sexta-feira, 9 de março de 2007

Caminhando no Arame


Deslizando por atalhos,
vais construindo os trabalhos,
que defendendes com fervor,
mostrando alguns anseios,
que denotam teus enleios,
e escondem os afectos sentidos.
Vais controlando os sorrisos,
que de brancos nada têm
e reconheces o manto,
que esconde, com espanto,
fogo involuntariamente ateado,
algures, num certo passado,
de querer ser em um outro ser...
Vais deslizando de novo,
esquecendo que o teu fôlego,
não tem a mesma energia,
e se perde e breve, definha,
no silêncio denso e árido,
do barco descomandado,
em alto mar, à deriva...
Ao leme, tomas a dianteira,
navegando à tua maneira,
rumas via ao infinito,
sem barreiras nem entraves,
mas são oceanos revoltos esses,
que fustigam o teu grito,
ao longo de inúmeros meses...
Porém, os acertos acontecem,
gerados por nova avaliação,
fruto das sequências vividas,
mesmo sem que se processem
como se tudo encaixasse,
e sem dificuldade abreviasse,
a sublime realização...
E neste viver vais vivendo,
caminhando em fino arame,
periclitante mas sem derrame,
reconstruindo as veredas,
que pensas te levarão,
a um novo apeadeiro,
descoberto na estação,
cujo nome verdadeiro,
se redefine aluvião,
isto é: sedutora paixão.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Desfalecimento


Hoje falha a força
para me dizer,
para me expor:
também estou desanimada,
sem fôlego, sem genica:
cansada...
Está difícil conjugar
os verbos no presente,
quando o futuro
é um deserto de incertezas,
um mar desconhecido,
incalculado, indefinido...
Sinto-me desfalecer...
Pressinto o esgotamento
no desgaste brutal,
do tumultuoso devir profissional
(des)alicerçado, (des)enquadrado...
O despontar da Primavera redime,
mas potencia o desgaste,
no desabrochar do recluso desejo...
Viver no fio da navalha,
é o mesmo que estar no trapézio sem rede!...
Este risco,
que eu arrisco sem limite,
ensombrece meu viver
e também a minha prece:
faz-me desfalecer, ser frágil,
o que me empobrece...

quarta-feira, 7 de março de 2007

Memórias...


Aroma de cetim.
Intenso, cheiroso,
igual a outros idos,
a um tempo fresco e quente...
Outro de outrora: doce e meigo,
presente no olhar profundo,
actuante no sorriso claro...
Tem cheiro a Fevereiro...

Como as memórias se atrapalham
e se refazem avidamente,
num frenesim de sensações,
que os cheiros desencadeiam,
lembrando tentações,
emergindo sentimentos,
irrompendo emoções...

Quanta frustração também,
esse cheiro a ti, desprende,
na presença partilhada,
sem rodeios, nem anseios,
no encontro desencontrado,
ininteligível, inusitado, indizível...

Quanto tempo viverei ainda a ilusão,
a esperança, o sonho, a paixão?!

segunda-feira, 5 de março de 2007

Trote do Coração


O arrepio na espinha,
o aperto na barriga,
o sentimento de suspensão,
tudo de novo, outra vez...
Reavivada a chama ardente,
no olhar tão transparente...
Que interpretei? Quimera?...
Eras mesmo tu, ali, sorrindo!...
Como outrora, a certeza da imensidão,
o sentir do coração tão forte,
a trote, atropelando a razão.
De novo o desafio,
a paixão em desalinho
que escolho viver, de facto,
apesar de tudo...
Incerto?
Que importa?!...
A lógica inexistente,
neste sentir potente,
devolve-me o ser,
oferece-me a liberdade,
porque me dá prazer...

Ser mulher...


Mais um dia sem surpresas:
cinzento, morno, sem pica...
Há tanto afazer para crescer
e não consigo evoluir...
Ora limpa, ora esfrega,
o resto fica em espera,
para com o lar contribuir,
descortinando mais valias,
nas verdadeiras agonias,
nesta asfixia de ser mulher...
Verdadeiro mesmo, apenas o sentimento
que revivo e reavivo,
no silêncio do meu peito,
esperando com anseio,
novos desfechos, outros enleios
possíveis ainda, talvez...
Quem sabe?!...
Porém, enquanto não,
limpo, lavo, varro e apoio,
aspirando a que o sonho se realize,
brevemente, completamente!...

domingo, 4 de março de 2007

A esperança ainda...


