quinta-feira, 27 de julho de 2017
quarta-feira, 5 de outubro de 2016
Ponto de interrogação ?
Sou um ponto,
mas também uma ponte.
Sou um laço,
mas também muro.
Sou abraços,
imaginados na canseira dos dias,
desfeitos no aconchego da alma,
refeitos nas memórias distantes.
Sou aguarela,
desfeita pelas vicissitudes da vida.
Sou brasa indelével, tornada tição...
Sou nas memórias distantes,
contradição
Sou eu, sim...
Sou ainda um ponto de interrogação
?
Postado por
Violet
às
10/05/2016 08:44:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: Abraços, Contradição, Interrogação, Laços, Memória, Ponto
sexta-feira, 22 de janeiro de 2016
AMOR
“Não importa a distância que nos separa, se há um céu que nos une.”
Carlos Drummond de Andrade
Postado por
Violet
às
1/22/2016 11:57:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: Acreditar, Afago, Amar, Anseio, Coração, Paixão, Solidão
terça-feira, 8 de dezembro de 2015
Poema da minha alienação
esse ser impossível
que sou
esse ser que me nega
para que seja ainda eu
que me invade e me ocupa
que me usurpou a palavra e o gesto
me fez estrangeiro do meu corpo
e me deixou mudo, contemplando-me.
no infindável trabalho
de me reconstruir
recolhendo os sinais do meu desaparecimento
percorrendo o revés da viagem
para regressar a um lugar inabitável.
não me separei do meu sonho derrotado
e, assim, me fiz nuvem
reparti-me em infinitas gotas
para que fosse bebido, vertido, transpirado
e voltasse de novo a ser céu..."
Postado por
Violet
às
12/08/2015 03:01:00 a.m.
0
comentários
terça-feira, 27 de outubro de 2015
ESPERA
esperarei por ti
até que todas as coisas sejam mudas.
Até que uma pedra irrompa
e floresça.
Até que um pássaro me saia da garganta
e no silêncio desapareça.
EUGÉNIO DE ANDRADE, In As Mãos e os Frutos
Postado por
Violet
às
10/27/2015 11:54:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: Amor, Espera, Esperança, Esperançar, Esperar, Tu
Nunca me esqueci de ti
Postado por
Violet
às
10/27/2015 11:51:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: Amor, Eu nunca me esqueci de ti
EU E TU
Dois! Eu e Tu, num ser indissolúvel.
Como Brasa e carvão, centelha e lume, oceano e areia,
Aspiram a formar um todo, - em cada assomo
A nossa aspiração mais violenta se ateia...
Como a onda e o vento, a lua e a noite, o orvalho e a selva,
- O vento erguendo a vaga, o luar doirando a noite,
Ou o orvalho inundando as verduras da relva
- Cheio de ti, meu ser d'eflúvios impregnou-te!
Como o lilás e a terra onde nasce e floresce,
O bosque e o vendaval desgrenhando o arvoredo,
O vinho e a sede, o vinho onde tudo se esquece,
- Nós dois, d'amor enchendo a noite do degredo.
Como parte de um todo, em amplexos supremos,
Fundindo os corações no ardor que nos inflama,
Para sempre um ao outro, Eu e Tu pertencemos,
Como se eu fosse o lume e tu fosses a chama.
António Feijó
Postado por
Violet
às
10/27/2015 11:17:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: Dois, Eu e Tu, Indissolúveis
quinta-feira, 15 de outubro de 2015
TU
cabe em minhas mãos
Ardo
Corre em mim tumultuada
uma lava ardente
que só em ti descobre rumo
e apaga o tempo.
Publicado no Recanto das letras
cod.T4474294
EDGARDO XAVIER (a publicar)
Postado por
Violet
às
10/15/2015 01:24:00 a.m.
0
comentários
sábado, 10 de outubro de 2015
Distância e silêncio
Gosto de ti contra o meu peito. Mesmo sem apertar, os abraços gratificam-me da mesma maneira e, se magoam menos assim, vamos abraçar-nos, contra o peito, devagarinho...
De tempos a tempos (nomeadamente quando chego a casa), gosto de descansar a minha cabeça no teu colo. Como saio retemperada depois dessa memória/imaginação!...
Receio a distância e o silêncio...
Postado por
Violet
às
10/10/2015 08:34:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: Desassossego, Saudades, Silêncio, Solidão
terça-feira, 29 de setembro de 2015
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro,
nem estes olhos tão vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?
CECÍLIA MEIRELES, in ANTOLOGIA POÉTICA
Postado por
Violet
às
9/29/2015 09:18:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: (Re)começo, (Re)lembrar, (Re)mexer, (Re)viver, Acreditar, Apaziguar, Esperançar
quinta-feira, 24 de setembro de 2015
ESPIGA
O meu corpo
tombado na cama
como trigo vergado na eira
é um corpo
onde vadiou a chama
flamejante e altaneira.
Mas este corpo
não é ainda trigo ceifado
pois tem seiva, força, raíz
é apenas um corpo
saciado, em deleite e descansado
na eira dos corpos viris.
