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sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Que um abraço me bastasse

Que um abraço me bastasse,

ou tua voz me afagasse:

o vazio...

Revolteando os ínfimos sinais

de desencanto e desalento,

provocados pela desilusão intrínseca

de um insight autêntico, 

pleno;

Reconhecendo o vácuo e o nada,

confusos,

pelo complexo vai-vém dos dias;

no devir das semanas,

que originam os meses,

de saudade;

Ininterrupatmente seguidos,

incansavelmente abruptos, 

infames,

pelas ausências peremptórias

dos inexistentes laços,

madraços,

que não intensificam,

nem apertam;

Laços desapertados, 

eivados de dor;

Sentimentos inconstantes,

delirantes...

Quisera voltar atrás, regredir,

ou apenas jazer num instante fugaz,

deixando finalmente de fugir,

de fingir que sou ou serei capaz...

 07/11/2018


sábado, 10 de outubro de 2015

Distância e silêncio

Foi bom saber-te com a resistência acutilante de quereres recusar ser mandado pelos filhos. Espero que essa força continue a manifestar-se, ainda que, depois, faças o que eles dizem. Eles estão mais capazes de perceber o que será melhor, por muito que doa (e eu sei que dói)...

Felizmente o esqueleto melhora! E, felizmente também, a cabeça mantém o curso e o desejo indómito mantém-se "aceso" e inalterável. 

Como é bom receber-te assim, inteiro.

Gosto de ti contra o meu peito. Mesmo sem apertar, os abraços gratificam-me da mesma maneira e, se magoam menos assim, vamos abraçar-nos, contra o peito, devagarinho...

De tempos a tempos (nomeadamente quando chego a casa), gosto de descansar a minha cabeça no teu colo. Como saio retemperada depois dessa memória/imaginação!...


Receio a distância e o silêncio...


quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Vigílias


ESCREVO-TE A SENTIR tudo isto
 e num instante de maior lucidez poderia ser o rio
as cabras escondendo o delicado tilintar dos guizos nos sais de prata
da fotografia
poderia erguer-me como o castanheiro dos contos sussurrados junto
ao fogo
e deambular trémulo com as aves
ou acompanhar a sulfúrica borboleta revelando-se na saliva dos lábios
poderia imitar aquele pastor
ou confundir-me com o sonho de cidade que a pouco e pouco
morde a
sua imobilidade

habito neste país de água por engano
são-me necessárias imagens radiografias de ossos
rostos desfocados
mãos sobre corpos impressos no papel e nos espelhos
repara
nada mais possuo
a não ser este recado que hoje segue manchado de finos bagos de
romã
repara como o coração de papel amareleceu no esquecimento de te amar

 (AL BERTO, 2004, p. 49).


segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amor prometido...

Sonhos brancos de horas profundas,
lentas e majestaticamente caladas,
nos interstícios das memórias
de um recovery imaturamente sonegado.
Enganos feitos de beijos sensuais e ardentes,
de vontades imorredouras
e desejos de noites de volúptia infindável.
Vasilhas de escombros,
destroços dos caminhos percorridos,
das canções de amor,
em cântaros de Pandora
encerradas feitas mimos de embalar,
ternuras inusitadamente desveladas.
Corações desfeitos nas balbúrdias das vielas,
nos becos outrora vividos,
como espaços de ingénua esperança.
Sorrisos desenhados
em olhares promissores de felicidade,
em posturas grávidas de alentos protetores
e adolescentemente adorados.
Quês e lês dum amor prometido,
com profecias de futuro e de realização conjugal.
Tudo amado e perdido...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Saudade III

Saudade retractada,
Comprometida;
Saudade cansada,
Assumida;
Saudade indomada,
Restabelecida;
Saudade definhada,
Enlouquecida;
Saudade ofuscada,
Derimida;
Saudade rebuscada,
Entorpecida;
Saudade marcada,
Entumescida;
Saudade temperada,
Ensombrecida;
Saudade determinada,
Ensandescida;
Saudade recalcada,
Rejuvenescida;
Saudade retocada,
Emudecida;
Saudade aprimorada,
Enobrecida;
Saudade suportada,
Envelhecida.
Tão vivida...

terça-feira, 23 de junho de 2009

Saudades III

São tantas as saudades
que quase sufoco,
que quase enlouqueço.
É a falta sentida,
elevada a infinito;
A vida rechaçada.
O tempo veloz,
que arruina a esperança.
A ilusão do teu abraço.
A solidão adensa o ar,
irrespirável
no espaço apertado,
feito laço,
presa nos esporões da impossibilidade,
nos muros labirínticos da verdade.
Penso-te. Sonho-te,
na procura incansável de ti,
da liberdade...

Bem vindos!

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