Reter na memória o instante vivido,
na certeza das recordações (re)actualizadas,
(re)animadas em sequências significativas,
na prevalência do sentir contra a razão,
parece ser, não o adequado, mas o mais acertado...
Na espera de mansos e dourados dias,
num futuro feito encontro,
em que a distância não será,
na paixão (re)avivada, profunda,
na verdade da existência plena, redonda,
na procura do segredo do meu ser
que quer saber viver para crescer,
contigo, de ti, comigo...
A esperança ainda...Imensa,
apesar da saudade de um cheiro
e de um beijo que não esqueci...

quinta-feira, 1 de março de 2007

Uma ponte para a outra margem...


A tristeza do sentir,
em mágoa de existir,
sofrida, sentida, chorada...
Quanta frustração,
naquele pranto liberto,
pela perda de um ser,
sem que a razão prevaleça,
justificando o perecer...
Não resisti ao sofrimento,
quando na pele dos entes queridos,
vislumbrei o nojo,
e chorei o sentimento de vazio,
a agonia do luto,
o desespero da aceitação...
Se é difícil perceber
o sofrimento do outro,
quando não vivenciado,
Deus meu que angústia será
aceitar perder alguém,
que é nossa razão de ser...
Não concebo o vazio sentido,
por tamanha perda...
Apenas imagino com horror,
o grito de silêncio,
preso na garganta,
o sofoco da angústia,
o desespero da impotência...
Aceitação?!...
Apenas se vista como etapa:
Uma ponte para a outra margem...

(Re)novada energia: Liberdade...


Ainda que sem outro vislumbre,
(re)defino planos, metodologias,
(re)edifico estratégias,
esqueço fobias
e acredito (em mim, em ti, no mundo),
que é possível outra etapa,
nova (re)invenção
que trará verdade e beleza,
uma outra aproximação,
mesmo vivendo num mundo cão,
porque ouso aceitá-lo,
enquadro-o, (re)enquadrando-me...
Será crescimento (re)novado,
da consequente (re)volução,
provocada pelo estranho inesperado?!...
Mas, a benção emergirá,
no reflexo do autêntico,
em convívio propedêutico
de novas formas de Amar...
Eis (re)conhecida a esperança,
em cada lágrima derramada,
de um ser novo a surgir,
já não em desatinado pranto.
Bálsamo encontrado na acção
da corrente gerada por tua mão,
forjando outras escolhas,
criando novos destinos,
em espaços tridimensionais,
de valores ancestrais.
Seremos de certeza,
ainda mais livres,
porque juntos voaremos
"entre o azul do mar e o azul do céu"...

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Cuidado!...

Sempre que temos pensamentos maus relativamente a alguém, acabamos por atrapalhar sua vida. Mas, as consequências desses pensamentos (as borras, os resíduos, a fuligem, o pó ...) ficam sempre em nós mesmos!
Convém por isso ter:
Cuidado com os pensamentos; eles se transformam em palavras;
Cuidado com as palavras; elas se transformam em acções;
Cuidado com as ações; elas se transformam em hábitos;
Cuidado com os hábitos; eles moldam o caráter;
Cuidado com seu caráter; ele controla a vida.


Retirado de: http://mar_azul.weblogger.terra.com.br/200503_mar_azul_arquivo.htm# -

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

Desalento...


Desatino é o que sinto,
perante este destino, meu,
que desencadeia risota e cochichos,
ora escondidos, ora escancarados,
insidiosos, venenosos...
Falta a coragem da assunção,
a certeza da razão ou desrazão,
a segurança da opção sensata...

Dói a solidão da luta inglória;
o desassossego perante o ideal,
desconexado do real;

Dói o consequente devaneio
de quem crê num amanhã melhor...

Dói o (des)conforto da frustração,
o (des)alento do desejo,
o engodo da sedução...

Dói a ansiedade e o conflito,
o agridoce paradoxo inscrito,
na página deste meu (per)curso
em busca do crescimento,
em sucessivas etapas de comprometimento.

(Re)começar?


