Outras roupagens...

O barulho do pensamento
atropelando o raciocinio,
criando (pre)conceitos,
(pre)posições injustificadas,
fundamento de ocasionais coincidências,
que ora são, ora não são evidências...
São as apostas diferentes que fizeste,
com roupagens antagónicas,
desadequadas e, sem critério,
previamente estabelecidas,
proporcionando desenlaces
inesperados e brutais,
causados na ousadia
de querer ser gente,
à revelia da Autoridade
que ausente se extravia,
por falta de autenticidade.
Desencadeiam-se rumores,
escondidos em anti-valores,
escolhidos e assumidos,
que justificam o injustificável
e permitem o impensável...
De volta a desilusão
no desapego da vida que se inutiliza
em palavreado pensado
reflectindo o sentimento vivido...
Caminho semi-estruturado,
por um querer obnibulado,
num misto de crença perene,
iludida mas também real
na penumbra do desejo,
que se quer realizado...
Retomado o lugar do não ser,
do irreconhecível,
pela desilusão da irrecompensa,
foges do sonho,
tens medo de acreditar,
para não teres de te dar,
escondes o sorriso e o olhar,
nos escritos balbuciantes,
que teimas em apresentar...
Vives, qual lírio frágil,
no deserto das miragens,
rumando ao incondicional
que terás de conceber,
para poderes caminhar,
com o sabor de algum saber...

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