Mostrar mensagens com a etiqueta Solidão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Solidão. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Que um abraço me bastasse

Que um abraço me bastasse,

ou tua voz me afagasse:

o vazio...

Revolteando os ínfimos sinais

de desencanto e desalento,

provocados pela desilusão intrínseca

de um insight autêntico, 

pleno;

Reconhecendo o vácuo e o nada,

confusos,

pelo complexo vai-vém dos dias;

no devir das semanas,

que originam os meses,

de saudade;

Ininterrupatmente seguidos,

incansavelmente abruptos, 

infames,

pelas ausências peremptórias

dos inexistentes laços,

madraços,

que não intensificam,

nem apertam;

Laços desapertados, 

eivados de dor;

Sentimentos inconstantes,

delirantes...

Quisera voltar atrás, regredir,

ou apenas jazer num instante fugaz,

deixando finalmente de fugir,

de fingir que sou ou serei capaz...

 07/11/2018


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

AMOR


“Não importa a distância que nos separa, se há um céu que nos une.”


Carlos Drummond de Andrade

sábado, 10 de outubro de 2015

Distância e silêncio

Foi bom saber-te com a resistência acutilante de quereres recusar ser mandado pelos filhos. Espero que essa força continue a manifestar-se, ainda que, depois, faças o que eles dizem. Eles estão mais capazes de perceber o que será melhor, por muito que doa (e eu sei que dói)...

Felizmente o esqueleto melhora! E, felizmente também, a cabeça mantém o curso e o desejo indómito mantém-se "aceso" e inalterável. 

Como é bom receber-te assim, inteiro.

Gosto de ti contra o meu peito. Mesmo sem apertar, os abraços gratificam-me da mesma maneira e, se magoam menos assim, vamos abraçar-nos, contra o peito, devagarinho...

De tempos a tempos (nomeadamente quando chego a casa), gosto de descansar a minha cabeça no teu colo. Como saio retemperada depois dessa memória/imaginação!...


Receio a distância e o silêncio...


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

ESPIGA


O meu corpo
tombado na cama
como trigo vergado na eira
é um corpo
onde vadiou a chama
flamejante e altaneira.

Mas este corpo
não é ainda trigo ceifado
pois tem seiva, força, raíz
é apenas um corpo
saciado, em deleite e descansado
na eira dos corpos viris.


Vem, seduz o meu corpo
sorve a haste sob o lençol
sussurra uma doce cantiga
e verás o meu corpo
erguer-se aprumado ao sol
mostrando a força da espiga.



JOÃO MORGADO, in PARA TI (Kreamus, 2014)

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

COISAS TUAS


Levo coisas tuas para poder estar contigo
na distância.
Para nunca te perder a companhia,
mesmo não estando.
Levo gravado o teu gesto,
o pranto, o riso, e,
(ora inocente, ora picante),
o teu sorriso,
que é a tua expressão,
o teu maior encanto.
E levo um objecto,
teu pertence,
como se o espaço tivesse autoridade
e o tempo nos afastasse.

Como se fosse preciso...


MARGARIDA FARO, in 44 POEMAS (Fonte da Palavra, 2011)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ainda assim te amarei…

O abismo do tempo,
A vertigem do nada,
A ausência do quando,
A certeza do onde,
Na negligência do agora.
Ainda assim te amarei…
Tenho para mim
Que outra vida vivi,
Numa outra etapa
Do meu insondável ser.
E reagi mais ao como
Do que ao agora,
Ou ao porquê dum beijo
Que o desejo venceu…
Quem me dera o sorriso
Do teu abraço forte,
Poema paraíso
Da canção,
Da dádiva de então...
Nas incertezas da vida,
Nostalgia de infinito…
Quem me dera a saudade
De ti. O teu gesto guardei
Como o perdi? Não sei!
Tão incompreensível
O teu silêncio,
A perda do teu amor
Que sempre sonhei,
Acalentando a esperança
De poder ser eterno...

segunda-feira, 8 de março de 2010

Resvala o sentir...

