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quinta-feira, 17 de maio de 2007

Mágoa contida, chorada...

Ouço o silêncio metálico
de pensamentos recorrentes,
disfarçados de ideias,
brilhantes, luzentes,
que escondem o desejo
ausente, distante...

Densas e insistentes,
as lágrimas enfarpeladas,
cristais de mágoa sentida,
escondem a humilhação,
de me saber preterida,
destituída de futuro,
sem ter um porto seguro
que imaginei consistente.

Indiferente ao porvir,
tenho vontade de nada
sufocante e grávida,
que me envenena e me destrói,
cuja melancolia profunda,
preservera e me anula,
conjugando a exaustão,
o desconforto de me saber
sem bálsamo suavizante,
prazeiroso, amaciante...

Quis ser de novo,
viver outra forma de ser,
outra paixão maior,
e a perda em meu redor,
castrou meu íntimo força
e com ele a segurança
de me saber válida, confiança...


Com vagares de enleio
humilhada e sem freio,
sinto de novo o anseio,
de socumbir ao relento,
procurando que o vento
lance as sementes no jardim,
e me "ressuscite" de mim.
Mas, sem ti no horizonte,
duvido do deste meu norte...

Perdi-me ao navegar,
divagando em turvas águas,
perdi-te ao espreitar,
para novas oportunidades...
Choro forte essa mágoa!...
Canto, triste, o entardecer.
Porém, sonho a hora de te ver,
esperando ainda o acontecer...

sábado, 12 de maio de 2007

Ausências...

Uma palavra faria a diferença.
Um gesto e a mudança acontecia...
Um sinal e mais certeza seria,
de estar no lugar ideal,
mesmo que nos separe a distância.

Quanta saudade de ti,
de quando mais tu,
eras menos racional...

São teias suspensas,
os elos que nos ligam,
facilmente descartáveis,
quiçá pensamentos ténues,
que se escapam entre olhares,
e se perdem em entretantos...

Acreditar no que fazemos,
eis a razão desta cumplicidade,
desta tão grande entrega,
em cada instante vivenciada,
e nas experiências partilhadas...

Falta porém o "feed-back"!...
Sinto saudades desse suporte.
Quantas vezes perdi o norte
e com ele a serenidade,
a vontade e o porte...
Quis perder-me. Sobrevivi.
Mas ainda gosto de ti...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Ainda a Distância


Nu. Espaço fechado, abafado.
Preocupado: Outro.
Ausente, na presença do ser,
Presente na ausência do parecer...
Seguro? Cansado, marcado!...
Na solidão acompanhado,
eras um outro e o mesmo...
Foste assim ao entardecer,
num rompante, a desaparecer,
para o aconchego buscar,
noutro lugar.
Sim! Por que não?
Eras, numa expressão,
o ser, o desejo, a vida.
E, repentinamente a distância,
de novo, densa, prenhe, intensa:
tão depressa se esvai,
no reflexo do olhar,
a certeza do querer...

Em cada instante que flui,
na comunhão do crescer,
fica selado o prazer,
relegado para o sonho,
este meu tão bem querer...

Bem vindos!

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