Um corpo em transgressão
Não te queria interposto,
ali especado,
num riso escancarado,
olhando-me sedutor,
ciente da devastação
que provocas,
meu encanto avassalador...
Queria ser outra vez menina,
voltar à memória traquina
do meu primeiro amor
e sentir sem preconceito,
que este desejo no peito,
tem em tudo mais valor...
Mas não. Tu não desandas
e manténs sem qualquer razão
tua presença/distância
na fresta que foste abrindo,
neste meu pobre coração...
E os dois engalfinhados
em teias de ilusão,
desfazem minha sanidade
em lufadas de intenção
despedaçando a identidade
do meu corpo em contra mão.

1 comentário:
Este poema arrasa-me o "Eu". Dói, dói, dói e faz sangrar. Faz-me sentir o que ora sinto, faz-me sentir o que outrora senti. Tantas vezes o que de mais belo e puro existe faz mesmo sofrer...
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