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terça-feira, 29 de setembro de 2015

RETRATO


Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?


CECÍLIA MEIRELES, in ANTOLOGIA POÉTICA

(1963; Nova Fronteira, Brasil, 2001; Relógio D'Água, 2002)

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Queria apaziguar -me...


De novo o estranho,
o imponderável regresso,
ao complexo quotidiano
que tanto me realiza,
e também me angustia
pelo inerente confronto,
perante o indiferente,
o óbvio...

Minh'alma estaria apaziguada,
se sentisse positivo,
se o sobreaviso da intuição,
não criasse desconforto
perante a permanente desilusão...

Queria ter força e coragem
para apaziguar minha dor,
para me ultrapassar no sentir,
sem desânimo e sofrimento...

Bem vindos!

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