Desistir/Resistir...

Queria acreditar que a vida um dia sorriria de forma mais intensa, de uma maneira mais cálida e aconchegante. Senti que poderia ter um ombro amigo que me estendesse a mão quando precisasse. Sonhei que um dia poderia encontrar o meu complemento e com ele poder descobrir novas maneiras de ser...
Em cada instante, vou descobrindo que estou mais só e a cada momento reconheço as minhas limitações, as fragilidades, a tristeza de me descobrir velha (menos nova, menos interessante, mais decrépita) e menos descernida...
Procuro ainda, neste meu percurso, encontrar raizes para poder deixar algumas lianas a que meus filhos se possam agarrar quando estiverem sós e as lágrimas rolarem pelas suas faces ao sentirem que a solidão é dolorosa. E, sinto cada vez mais dificuldade em me aguentar nessa construção, reconheço mais insistentemente a necessidade de deixar cair os braços e largar em retirada, de fugir para onde ninguém pudesse ver-me... 
Ainda sinto o sal da tempestade que desencadeaste e a saudade do teu afago, seguido de um sorriso e um doce abraço...
Acreditei! Confiei em ti!... Desiludiste-me tanto, tanto!... E bastava apenas uma palavra, um sorriso, um olhar e tudo seria de novo belo, lilás, esperança...
Tenho dentro de mim uma tristeza imensa porque os dias passaram a ser mais iguais do que outrora. E, apesar de tantas coisas boas que vão acontecendo em cada esquina, este desfalecer, esta louca ilusão que definha e se esvai na eterna espera debalde, alteram as sinfonias, esbatem os raios de luz que me deviam guiar... Apesar dos arco-iris, sinto tanto cansaço acumulado...Tenho de deitar tudo para fora em torrentes tempestuosas para recomeçar de novo. Mas, como chorar sem que se dê conta, sem que se perceba?
E o soluço no peito é um doloroso tormento...

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