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segunda-feira, 19 de março de 2007

Virar a página: Esquecer!...


Desiludida até à medula,
sentindo o desfalecimento,
provocado pelo sentimento,
de me saber preterida,
relegada para o canto,
deixada ao sabor do vento,
sou arrastada pelo desejo violento,
de largar tudo a correr e fugir...
Desistir, de vez,
largar o apego à esperança,
deixar o barco sem âncora,
desaparecer por entre os veios,
daqueles escusos meios,
onde me afagaram os seios,
e um dia me viram rir...
Largar em debandada,
abandonar a parada,
substituindo o querer,
por sorrisos mansos e ternos,
que outros me jogam, lestos,
à espera do acontecer...

Virar a página! Tem de ser!...
Para poder usufruir, nesta fase do saber,
podendo de facto substituir,
o incerto e o ilusório,
pelo seguro e verdadeiro querer...

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Desistir/Resistir...


Queria acreditar que a vida um dia sorriria de forma mais intensa, de uma maneira mais cálida e aconchegante. Senti que poderia ter um ombro amigo que me estendesse a mão quando precisasse. Sonhei que um dia poderia encontrar o meu complemento e com ele poder descobrir novas maneiras de ser...


Em cada instante, vou descobrindo que estou mais só e a cada momento reconheço as minhas limitações, as fragilidades, a tristeza de me descobrir velha (menos nova, menos interessante, mais decrépita) e menos descernida...
Procuro ainda, neste meu percurso, encontrar raizes para poder deixar algumas lianas a que meus filhos se possam agarrar quando estiverem sós e as lágrimas rolarem pelas suas faces ao sentirem que a solidão é dolorosa. E, sinto cada vez mais dificuldade em me aguentar nessa construção, reconheço mais insistentemente a necessidade de deixar cair os braços e largar em retirada, de fugir para onde ninguém pudesse ver-me...

Ainda sinto o sal da tempestade que desencadeaste e a saudade do teu afago, seguido de um sorriso e um doce abraço...
Acreditei! Confiei em ti!... Desiludiste-me tanto, tanto!... E bastava apenas uma palavra, um sorriso, um olhar e tudo seria de novo belo, lilás, esperança...

Tenho dentro de mim uma tristeza imensa porque os dias passaram a ser mais iguais do que outrora. E, apesar de tantas coisas boas que vão acontecendo em cada esquina, este desfalecer, esta louca ilusão que definha e se esvai na eterna espera debalde, alteram as sinfonias, esbatem os raios de luz que me deviam guiar... Apesar dos arco-iris, sinto tanto cansaço acumulado...Tenho de deitar tudo para fora em torrentes tempestuosas para recomeçar de novo. Mas, como chorar sem que se dê conta, sem que se perceba?

E o soluço no peito é um doloroso tormento...

Bem vindos!

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