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sábado, 28 de abril de 2007

Partir para não mais chorar...

Consentida,
aprovada a presença
na ausência do ser
que se quer,
ainda indisponível.
Aceitar!... Tem de ser!...
Engolir o soluço,
suportar a distância,
tolerar a indiferença...
Destruir o ídolo e a esperança,
abafando a chama que incendeia,
tem de ser a minha luta,
até estar ganha a batalha.
É forçoso que assim seja,
se me quero recuperar
desta tão infeliz peleia...
Não quero estar mais assim,
nunca, nunca mais...
Aceitar. Tem de ser!...
É quase resignação.
Mas, talvez tenha de sair,
para poder esquecer,
para sorrir com prazer,
para não mais chorar!...

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Desistir de sentir

Cada momento e cada espaço,
cada pedaço de lugar,
é molécual de lembrança,
remete para a recordação,
dá conta da tua presença
reflexo da ausência do teu ser,
sentida no meu padecer...
Quisera olvidar,
ser amnésica,
amarfanhar,
desistir de sentir
passar a esponja:
para subsistir,
para não lembrar,
para poder descansr,
sendo capaz da opção,
sem constrangimento,
de decidir sem o coração,
utilizando apenas a razão...

quarta-feira, 21 de março de 2007

Tem de ser...


Crepita ainda o lume,
na fogueira ateada,
de cada vez que te invento,
todas as vezes que te penso
e te desejo feito êxtase,
em perfeita e harmoniosa comunhão...

Todos os dias me obrigo,
a repetir ao espelho,
que não mereço sofrer!...

Repito também para mim,
a necessidade da indiferença,
para além da distância,
amordaçando o querer,
abafando o sentimento...

Procuro esquecer a presença,
abrigando-me no silêncio,
para que as memórias,
sejam esvaídas lembranças,
de sonhos, eternos diamantes,
que ainda permanecem,
mas que quero estilhaçar,
quais ondas sulcando as margens,
em brumas de vapor e sal...

Luto mais hoje do que outrora,
por que suceda nova etapa,
a este estúpido sentimento
que tanto constrangimento causa...

Apesar da chama incandescente,
me atormentar continuamente,
hei-de conseguir a indiferença,
neste meu caótico sucedânio quotidiano...
Hei-de olhar-te sem desejo,
sem ternura e sem apego,
trabalhando isso ao espelho,
com o meu maior desvelo...

Quero romper amarras,
tenho de cortar os elos...

Usando a força da desilusão,
que alimenta minha angústia,
quero lutar contra a tristeza,
esquecer a mágoa da paixão,
voltar à serenidade,
de antes das promessas,
do traidor olhar transparente,
com que me enfeitiçaste...

Tenho de esquecer-te, meu amor,
tem de ser ou definharei!...

Bem vindos!

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