segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Paradoxos de ser e acontecer

De estômago embrulhado,
de sentires contraditórios
e ambíguos pensares
escondo-me, de mim,
no inferno do ser
em cada amanhecer.

Encafuar a cabeça
no fundo da areia
esperando que o vento
a afunde, e sem alento,
agonizar,
sem espectadores nem rancores,
seria melhor, aposto!...

Que consciência aflita
duma (desta) vida em desdita,
que desfila, feito fita,
e se amofina,
em contradita sina,
e exangues suspiros
desafiando longos vazios
de ser e acontecer...

E caminha e vacila, e soluça.
E avança sem encanto...

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