segunda-feira, 8 de março de 2010

Resvala o sentir...

De soslaio olhando o mundo,
destemido, o querer se ensombrece,
frente ao amanhecer em devir
que acontece e desfalece,
sem certeza de futuro...
É a esperança que fenece,
no assombro da labuta.
A obrigação feita dever,
num ter-de-ser incontornável,
exige a anulação do querer,
que se isola e amofina
e se adensa,
numa perda de vontade
do que anima, vivifica.
Sem desespero expectável,
a saudade enclausura,
inflinge dor,
sem limite e sem permuta,
numa descrença infinita...
Resvala o sentir, para o pensar,
e a tristeza explode,
na certeza do querer profundo,
que soçobra à força bruta do mundo,
na fraca esperança dum viver melhor...

Num suspiro de incerteza, compungido,
o real submerge o sonho,
como num acto de contrição...

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