domingo, 17 de dezembro de 2006

Maturação ou mito do Peter Pan



Será crescimento o ser capaz de aceitar o inevitável apesar da revolta e da tristeza? Será amadurecimento o reconhecer que tem de se levar a vida para a frente quando se perdeu um amor? Será maturação deixar as lágrimas sulcarem o rosto quando relembramos o passado, ou relemos nas entrelinhas, o implicíto/explícito de uma declaração de amor? Será que a maturação tem coisas destas, difíceis de interpretar e compreender?...
O tempo, de facto, faz andar a roda e, umas vezes é para a frente, e outras para trás…



É com alguma serenidade (a possível quando se sofre), ainda que com mágoa, que hoje escrevo estes meus sentimentos após a leitura de algumas mensagens esquecidas no tempo e te digo que não compreendo esta roda dentada que ora anda para a frente, ora roda para trás. Apenas me recrimino por ter acreditado e acreditar, por sentir e relembrar emoções fortes que produzem um nó apertado e uma tensão desigual que confundem e corroem...
A desilusão e o sofrimento serviram para me fazer acordar do deslumbramento em que me encontrava, qual criança ou adolescente embevecido perante a beleza ofuscante do sentimento mais sublime, perante o fogo aceso da paixão... Caí na real e doeu-me saber quão difícil foi passar uma esponja e recomeçar, quão doloroso foi enfrentar e seguir... Como se nada tivesse acontecido ou, como se o sentimento não existisse ... Que louca vida esta, tão cada vez mais sem sentido, tão cada vez mais (ir)racional...
Meu filho diz e por vezes concordo com ele: Como seria bom não crescer...

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