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sexta-feira, 29 de maio de 2009

You are my destiny

sábado, 5 de maio de 2007

Presente ausente


Vejo o presente,
e nele invento o futuro,
enquanto tu ouves o mar
e nele, o marejar da corrente,
o vai-vem das marés,
a bruma nas cristas das ondas
escondendo a verdade
amarfanhada, escamoteada.
Vejo o presente,
e nele relembro o passado,
o fogo fátuo, estulto
de um sentir sombra,
querer aparência,
transposta em máscara
obscenamente trivializada,
insensatamente negada,
falseada na intenção...
Eis-me fruto ressequido,
aprumado mas castrado,
brioso mas consumido:
Reçachado, naufragado...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Sonho de Abril



Foi sonho de um Abril,
faz algum tempo já...
Foi um sonho, lindo!
Ainda vivo, ainda intenso,
feito arco-íris de cristal...
Em Abril, que Abril renasça,
e se reinvente de frescura
e aroma de Primavera...
Em Abril, que o sonho se retome
e se redefina com clareza,
como a luz do amanhecer:
Fresca. Segura. Serena. Balsâmica.
Que esperanças e desejos
sejam reafirmados,
presentes conquistados...

quinta-feira, 22 de março de 2007

Amei-te sem saber quem eras...


Saber-te tão perto, mesmo na ausência,
apesar da distância, é satisfação tamanha
porque sinto e sei que estás por aí (aqui)...
Contudo o exaspero manifesta-se
em raiva contida por não te poder fruir...

Dói não poder contar com tua presença.

Angustia saber que não és para mim:
não é o teu ser, o teu saber, o teu sabor,
o teu sorriso, a tua pessoa, o teu odor.
Dói não poder aproveitar tua companhia,
tua experiência, tua ironia, tua vida...

Amei-te sem saber quem eras,
sem saber porquê ou conhecer como...

Amei-te sem que pudesse decidir,
sem ter a certeza do amanhã,
sem perceber a onda de sentir,
que se instalou sem pedir licença,
sem me consultar ou perscrutar...

E nesta tresloucada sinfonia,
sinto que me afronto em cada encontro,
perante desejos que apenas eu vejo,
e relembro, em distantes horizontes,
pontos de contacto intactos,
inscritos em letras de sabor a mel,
que me inspiram em instantes de tormenta...

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

Passado? Presente eterno?...


Verifiquei datas e palavras.
Encontrei teus dizeres apaixonados
num papel escondido, dobrado, passado...
Pensei e perguntei-me porquê.
E, uma vez mais, não consegui controlar,
não fui capaz de me aguentar: chorei...

Analisei melhor e mais discernida
para ver se percebia o padrão.
Não conseguindo identificá-lo,
maldisse o meu destino, a minha sina...

Quantas vezes estou num caminho (que julgo) linear,
e de repente, sem perceber porquê,
sem descortinar razões nem intuir sequências,
tudo se desmorona, se transforma e se perde
sem que perceba, sem que encontre justificação...

Depois, quando caio em mim,
não consigo perceber o que verdadeiramente aconteceu.
Apenas sei o que perdi... E dói sempre. E muito!...

Será que o problema está em não saber verbalizar o que sinto?
Ou, será a forma de dizer o meu sentir
que demasido brusca, directa, franca e muito sincera,
poderá fazer, os outros, sentirem-se em perigo?...

Será num destes aspectos que está a razão das minhas perdas,
residindo nesta aprendizagem o meu Karma?...

Enquanto não aprendo, relembro, revivo,
em cada memória o belo fogo que nos animou e,
recordo um sonho que não foi apenas meu...


"Viro-me para trás , para o passado , não resisto;

Olho e o passado é uma espécie de futuro para mim
."

Álvaro de Campos

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