Tudo se conjuga para o fim...
O que é bom tem pouca dura...
Altera-se tudo (não para melhor!),
tudo muda:
Todo o mundo é composto de mudança,
já dizia o poeta...
Vai-se o meu porto de abrigo,
o local mais inclusivo,
sem ele a equipa perdura?!
Quem sabe?!Tenho dúvidas...
Fechar o ciclo, é mesmo isto?!
Estar votada ao fracasso, à desilusão...
Numa luta titânica pelo ideal,
realizado, conseguido, concertado:
viável, concreto, vivido, rico,
mas, finito!? Porquê?!...
Como fazer perante o inesperado,
o inacreditável, o espinhoso inadmissível?

Será que a vontade me acompanha,
na luta incessantemente
(re)iniciada,
neste trabalho árduo, pesado,
de lutar contra a corrente,
sem bóia ou colete de salvação,
onde a rede de suporte já rompeu,
e o estrado acolchoado "apodreceu"?!...
De olhos postos no chão,
braços e rosto caídos,
olho-me, esquecida, no reflexo
dos tempos idos
em que a esperança pintava
de tonalidades quentes,
acolhedoras,
a brumosa e fresca manhã,
e cujo sorriso ecoava,
ainda que distante,
em catadupas de encanto,
capaz de tudo aguentar
e fazer esquecer...

Valerá a pena começar de novo?
Não sei do que sou capaz!...
Receio afundar-me de vez,
na mágoa de um (re)começo (im)possível ...

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Ilusão


Olhos nos olhos,
parecia que o teu doce olhar,
estava dizendo que sim,
que me querias beijar,
apesar da distância...
Parecia que seria possível
encontrar o mesmo desejo,
a mesma sede de um beijo,
como outrora...
Parecia: pereceu!...

A confusão do olhar,
não traduziu o querer,
o beijo tardou e não saiu...
Rompeste a barreira do silêncio,
mas as paredes da alma,
ficaram resistentes ao chamamento...
A surpresa foi sol de pouca dura.

Defraudada a esperança vã,
o sentimento de infortúnio,
de novo o desassossego,
perante o inesperado
feito momento irrepetível,
que destoa do conjunto,
que ameaça soçobrar,
em agonia plangente.

Quero desistir. Tenho de fugir!...

sábado, 24 de fevereiro de 2007

Sonho Adiado


Em suspenso, como que presa,
como se pudesse enlear-me mais,
sinto a indecisão da escolha...
Fechar o ciclo,
aberto, faz tempo,
concluí-lo, encerrá-lo,
virar costas, ir em frente,
obstruir o sonho,
aprisioná-lo nas entranhas do tempo,
barrá-lo confundindo-o,
para poder soterrá-lo e esquecer...

Mas, na ilusão da espera,
no desassossego do sentir
prenhe de esperança,
na ambiguidade do possível,
irrompe o desejo abrasivo,
em volúpia orgástica esvaída,esvaziada
no deleite solitário,
nostálgico, cristalizado...
Perplexa, vacilante, hesitante,
quedo na expectativa de realização,
deste Sonho meu adiado...

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Ainda a Distância


Nu. Espaço fechado, abafado.
Preocupado: Outro.
Ausente, na presença do ser,
Presente na ausência do parecer...
Seguro? Cansado, marcado!...
Na solidão acompanhado,
eras um outro e o mesmo...
Foste assim ao entardecer,
num rompante, a desaparecer,
para o aconchego buscar,
noutro lugar.
Sim! Por que não?
Eras, numa expressão,
o ser, o desejo, a vida.
E, repentinamente a distância,
de novo, densa, prenhe, intensa:
tão depressa se esvai,
no reflexo do olhar,
a certeza do querer...

Em cada instante que flui,
na comunhão do crescer,
fica selado o prazer,
relegado para o sonho,
este meu tão bem querer...

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

Surpresa/Apreensão

"(...) fazemos o que sabemos
mas não sabemos de todo o que fazemos.
Se tivéssemos sabido mais ou melhor
é de supor que
teríamos actuado de outro modo." (Savater)



Agi sem saber o que fazer,
descrente, perante o inesperado,
sentindo que podia ser ilusão,
a pulsão que então se manifestou...

