Tem de ser...

Crepita ainda o lume,
na fogueira ateada,
de cada vez que te invento,
todas as vezes que te penso
e te desejo feito êxtase,
em perfeita e harmoniosa comunhão...
Todos os dias me obrigo,
a repetir ao espelho,
que não mereço sofrer!...
Repito também para mim,
a necessidade da indiferença,
para além da distância,
amordaçando o querer,
abafando o sentimento...
Procuro esquecer a presença,
abrigando-me no silêncio,
para que as memórias,
sejam esvaídas lembranças,
de sonhos, eternos diamantes,
que ainda permanecem,
mas que quero estilhaçar,
quais ondas sulcando as margens,
em brumas de vapor e sal...
Luto mais hoje do que outrora,
por que suceda nova etapa,
a este estúpido sentimento
que tanto constrangimento causa...
Apesar da chama incandescente,
me atormentar continuamente,
hei-de conseguir a indiferença,
neste meu caótico sucedânio quotidiano...
Hei-de olhar-te sem desejo,
sem ternura e sem apego,
trabalhando isso ao espelho,
com o meu maior desvelo...
Quero romper amarras,
tenho de cortar os elos...
Usando a força da desilusão,
que alimenta minha angústia,
quero lutar contra a tristeza,
esquecer a mágoa da paixão,
voltar à serenidade,
de antes das promessas,
do traidor olhar transparente,
com que me enfeitiçaste...
Tenho de esquecer-te, meu amor,
tem de ser ou definharei!...

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