clara e racional do que me constitui por dentro...

Tenho sentido na pele o que costumo dizer aos meus jovens alunos: Crescer faz doer, tanto quanto o pensar...

Eis-me, de novo, em fase de mudança... Novo ano se aproxima perspectivando vida nova pelo "calo" formado no (per)curso/processo individual que forçosamente terá
repercussões no meu trabalho e no das equipas...

Sinto e sei que se não fossem algumas raízes que me prendem à terra: ser mãe (filhos - o meu orgulho) e amar (a minha paixão - meu encanto/sonho), aliadas aos ideais que o trabalho me proporciona, "socumbiria" fácil, fácil...

Apesar dos pesares, sinto-me serena. Tal sentimento amedronta-me, por um lado, mas por outro, descansa-me... Será isto o envelhecer?

Bem vindos!

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