Ainda nem caí em mim,
inebriada mas também assustada,
com receio de novas ilusões,
num risco de maiores decepções...
Nem consigo raciocinar!...

Parece que o meu sonho quer ser!...

Deixarei transparecer na essência,
o louco querer desenfreado,
que me anima, me extasia,
e me restitui a dignidade?!
Ou, deixarei a surpresa cair,
evitando o perigo do sofrimento,
perante a incerteza do sentir?!

Eis a escolha que se impõe
e me obriga à interna/intrínseca decisão,
de sim ou não...

Perdoa, meu amor, esta minha apreensão...

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Rumo ao Futuro/Presente feito Ausente


De novo sem rumo...
Uma vez mais, o problema da escolha,
dos meios e dos fins em simultâneo
e novamente a incerteza,
perante a expressão do ser,
que teima em não se abrir,
que escolhe não se comprometer...
Aceitar o instante, o fugaz,
porque isso é vida, determina a escolha...
Se a vivência do instante
e da fugacidade do ser,
se me apresenta como um sopro,
como um raio de luz,
me dá alento e me confisca o existir,
serei capaz de me surpreender,
ao aceitar, sem questionar?...

Queria ser como tu



Queria ser assim,
segura como tu,
linda também...
Logo fresca pela manhã,
ironizar e sorrir,
qual sol primaveril
ao despontar matinal.

Seria mais alegre,
mais feliz também,
e, quem sabe,
talvez o teu sonho...
A distância não seria,
o carinho perduraria,
e a paixão permanecia.

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

Desistir/Resistir...


Queria acreditar que a vida um dia sorriria de forma mais intensa, de uma maneira mais cálida e aconchegante. Senti que poderia ter um ombro amigo que me estendesse a mão quando precisasse. Sonhei que um dia poderia encontrar o meu complemento e com ele poder descobrir novas maneiras de ser...


Em cada instante, vou descobrindo que estou mais só e a cada momento reconheço as minhas limitações, as fragilidades, a tristeza de me descobrir velha (menos nova, menos interessante, mais decrépita) e menos descernida...
Procuro ainda, neste meu percurso, encontrar raizes para poder deixar algumas lianas a que meus filhos se possam agarrar quando estiverem sós e as lágrimas rolarem pelas suas faces ao sentirem que a solidão é dolorosa. E, sinto cada vez mais dificuldade em me aguentar nessa construção, reconheço mais insistentemente a necessidade de deixar cair os braços e largar em retirada, de fugir para onde ninguém pudesse ver-me...

Ainda sinto o sal da tempestade que desencadeaste e a saudade do teu afago, seguido de um sorriso e um doce abraço...
Acreditei! Confiei em ti!... Desiludiste-me tanto, tanto!... E bastava apenas uma palavra, um sorriso, um olhar e tudo seria de novo belo, lilás, esperança...

Tenho dentro de mim uma tristeza imensa porque os dias passaram a ser mais iguais do que outrora. E, apesar de tantas coisas boas que vão acontecendo em cada esquina, este desfalecer, esta louca ilusão que definha e se esvai na eterna espera debalde, alteram as sinfonias, esbatem os raios de luz que me deviam guiar... Apesar dos arco-iris, sinto tanto cansaço acumulado...Tenho de deitar tudo para fora em torrentes tempestuosas para recomeçar de novo. Mas, como chorar sem que se dê conta, sem que se perceba?

E o soluço no peito é um doloroso tormento...

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

Tormento Renovado


Quem pudesse voltar atrás no tempo:
a cada detalhe prestaria renovada atenção,
observaria concentrada todos os pormenores,
não deixando fugir nenhum condimento,
nenhum adereço, adorno ou enfeite
que pudesse parecer supérfluo à primeira vista,
encontrando uma forma consentânea de agir,
que me permitisse não te perder.
Saber que terei provocado o afastamento,
é o meu maior tormento.
Hoje poderia ser feliz,
poderia rir com alegria e satisfação...
Estou derramando uma lágrima
que teima em saltar-me dos olhos
e que eu escondo do público que me rodeia...
Mais um ano e o mesmo sentimento...
Tenho fome, sede e desejo!... Tanto!...
Hoje, queria poder dizer-te: Amo-te!...

Bem vindos!

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