terça-feira, 22 de julho de 2014

Led Zeppelin-Stairway to Heaven

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Desespero...

É um nó górdio que aperta a garganta.
O estômago e a barriga parecem geleia
em frasco apertado, esconjurado
a lançar limites nas bermas do sentir.
Angústia na certeza do infinito dedilhar
de cordas desafinadas, em tensão,
concretas de adensadas conspirações,
incongruentes e indispostas,
num azedume esofágico incandescente.
O mundo a estoirar nas mãos exangues...
Desespero pela descrença de um dia melhor.
Angústia dum anoitecer de pesadelos pressentidos.
E o nó a estreitar o cerco, a apertar, a fazer doer...

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Mágoa

Quando a mágoa
se instala,
como uma ausência,
uma ânsia,
de lágrimas a escoar
 a tristeza do ser,
os olhos alagam-se,
o corpo retrai-se,
a alma encolhe...

Sentir que o respeito,
o valor universal,
o querer incondicional,
se afundam,
se amarrotam e descartam
ao mínimo desaire,
ao minúsculo estorvo,
constrói a angústia no peito.

Desvario. O silêncio é presente
num desespero  incessante.

Tudo não passa
de conversa fiada,
de palavras ocas lançadas ao vento, ~
de rugosas superfícies
onde transparecem os nódulos,
os sulcos, as rugas, as fendas...


Como ultrapassar a mágoa?

Por favor...

Por favor, não me analise. Não fique procurando cada ponto fraco meu. Se ninguém resiste a uma análise profunda, quanto mais eu... Ciumento, exigente, inseguro, carente todo cheio de marcas que a vida deixou. Vejo em cada grito de exigência um pedido de carência, um pedido de amor.Amor é síntese é uma integração de dados. Não há que tirar nem pôr. Não me corte em fatias, ninguém consegue abraçar um pedaço. Me envolva todo em seus braços e eu serei o perfeito amor.

Mário Quintana

quinta-feira, 6 de junho de 2013

AMOR (?)

Eu estava tão perto de ti que sinto frio ao pé dos outros.
Paul ÉLUARD

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

DIA 100


Um dia especial é aquele onde tropeçámos um no outro.
Ou o lugar onde nos beijámos pela primeira vez. 
Ou aquele quarto de hotel.

Um sítio especial é o útero. E o colo. E o berço. E a escola.
E a casa. E a casa do nosso melhor amigo. E o nosso bairro.

E a nossa rua. E o nosso café.

É também muito especial o sítio onde nada acontece. Ou
aquele onde nunca estivemos. Ou simplesmente aquele
que não existe. Ou o que apenas existe na nossa imaginação. 

E também o sítio que não conseguimos sequer imaginar.
E na verdade é especialíssimo o sítio onde não queremos
estar. E o que nos é indiferente. E aquele que nos magoa.
E o que não suportamos. E o que não gostaríamos que existisse.

Sítio verdadeiramente especial é o texto. Onde cabem to-
dos os sítios que são especiais. E os que, por não serem,
o são. E os que estão, ainda, para o ser.


Mas, de todos, o mais especial dos sítios é aquele onde,
em cada momento, nos encontramos. E onde sentimos
fluir o tempo e a vida. Aquele sítio onde todos temos de
estar, sob pena de não ser possível estar em sítio algum
ou, não podendo sair do mesmo sítio, estar em todos os
sítios ao mesmo tempo.


JOAQUIM PESSOA, in ANO COMUM (Litexa, 2011)

domingo, 30 de dezembro de 2012

Amor Electro - A Máquina





Saber o que fazer,
Com isto a acontecer,
Num caso como o meu.

Ter o meu amor,
Para dar e pra vender,
Mas sei que vou ficar,
Por ter o que eu não tenho,
Eu sei que vou ficar.

É de pedir aos céus,
A mim, a ti e a Deus,
Que eu quero ser feliz.

É de pedir aos céus.
Porque este amor é meu,
E cedo, vou saber
Que triste é viver,
Que sina, ai, que amor,
Já nem vou mais chorar,
Gritar, ligar, voltar,
A máquina parou,
Deixou de tocar.

Sentir e não mentir,
Amar e querer ficar,
Que pena é ver-te assim,
Já sem saberes de ti.

Rasguei o teu perdão,
Quis ser o que já fui,
Eu não vou mais fugir,
A viagem começou.

