Estranha lucidez
Sei-te nas veredas do mau(meu?) tempo,
apesar de ensolarados desejos
de permanecer esperança.
Neste espaço nu,
carente de aconchego,
(re)visito-me vestindo arrogância,
e num desvelo de maturidade,
transpiro laivos de fraqueza
imbuídos de espontaneidade.
Autênticidade? Não. Não sei...
Talvez apenas fugacidade do ser
que em pleno amanhecer
desfalece de saudade
e se afunda em vontade de mudança...
Escolhi esta vida, em tempos.
Hoje odeio ter de a viver
confrontada comigo mesma,
e com os ecos
da minha memória, insolente.
Cegueira. Surdez. Demência(?)
Estranha lucidez, vã glória
de caminhar direita ao abismo,
guiando-me sobre o fio da navalha,
em busca de um mar acolhedor:
sereno na sua imensidão,
forte para o meu desnorte...

Sem comentários:
Enviar um comentário