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terça-feira, 27 de outubro de 2015

ESPERA

Horas, horas, sem fim, 
pesadas, fundas,
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.

Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.


EUGÉNIO DE ANDRADE, In As Mãos e os Frutos

terça-feira, 6 de abril de 2010

Utopia

Suspensa em etérea espera,
de inesperada lambra
em aconchego improvável,
desacerto acertado,
sem culpa ou mácula,
ou controvérsia consciência
de ser e acontecer
sou, sem lei, utopia.
Com inolvidável esperança
no inteiro desapego do dizer,
com o desejo incontornável
do querer que transborda e se anula,
no vazio da verdade que se inventa,
segue imberbe o tempo,
deslavado trapaceiro,
escondendo os segundos
e os silêncios,
na ilusão do possível,
num inviável esteio, requerido,
em inegável enleio,entretecido.

domingo, 22 de abril de 2007

A espera adiada e a vida suspensa

Viver o frenesim da espera adiada,
é construir castelos de espuma
na avalanche da vaga oceânica,
na vida entretanto suspensa,
entre parêntesis colocada.

É semear inúmeros grãos
de ofuscante e fresca luminosidade,
tornados efusivo movimento,
puro desejo de liberdade.

É lutar contra a corrente,
encetar batalhas inconsequentes,
fruto de brigas inconsistentes
que a consciência se auto-impõe,
em detrimento da seren(idade),
que a autor(idade)pressupõe.

É viver no fio da navalha,
esperar o tudo e o nada,
em cada dia de agonia,
e de esperança truncada,
mas ainda viva, reafirmada.
Eis-me (ainda) presa a um sonho
a um ideal de realização,
a uma esperança diáfana,
à certeza de que o amor
é verdade sublime,
é eterno bem-querer,
é abnegação total,
é acreditar para além do possível,
muito para lá do visível,
do âmbito do indizível...

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Sonho Adiado


Em suspenso, como que presa,
como se pudesse enlear-me mais,
sinto a indecisão da escolha...
Fechar o ciclo,
aberto, faz tempo,
concluí-lo, encerrá-lo,
virar costas, ir em frente,
obstruir o sonho,
aprisioná-lo nas entranhas do tempo,
barrá-lo confundindo-o,
para poder soterrá-lo e esquecer...

Mas, na ilusão da espera,
no desassossego do sentir
prenhe de esperança,
na ambiguidade do possível,
irrompe o desejo abrasivo,
em volúpia orgástica esvaída,esvaziada
no deleite solitário,
nostálgico, cristalizado...
Perplexa, vacilante, hesitante,
quedo na expectativa de realização,
deste Sonho meu adiado...

Bem vindos!

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