quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Encontro encantamento

Soube tão a pouco. Como o doce
que sempre estamos dispostos a repetir,
como a água que devoramos na canícula do estio
ou no sufoco do deserto.
Valeu a infinitude. A medida do mundo.
A certeza do querer, na vontade de ser.
O aconchego na "madrugada" de Inverno.
Renovar, redizer, redescobrir, reviver,
no olhar que enternece,
no sorriso que regala e abastece.
Reduzir a saudade a um esgar, a uma nesga.
Registar o amor, no silêncio, de mãos dadas.
Capaz de energizar cada novo acontecer,
foi nossa entrega: rendição...
Nos interstícios do encontro,
a rescisão da distância,
num placebo encantamento.
Activado o balsâmico odor dos eus,
cujas endorfinas ameaçam revoluções,
conjugámos as línguas, em várias dimensões,
fomos amados amantes até no adeus
(que não foi senão um perene até depois),
numa enfeitiçante presença ausência,
que faz perdurar miríades,
capazes de eternizar ecos, distantes,
sinfonias de sabores estonteantes.

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