Vem, seduz o meu corpo
sorve a haste sob o lençol
sussurra uma doce cantiga
e verás o meu corpo
erguer-se aprumado ao sol
mostrando a força da espiga.
JOÃO MORGADO, in PARA TI (Kreamus, 2014)
Postado por
Violet
às
9/24/2015 02:48:00 a.m.
0
comentários
sábado, 19 de setembro de 2015
Soneto (de Chico Buarque na voz de Ney Matogrosso)
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono
Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo
Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar, com que navio
E me deixaste só, com que saída
Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio
Chico Buarque
Postado por
Violet
às
9/19/2015 11:58:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: Angústia/Dor, Porquê?
sexta-feira, 18 de setembro de 2015
ESTOU MAIS PERTO DE TI PORQUE TE AMO
Os meus beijos nascem já na tua boca.
Não poderei escrever teu nome com palavras.
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me.
Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto.
Quero a tua boca aberta em minha boca.
E amo-te como se nunca te tivesse amado
porque tu estás em mim mas ausente de mim.
Nesta noite sei apenas dos teus gestos
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos.
Trago as mãos distantes do teu peito.
Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte.
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim.
E eu estou perto de ti porque te amo.
Joaquim PESSOA, in OS OLHOS DE ISA [edição especial, Litexa Editora (1983)]; O POETA ENAMORADO (Ed. Esgotadas, 2015)
Postado por
Violet
às
9/18/2015 09:08:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: (Re)começo, (Re)lembrar, Abraço, Amor, Paixão
sexta-feira, 19 de junho de 2015
«Volta até Mim no Silêncio da Noite»
Volta até mim no silêncio da noite
a tua voz que eu amo, e as tuas palavras
que eu não esqueço. Volta até mim
para que a tua ausência não embacie
o vidro da memória, nem o transforme
no espelho baço dos meus olhos. Volta
com os teus lábios cujo beijo sonhei num estuário
vestido com a mortalha da névoa; e traz
contigo a maré cheia da manhã com que
todos os náufragos sonharam.
Nuno Júdice, in 'O Movimento do Mundo'
Postado por
Violet
às
6/19/2015 01:15:00 a.m.
0
comentários
Marcadores: (Re)começo, (Re)lembrar, (Re)mexer, (Re)viver, Vem, Volta a mim no silêncio da noite. Volta
domingo, 31 de maio de 2015
El sonido del silencio - Flauta de pan - Música instrumental
Postado por
Violet
às
5/31/2015 05:29:00 p.m.
0
comentários
BLUES FÚNEBRE
FUNERAL BLUES (1936)
Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.
Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crêpe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.
He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.
The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood;
For nothing now can ever come to any good.
W. H. AUDEN
Tradução proposta por: http://poesiailimitada.blogspot.pt/2006/01/w-h-auden.html
Parem todos os relógios, desliguem o telefone,
Impeçam o cão de latir com um osso enorme,
Silenciem os pianos e ao som abafado dos tambores
Tragam o caixão, deixem as carpideiras carpir suas dores.
Deixem os aviões aos círculos a gemer no céu
Rabiscando no ar a mensagem Ele Morreu,
Ponham laços crepe nas pombas brancas da nação,
Deixem os sinaleiros usar luvas pretas de algodão.
Ele era o meu Norte, meu Sul, meu Este e Oeste,
Minha semana de trabalho, meu Domingo de festa
Meu meio-dia, meia-noite, minha conversa, minha canção;
Pensei que o amor ia durar para sempre: foi ilusão.
As estrelas já não são precisas: levem-nas uma a uma;
Desmantelem o sol e empacotem a lua;
Despejem o oceano e varram a floresta;
Porque agora já nada de bom me resta.
Postado por
Violet
às
5/31/2015 03:57:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: Amor, Poesia, Walt Whitman Auden
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
Vigílias
Postado por
Violet
às
1/29/2015 09:03:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: Afagos, Afectos, Amar, Amor, Saudade, Saudades, Silêncio, Silêncios
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
Pergunta-me
Pergunta-me
se ainda és o meu fogo
se acendes ainda
o minuto de cinza
se despertas
a ave magoada
que se queda
na árvore do meu sangue
Pergunta-me
se o vento não traz nada
se o vento tudo arrasta
se na quietude do lago
repousaram a fúria
e o tropel de mil cavalos
Pergunta-me
se te voltei a encontrar
de todas as vezes que me detive
junto das pontes enevoadas
e se eras tu
quem eu via
na infinita dispersão do meu ser
se eras tu
que reunias pedaços do meu poema
reconstruindo
a folha rasgada
na minha mão descrente
Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice
um mistério indecifrável
simplesmente
para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer
Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho'
Postado por
Violet
às
1/27/2015 11:03:00 p.m.
0
comentários
Marcadores: (Re)começo, (Re)lembrar, (Re)mexer, (Re)viver, Abraços, Acertos, Amante, Amar, Pergunta-me
Bem vindos!
