domingo, 9 de novembro de 2008

Meu anseio...

Meu anseio, liberdade,
chegou célere de verdade,
na certeza do amor
primeiro e único,
perdido na vaguidade
do ser,
reencontrado na esssência
dum amanhecer mais pleno,
no fresco alvoroço
da minha estrela d'alva,
manifesta prenda,
desta insólita alma...

sábado, 1 de novembro de 2008

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Era eu contigo, sem ti...

Ignóbil pertença,
que na ausência silencia
o sentir,
feito devir de ser...
Indigno penar
que num louco desejar
se manifestou,
sem decência,
sem lei...
Era... Eu contigo, sem ti...

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Quis Deus...

Quis Deus que hoje,
ainda fosse um amanhã,
deixando passar a horda
que me ia atropelar
(foi por um triz e estaria morta).
De seguida, senti que a vida
não se deve desperdiçar,
com rebuliços de amar;
Senti que mais vale aproveitar,
se o sol quer brilhar;
sentir o vento se ele quer ventar;
a chuva se tem de diluviar;
Os instantes em que comigo estás
e o tempo em que sonhas comigo estar...

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Encanto Desencantado

Desencanto. Desilusão. Degenerescência.
A descrença na humanidade, no homem complemento...
Há franqueza nos simples e puros afectos,
sem chãos, nem tectos, nem teias ou cadeias...
São meus pensamentos discernidos,
de memórias concebidos em aromas,
das ameias de castelos d'areia,
suspensos em desejos, sem lamentos...
Recuperar ideias bizarras,
ser o mesmo, sendo outros,
sem grandes ironias, de amarras arredias...
A distância da paixão inglória,
de tempos idos, famintos,
memória triste de insanes galanteios,
que se perdem em gorjeios
de desalentado querer...
É o desalinho dum amor perdido,
num cobarde saber sem sentido
em ignóbil padecer apaixonado,
tão profusamente magoado.
És já tão ténue, meu encanto,
já tão desencantado...

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Quem me dera...

Se ao passar uma esponja mágica,
pudesse fingir que tu eras outro,
e isso resultasse em profunda amnésia,
era como estar, ao teu pescoço presa,
dançando enleada em teus braços,
unidos, teu corpo no meu,
feito uma alma só,
cientes dum único viver,
cativos dum eterno olhar...
Vislumbro essa união de facto
com outro, não contigo...
E, sem amnésia, pressinto
a certeza de um sentir mais grato,
pleno de amor e realização.
Quem me dera poder esquecer-te,
na urgência deste desejo
que me enebria e entontece
e me mostra, de soslaio,
que um amor primeiro, permanece,
jamais se esquece...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Um corpo em transgressão

Não te queria interposto,
ali especado,
num riso escancarado,
olhando-me sedutor,
ciente da devastação
que provocas,
meu encanto avassalador...
Queria ser outra vez menina,
voltar à memória traquina
do meu primeiro amor
e sentir sem preconceito,
que este desejo no peito,
tem em tudo mais valor...
Mas não. Tu não desandas
e manténs sem qualquer razão
tua presença/distância
na fresta que foste abrindo,
neste meu pobre coração...
E os dois engalfinhados
em teias de ilusão,
desfazem minha sanidade
em lufadas de intenção
despedaçando a identidade
do meu corpo em contra mão.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Largo-te ao vento

As tentatavias, mais que muitas,
socumbiram,
tornaram-se poeira,
poderiam ser poalha,
mas apenas poeira insignificante,
grãos de pó infelizes,
pobres na solidão constante,
nos desacertos falantes,
desta paixão infeliz.
Deixo-te largando-te ao vento
até que, em tormento,
te lembres do sofrimento
e das promessas em vão
que fizeste em segunda mão.

Silêncio Apenas

Volatilizaste-te.
Deixaste o silêncio,
o desencanto assustador,
de não poder saber-te,
de não mais saborear-te.
Por um fio, perdi-te,
sem justificação,
olvidando consequências...
Mais uma repetição
de um episódio rotineiro
na vida em questão,
que me arrepia e aniquila.
Quanta ilusão e ingenuidade.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Autumn Leaves



diana krall

Love Theme (Blade Runner)



Vangelis

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Travessias tempestuosas...

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os caminhos, que levam aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos".(F.P.)

- Quero abandonar as roupas usadas: deixar-me ir sem cativar e ser cativada... Quero não perder nem lutar mais... Quero esquecer, voltar costas, ultrapassar... Mas, como?

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Quem me dera...

A vontade passou a desilusão,
fruta madura sem ter pão,
sem palavras de sossego ou ilusão,
com silêncios de arremedo e escuridão.
Tenho ganas de me esquecer,
de virar o mundo e no avesso, retroceder,
encantando clareiras e framboesas,
de sons distantes e zombeteiros,
sem o alarido da água no braseiro.

Quem me dera ser um pensamento teu,
introduzido nas rotinas do teu ser...

terça-feira, 2 de setembro de 2008

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

sábado, 30 de agosto de 2008

Carly Simon

Coming Around Again

Qué hiciste

Qué hiciste

Ayer los dos soñabamos con un mundo perfecto
Ayer a nuestros labios les sobraban las palabras
Porque en los ojos nos espiabamos el alma
Why la verdad no vacilaba en tu mirada
Ayer nos prometimos conquistar el mundo entero
Ayer tú me juraste que este amor sería eterno
Por que una vez equivocarse es suficiente
Para aprender lo que es amar sinceramente
¿Que hiciste? Hoy destruiste con tu orgullo la esperanza
Hoy empañaste con tu furia mi mirada
Borraste toda nuestra historia con tu rabia
Why confundiste tanto amor que te entregaba
Con un permiso para asi romperme el alma
¿Que hiciste? Nos obligaste a destruir las madrugadas
Why nuestras noches las borraron tus palabras
Mis ilusiones acabaron con tus farsas
Se te olvido que era el amor lo que importaba
Why con…

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Chamo-Te

" Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só de Teus olhares me purifique e acabe.

Há muitas coisas que não quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o Teu reino antes do tempo venha
E se derrame sobre a Terra
Em Primavera feroz precipitado.
"


Sophia de Mello Breyner Andresen

Hei-de querer lembrar-me de ti

"Carpe Diem" quer dizer "colha o dia",
aproveite o dia, o melhor que possa e saiba.
Mas no meu presente,
quando sinto a tua ausência,
e o dia se esfuma na bruma do ser,
invento-te em cada instante a decorrer
nos dias da minha vida.

Vejo-te quando na saudade,
invento a tua presença,
no silêncio do acontecer,
no sorriso do viver.
Não o presente ausente,
sim o ausente presente
em cada instante sentido,
vivido, lembrado, amado.

Ao lembrar,
soltei a saudade,
desatando o orvalho,
da falta de ti,
da tua ausência silenciada
no dia a dia da minha vida.

E, ao lembrar, sorri
a doce ilusão de me saber
querida,
de me sentir acrinhada.

É essa lembrança que me anima,
que me faz viver a vida,
me permite "colher o dia"
em cada potencial manhã
que se estende ao entardecer...

Hei-de querer lembrar-me de ti
assim terno e meigo,
sedutor e seduzido,
pleno.
Mas também insatisfeito e solitário.

Bem vindos!

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