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sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Segredo


"Não contes do meu

vestido

que tiro pela cabeça


nem que corro os

cortinados

para uma sombra mais espessa


Deixa que feche o

anel

em redor do teu pescoço

com as minhas longas

pernas

e a sombra do meu poço


Não contes do meu

novelo

nem da roca de fiar


nem o que faço

com eles

a fim de te ouvir gritar"


Maria Teresa Horta, in “Poesia Completa” 

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Arco-Irís Desfeito

Idiota, sim! Porque acreditei,
no eco de um amor distante,
que vislumbrei,
vivo, presente, excitante...
Há mágoa no léxico emocional
das ilusões mal geridas,
de negociações falhadas,
de referentes perdidos,
de sonhos incompreendidos...
Há mágoa no sentir violento,
no vazio que ficou
dum desejo mal contido,
dum rio que já secou...
Do nada, surge o silêncio.
Irrompe descontrolado,
de distâncias indomáveis,
de contextos inabaláveis,
de ausências incontornáveis.
Vem de mansinho a suspeita
que à mingua de falar,
já não tem assunto
e sorrateira, já espreita,
como um tormento,
com ganas de rompimento...
O soluço aperta o peito
num arco-irís desfeito,
num desencantado lamento.
Entrecruzam-se as dores,
pontilham-se os desamores...

Bem vindos!

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