De soslaio olhando o mundo,
destemido, o querer se ensombrece,
frente ao amanhecer em devir
que acontece e desfalece,
sem certeza de futuro...
É a esperança que fenece,
no assombro da labuta.
A obrigação feita dever,
num ter-de-ser incontornável,
exige a anulação do querer,
que se isola e amofina
e se adensa,
numa perda de vontade
do que anima, vivifica.
Sem desespero expectável,
a saudade enclausura,
inflinge dor,
sem limite e sem permuta,
numa descrença infinita...
Resvala o sentir, para o pensar,
e a tristeza explode,
na certeza do querer profundo,
que soçobra à força bruta do mundo,
na fraca esperança dum viver melhor...

Num suspiro de incerteza, compungido,
o real submerge o sonho,
como num acto de contrição...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Amo o que não tenho

O som da tua voz, ao longe,
é desconforme,
qual batente desconexa
e sem sentido,
de cansaço e rouquidão,
de desejo e solidão,
que ou se perde, ou se mescla
de saudade e rendição.
E o vento em desalinho
com desalento soprando,
transporta laivos d'esperança,
brisas de encantamento,
sustento de imaginação.
São lembranças de então,
que se reanimam: ressuscitam.
Revive-se a sublimme paixão,
em passageiras lufadas
de carinho perdição,
num feitiço de emoção.
Num instante de repouso,
os tremores são de gozo,
num ritual de feição
em que sexo e calor
não rimam com amor,
em rotunda solidão.
E ainda assim te evoco,
te anseio de mansinho
no espaço do meu ser,
dentro do meu desatino,
junto ao entardecer.
Quero-te inteiro, pleno,
sem nenhuma restrição,
porque amo o que não tenho,
sem qualquer contra indicação.

domingo, 31 de maio de 2009

Ilusão

O tempo, vai. Corre lesto.
Vem e foge, de soslaio,
sem deixar que este Maio
fosse o instante surpresa,
do meu desejo submerso
de neblina e ar disperso
em suplemento, desconcerto.
É a minha triste sina,
vadia de afecto e ternura,
exangue numa brutal loucura
de cansaço desencanto
envolto em silencioso pranto...
Desolação, degredo,
sublime esperança e medo
de nada mais ser: ilusão...
,

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Desatino insuportável

Violentado em cada instante,
num sufoco mal contido,
num grito silenciado
na história dos filhos,
irrompe,
no ser dilacerado
a angústia depressiva
envolta em indiferença,
levemente suposta,
manifesta em sentença...
Encolhido num corpo nu,
desbotado e amarrotado,
confunde-se o ser
num cru parecer...
Irremediável padecer
que em cacos implode
e em fragmentos comove
as áreas do seu condado,
as veredas do casão.
Estilhaços escaqueirados
de desejos maltratados,
em infindável tentação,
uma fuga mais que abrupta,
desta vida devoluta,
de estranha solidão.
Má escolha? Punição
que tolhe e embaraça,
pela falha que ameaça,
sofrimento, desrazão...

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Pranto, por mim e ...

"Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas"

Sophia de Mello Breyner, Livro Sexto, 1962

Copiado do Blog Terrear de José Matias Alves

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Momentos difíceis...

Acreditar é difícil quando o deslumbramento que se observa, é tão notório...
No entanto continuo a acreditar plenamente, apesar das revelações que por vezes ocorrem...
Acredito assim mesmo, apesar de às vezes me sentir completamente "tola" e sem jeito...
Nos momentos de maior solidão, pergunto-me se não estarei totalmente enganada...
Vivo um momento de profunda solidão.

sábado, 16 de junho de 2007

Only The Lonely



Roy Orbison

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Espasmos opressores

Entranhou-se-me a tristeza... Por inúmeras vezes tentei respirar e vir ao de cima, mas afoguei a mágoa na urgência de um dormir continuado, sem quaisquer outros sinais ou afazeres...
Dói-me a alma. O espírito está oprimido como quando os meus filhos passaram pela sala de operações, ou como quando, antes, muito no início, tinha que ir a uma reunião geral de equipa, com o chefe...
Acabrunhada, indefesa, qual criança sem colo, sinto o aperto que me envolve... Desanimo. E, este desânimo profundo, com garras de vampiro, segura-se-me à pele, qual cola densa, viscosa...
São levas de ondas cuja intensidade provoca espasmos opressores que me enlaçam e entalam a vontade, não me deixando ser...

