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terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Voar

Esconjuro os limites
do meu querer espartilhado.
No braseiro da minh'alma,
nos interstícios do meu ser,
na membrana da minha consciência,
da minha vontade, ferida,
da minha memória, sofrida,
enxoto, escorraço, afugento
esta tendência abrupta,
intrínseca,
de me sentir menor.
Expulsar este demónio,
ousar ser gente.
Antever na infinita certeza
de me saber igual e sentir princesa.
Afastar, espantar, repelir
o estigma da menoridade
que corrói as entranhas
do meu sentir com insistência
é coragem tamanha de força
e desejo valente
que hei-de conseguir e vencer,
para poder finalmente voar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Teço teias de fantasias

No etéreo presente do meu diário
reencontro os abraços ora desfeitos,
perpassando nas palavras proferidas.
Teço teias de fantasias,
nos cantos da mansão
em que escondo meus anseios.
Reconheço nos silêncios
apenas cansaços da ausência dos abraços.
E nas desfolhadas páginas brancas,
encontro versos de amor
em espera inventada, desgastada.
No segredo do meu ser transido,
vislumbro-te em cada esquina do meu corpo,
como se fosses mais do que uma ilusão.
Escrevo-me, pincelando penumbras.
Reencontro a fimbria do desejo,
de reconhecer-te real, ainda,
para além do meu imaginário...

sábado, 7 de novembro de 2009

chovendo


"Sou feita de vésperas e dias seguintes, da expectativa que a véspera me faz e da realização que o dia seguinte me traz." (Karla Julia)
"Sou o intervalo entre o que desejo ser e o que os outros me fizeram." (Álvaro de Campos)
“Sou entre flor e nuvem. Por que havemos de ser unicamente humanos?” (Cecília Meireles)
“Fossemos infinitos, tudo mudaria... Como somos finitos muito permanece.” (Bertold Brechet)

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Amo o que não tenho

O som da tua voz, ao longe,
é desconforme,
qual batente desconexa
e sem sentido,
de cansaço e rouquidão,
de desejo e solidão,
que ou se perde, ou se mescla
de saudade e rendição.
E o vento em desalinho
com desalento soprando,
transporta laivos d'esperança,
brisas de encantamento,
sustento de imaginação.
São lembranças de então,
que se reanimam: ressuscitam.
Revive-se a sublimme paixão,
em passageiras lufadas
de carinho perdição,
num feitiço de emoção.
Num instante de repouso,
os tremores são de gozo,
num ritual de feição
em que sexo e calor
não rimam com amor,
em rotunda solidão.
E ainda assim te evoco,
te anseio de mansinho
no espaço do meu ser,
dentro do meu desatino,
junto ao entardecer.
Quero-te inteiro, pleno,
sem nenhuma restrição,
porque amo o que não tenho,
sem qualquer contra indicação.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Projecto ser mulher/ser melhor

É por me sentir desejada
que eu desejo tua presença,
na ausência das minhas memórias,
no sossego do meu quarto,
no silêncio do meu lar,
no vazio do meu ser.
E o desejo, esse,
enche o vácuo,
o leito do meu querer,
e incendeia com o vento,
este espaço cavo meu,
projecto de ser mulher,
desejo de ser melhor.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

Desejo que fluiu

Banalizado, o amor,
no sentir de pressões,
na ausência de palavras,
em estravagâncias...
São parábolas de esperança,
as notícias estonteantes,
em valores implícitos,
interiores deslumbrantes,
na insegurança do nada,
na efeverscência da espera,
no luto da quimera
de um em dois que se intuiu.
Valência que se esgota,
num desejo puro que fluiu...

terça-feira, 1 de julho de 2008

Pudesse eu ...II

Pudesse eu,
minimizar o sentir,
esconder o desejo,
controlar a emoção,
mudar a distância;
Volver criança,
sonhar de novo,
escutar a canção,
viver o "suspense",
no reencontro fatal:
"No me abandones así...";
Soletrar o encontro,
aceitar expor-me
para dizer-te:
"Regresa a mi...";
E (re)viveria
outro modo de ser,
outro encanto conhecer,
outro mundo saber...
Pudesse eu...
E tu?...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Pudesse eu...I

Pudesse eu
minimizar o sentir,
esconder o desejo,
mudar a distância...

