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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Vigílias


ESCREVO-TE A SENTIR tudo isto
 e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos nos sais de prata
da fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro dos contos sussurrados junto
ao fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta revelando-se na saliva dos lábios
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade que a pouco e pouco
morde a
sua imobilidade

habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos
rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara
nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de
romã
repara como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar

 (AL BERTO, 2004, p. 49).


segunda-feira, 6 de julho de 2009

Afagos Vagos

São afagos os teus vagos pensamentos,
expressos em mensagens que concebes
e me deves mandar,
com sorrisos meigos,
lampeiros, de sedução e encantos,
prantos de meus levianos anseios,
ligeiros, contos de amor.
Calor de meu desassossego
que em desvelo e em degredo,,
liberto em ais e desejos,
enleios d'inocente querer...
Loucuras, ternuras, doçuras,
torturas de silêncios e saudade.

Bem vindos!

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