sexta-feira, 24 de julho de 2009

Desalento

Como aceitar o acontecido?
Como enfrentar o outro
no seu espaço de desejo e realização?
Como conjugar o verbo amar
num substituto real
de gozo e satisfação?
Como não sentir o paradoxo,
a desilusão da não pertença?
Como anular o desalento,
a amargura da ausência,
num acidental acto de apetite,
de avidez, de fruição?
Como superar este tormento
de me reconhecer dispensável,
de me identificar (novamente),
inútil, supérflua, excedente?
Como ultrapassar a dor
de me sentir farrapo,
de me saber caco:
Miserável ser,
deste tortuoso andar,
deste sinuoso caminhar?
Pergunto-me: Que fazer?
Respondo-me: Espero um amanhecer,
sem ter medo de acordar...

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