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Estulta solidão que me destróis...

Abraço a escolha inconsequente,
pela inglória esperança de ser
outro sentido, no cansaço do sentir
destituído de referenciais,
e de outras coordenadas,
supostamente alteradas,
completamente ultrapassadas,
pela cumplicidade prometida,
em sorrisos de ambiguidade,
ora demasiado atrevidos,
ora altamente recatados,
num puro esconde-esconde excitante,
premente de insinuação e desejo
camuflado, indefinido: "(in)assumido"?.

Estulta solidão que me destróis,
em passos aziagos e dementes,
fruto de inexistentes confissões
e de impensadas conjugações,
plenas de indesejáveis tormentos...

segunda-feira, 21 de maio de 2007

De que vale correr?!...

Sarilhos pequenos,
bem podiam ser os grandes,
para indicar os caminhos
do desejo dos desmandes...

Gizado em papel de embrulho,
fosse pardo ou reciclado,
teria sido mais válido,
apesar de tão bem delineado...

Queria fazer melhor
em cada novo projecto,
acabei por asneirar,
sem saber o dialecto...

Estou cansada de jogar
com baralho de ocasião,
o facto de destoar,
lembra-me a desilusão...

Não sei como fazer,
para sentir o valor,
a certeza de saber,
de que é feito o amor...

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Confissão


Confesso-me:
triste e sem vontade
de me levantar
amanhã de manhã cedo...

Loucura?!...
Mas, também: sofrimento,
solidão, desassossego,
desacerto, saudade, melancolia,
desejo, nostálgia...

Como manter-me em equilíbrio?

sábado, 17 de março de 2007

Só...


Só, apesar dos deslizes,
apesar dos desvelos de alguns,
de pontuais matizes de comunhão,
partilhados em pequenos instantes...
Só, ainda e uma vez mais,
quando em íntimos momentos,
de intensidade sofrida,
reconheço as distâncias,
das marcas diferentes,
que os sorrisos provocam,
nos apressados fins de tarde,
que antecedem os doces fins de semana...
Só de novo quando presencio
no afastamento do partir,
a certeza do companheirismo,
da atenção dispensada,
na sonora e leve gargalhada,
que a disposição feliz reflecte...
Só e sempre só, mesmo acompanhada,
porque a decisão é sempre minha.

Doces anseios de outrora,
ilustraram outras possibilidades,
inexplicavelmente perdidas...

Em momentos assim, como este,
compreendo as atitudes suicidas,
reconhecendo a ousadia necessária,
a força e coragem em mim inexistentes...

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Solidão Vencida (?)


A luz que guia os meus passos,
no caminho turtuoso, sem fim à vista,
é força, é coragem e sentido mas não significado.

Não fossem as amarras
e o barco, à deriva,
tinha já soçobrado
na torrente do devir.

Desnuda, ainda que com véu,
escrevo-me descrevendo-me,
no manancial das palavras que brotam,
ao sabor das desordenadas memórias,
evocadas persistentemente...
Envolta em erma solidão,
na desolada presença do ser
que espelhado me reflecte
e, simultaneamente, me ofusca,
vagueio nas ondas quotidianas,
ora calmas, ora encrespadas,
na trémula viagem do ser e do parecer,
em busca do teu doce olhar,
que em salpicos me desenfarpele,
e me queira nua abraçar,
para de novo me encontrar.

Bem vindos!

Arquivo do blogue