terça-feira, 19 de junho de 2007

Reavivo o gosto do chocolate


Reavivo o gosto do chocolate,
imaginando-o derretido,
sofregamente lambido,
gostosamente saboreado.
Treino as letras frente ao espelho
e sorrio antecipando o frémito,
o desejo levado ao rubro,
o corpo em desalinho...
Delicio-me...
Sinto o formigueiro invadir-me,
melhor que o torpor,
mais agradável e prazeiroso
do que a brisa em dia de calor...
Renovo a memória do cheiro.
Inspiro profundamente
e sinto o desejo crescente,
em catadupa, até à explosão...
Relembro, em flashes, alguns momentos,
reavivo memórias,
cujas emoções guardo, com afecto...
Resumo a espera à expectativa,
ao devir que em delirio anseio,
pronta para a reconciliação serena,
consequência do querer saciado,
Descortino realização plena...

terça-feira, 12 de junho de 2007

Degredo quase obsceno...

Procurei-te no teu canto
e, nada vi por ali,
nem teu cheiro senti...

É quase obsceno
o degredo que me aniquila,
tensão que me subjuga
ao intervalo da afeição...

Novamente triste,
pela dor que me afronta,
no deslize do meu sonho,
no ansiado encontro...

Foges acompanhado,
dando a "volta por cima",
no lúdico desabrochar
da torrente em que afundas,
este imenso calcorrear...

Invento-te em cada canto,
sempre que te penso
e não te vejo,
em vão, querendo um beijo,
bálsamo do meu desejo...

quinta-feira, 17 de maio de 2007

Mágoa contida, chorada...

Ouço o silêncio metálico
de pensamentos recorrentes,
disfarçados de ideias,
brilhantes, luzentes,
que escondem o desejo
ausente, distante...

Densas e insistentes,
as lágrimas enfarpeladas,
cristais de mágoa sentida,
escondem a humilhação,
de me saber preterida,
destituída de futuro,
sem ter um porto seguro
que imaginei consistente.

Indiferente ao porvir,
tenho vontade de nada
sufocante e grávida,
que me envenena e me destrói,
cuja melancolia profunda,
preservera e me anula,
conjugando a exaustão,
o desconforto de me saber
sem bálsamo suavizante,
prazeiroso, amaciante...

Quis ser de novo,
viver outra forma de ser,
outra paixão maior,
e a perda em meu redor,
castrou meu íntimo força
e com ele a segurança
de me saber válida, confiança...


Com vagares de enleio
humilhada e sem freio,
sinto de novo o anseio,
de socumbir ao relento,
procurando que o vento
lance as sementes no jardim,
e me "ressuscite" de mim.
Mas, sem ti no horizonte,
duvido do deste meu norte...

Perdi-me ao navegar,
divagando em turvas águas,
perdi-te ao espreitar,
para novas oportunidades...
Choro forte essa mágoa!...
Canto, triste, o entardecer.
Porém, sonho a hora de te ver,
esperando ainda o acontecer...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Ilusão


Olhos nos olhos,
parecia que o teu doce olhar,
estava dizendo que sim,
que me querias beijar,
apesar da distância...
Parecia que seria possível
encontrar o mesmo desejo,
a mesma sede de um beijo,
como outrora...
Parecia: pereceu!...

A confusão do olhar,
não traduziu o querer,
o beijo tardou e não saiu...
Rompeste a barreira do silêncio,
mas as paredes da alma,
ficaram resistentes ao chamamento...
A surpresa foi sol de pouca dura.

Defraudada a esperança vã,
o sentimento de infortúnio,
de novo o desassossego,
perante o inesperado
feito momento irrepetível,
que destoa do conjunto,
que ameaça soçobrar,
em agonia plangente.

Quero desistir. Tenho de fugir!...

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Sonho Adiado


Em suspenso, como que presa,
como se pudesse enlear-me mais,
sinto a indecisão da escolha...
Fechar o ciclo,
aberto, faz tempo,
concluí-lo, encerrá-lo,
virar costas, ir em frente,
obstruir o sonho,
aprisioná-lo nas entranhas do tempo,
barrá-lo confundindo-o,
para poder soterrá-lo e esquecer...

Mas, na ilusão da espera,
no desassossego do sentir
prenhe de esperança,
na ambiguidade do possível,
irrompe o desejo abrasivo,
em volúpia orgástica esvaída,esvaziada
no deleite solitário,
nostálgico, cristalizado...
Perplexa, vacilante, hesitante,
quedo na expectativa de realização,
deste Sonho meu adiado...

Bem vindos!

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