Encurto espaços...
Neste patamar de existência,
a vida dura séculos
na monotonia dos dias,
no desdém do ser,
que num matagal distante,
muito além da vontade
vive o sabor da saudade
no ventre.
Encarcerada em ausências
que se impõem presenças
aparentes e desavenças,
expostas em chagas e mágoas...
São as costas voltadas,
quiçá ainda amadas
presas ao frenesim do querer
que se esgota no padecer,
que se afunda e confunde
na dureza dos lamentos,
na certeza dos tormentos.
Nua de palavras
e de ecos de ser
tecida de escuridão
e cansaços,
e silêncios d'enlouquecer.
Encurto os espaços
para que os laços
não se partam em cacos
e os sentimentos se desfaçam
em farrapos de acontecer.
Não quero que as crostas,
nem as gretas, nem os soluços
permaneçam no meu ser.

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