Porque este amor é meu
E cedo vou saber,
Que triste é viver,
Que sina, ai, que amor.


Já nem vou mais chorar,
Gritar, ligar, voltar,
A máquina parou..
Deixou de tocar.

É de pedir aos céus,
A mim, a ti e a Deus,
Que eu quero é ser feliz,
É de pedir aos céus. 

Porque este amor é teu,
E eu já só vou amar,
Que bom não acabou,
A máquina acordou.

IMAGEM REFLECTIDA

"mostra-me o teu sorriso
ainda hoje
com dentes de leite
coloridos

mostra-me os teus olhos
ainda hoje
pela brisa do mar
salpicados

mostra-me a tua alma
ainda hoje
pela fresca geada
devorada

não me mostres quem não és
para poder por novos caminhos
espinhos de rosa
chocolate amargo caminhar"


Maria do Rosário Loures

in livro “Um sumário da minha vida no século passado”,

página 28, edições Edium Editores, S. Mamede de Infesta, 2010.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

ONTEM…


1.
Ontem pensei
no meu amor por ti
Recordei
as gotas de mel nos teus lábios
e lambi o açúcar
das paredes da minha memória.

2.
Por favor,
respeita o meu silêncio,
o silêncio é a minha melhor arma.
Escutaste as minhas palavras
quando fiquei silencioso?
Sentiste a beleza do que disse
quando não disse nada?

Nizar Kabanni

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

COISAS TUAS


Levo coisas tuas para poder estar contigo
na distância.
Para nunca te perder a companhia,
mesmo não estando.
Levo gravado o teu gesto,
o pranto, o riso, e,
(ora inocente, ora picante),
o teu sorriso,
que é a tua expressão,
o teu maior encanto.
E levo um objecto,
teu pertence,
como se o espaço tivesse autoridade
e o tempo nos afastasse.

Como se fosse preciso...


MARGARIDA FARO, in 44 POEMAS (Fonte da Palavra, 2011)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Anda comigo!...

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A tua voz

De coraçãozinho trémulo,
em descompasso inesperado,
ouvindo o som da voz
que sempre embarga...
Suspendi o pensamento,
a emoção brotou e
foi de mansinho que saiu: Oláa!
O tempo foi o tema.
Os afazeres, a continuidade...
O silêncio instalou-se no intento de falar.
De nada  e de tudo se foi falando...
A saudade evadiu-se.
Fez-se arritmia,
de descompasso acertado,
qual tango ambíguo,
desconjuntado...
Dizer o amor na solidão do ser
e do acontecer,
no amanhecer do seio dos silêncios...
Foi a conversa possível...






terça-feira, 27 de dezembro de 2011

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

A magnitude de uma memória...

Mais do que ser, era querer então,
de verdade e coração...
Hoje a memória é mais saudade e ilusão.
A certeza de agora apenas ser...
Mas, mais logo, a consciência
da vontade de querer...
Na memória, a paixão,
o sabor de ti, na mágoa da solidão.
Magnífica memória
que queria...
ser mais que ilusão...

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Amor

"Si grand soit le monde, si loin que je sois, à chaque seconde, moi, je pense à toi... Mais quand tout se voile...quand meurt le soleil, il y a notre étoile...là haut dans le ciel... Dis lui que tu m'aimes, en la regardant, je dirai je t'aime, à ce même instant..."

Era assim ... 

Llorar a lágrima viva - Oliverio Girondo

Amor prometido...

Sonhos brancos de horas profundas,
lentas e majestaticamente caladas,
nos interstícios das memórias
de um recovery imaturamente sonegado.
Enganos feitos de beijos sensuais e ardentes,
de vontades imorredouras
e desejos de noites de volúptia infindável.
Vasilhas de escombros,
destroços dos caminhos percorridos,
das canções de amor,
em cântaros de Pandora
encerradas feitas mimos de embalar,
ternuras inusitadamente desveladas.
Corações desfeitos nas balbúrdias das vielas,
nos becos outrora vividos,
como espaços de ingénua esperança.
Sorrisos desenhados
em olhares promissores de felicidade,
em posturas grávidas de alentos protetores
e adolescentemente adorados.
Quês e lês dum amor prometido,
com profecias de futuro e de realização conjugal.
Tudo amado e perdido...

sábado, 29 de outubro de 2011

Bem vindos!

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