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terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Poema da minha alienação

Demoro-me no outro lado de mim
porque me atrai
esse ser impossível
que sou
esse ser que me nega
para que seja ainda eu
Porque desejo esse alguém
que me invade e me ocupa
que me usurpou a palavra e o gesto
me fez estrangeiro do meu corpo
e me deixou mudo, contemplando-me.
Lanço-me na procura da minha pedra
no infindável trabalho
de me reconstruir
recolhendo os sinais do meu desaparecimento
percorrendo o revés da viagem
para regressar a um lugar inabitável.
Todas as vezes que me venci
não me separei do meu sonho derrotado
e, assim, me fiz nuvem
reparti-me em infinitas gotas
para que fosse bebido, vertido, transpirado
e voltasse de novo a ser céu..."

Mia Couto in "Poema da minha alienação"
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sábado, 14 de abril de 2007

Corpo espelho


"O corpo expressa o que o coração revela, não deixando nunca, que a linha da mente se intrometa." Autor desconhecido

O piropo semi-escondido,
arremedo de sentir,
reflexo de um querer,
quiça assumido,
ganhou asas, voou...

O gelo derreteu,
e ostra fosse eu
exporia minha pérola,
determinada e feliz,
indiferente ao contexto,
no ensejo do encanto
que provocas sempre...

Espelho do meu sentir,
eis-me corpo feito desejo,
onde gravo a ferro e fogo
a urgência de um beijo,
manancial de quimeras,
janelas de Primavera...

Sou feliz ainda assim,
com tanto de tão pouco,
que me escudo no carmim,
deste desvario louco,
pleno de magia e paixão,
reflexo em meu corpo...

Bem vindos!

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