sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Ainda assim te amarei…

O abismo do tempo,
A vertigem do nada,
A ausência do quando,
A certeza do onde,
Na negligência do agora.
Ainda assim te amarei…
Tenho para mim
Que outra vida vivi,
Numa outra etapa
Do meu insondável ser.
E reagi mais ao como
Do que ao agora,
Ou ao porquê dum beijo
Que o desejo venceu…
Quem me dera o sorriso
Do teu abraço forte,
Poema paraíso
Da canção,
Da dádiva de então...
Nas incertezas da vida,
Nostalgia de infinito…
Quem me dera a saudade
De ti. O teu gesto guardei
Como o perdi? Não sei!
Tão incompreensível
O teu silêncio,
A perda do teu amor
Que sempre sonhei,
Acalentando a esperança
De poder ser eterno...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Em Todas as Ruas te Encontro

"Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco"

Mário Cesariny, in "Pena Capital"

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Pássaro Azul

A noite que passou,
Trouxe-me um sonho.
Dormi mais para sonhar!
Sonhei que era um pesadelo…
De manhã ia acabar!
Conheci o teu sorriso,
Porque me está no coração…
Corri logo a teu encontro…
E ao estender-te a minha mão.
Sete lágrimas escorreram
Quando eu te abracei
E ao tocar no teu cabelo
Eu imaginei,
Que amanhã
Ao acordar,
Tu irás voltar
Meu pássaro azul
Tu irás voltar
E corremos mundo fora.
Toda a noite a brincar
Era eu quem se escondia
E tu eras a encontrar
Sete lágrimas escorreram
Quando eu te abracei
E ao tocar no teu cabelo
Eu imaginei,
Que amanhã
Ao acordar,
Tu irás voltar
Meu pássaro azul
Tu irás voltar
Meu pássaro
Meu pássaro azul
Tu irás voltar

Andre Sardet

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Páscoa*

A cor da minha sina é a cor da minha voz tolhida...
A cor da minha alma é a do meu tormento,
de desejo infinito e incandescente,
da minha ânsia de viver a entrega e a partilha...
A cor da minha vida é a cor do tempo,
do desencontro vivido, no encontro acontecido...
A cor da minha solidão é o querer-te,
de suspiros e esperanças plenos,
nos silêncios e ausências sempre certos e serenos...
A cor da minha lágrima é a cor da certeza
de um bem-querer (im)possível, ainda que (e)terno.
A cor do meu saber violeta é o lilás
que tem, na sua duração ínfima,
o odor intensíssimo, necessário, para dizer AMOR...

*(do hebraico Pessach, significando passagem através do grego Πάσχα)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

The Deer Hunter Soundtrack

Para lembrar...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Espelho

"Sou prateado e exato. Não tenho preconceitos.
Tudo o que vejo engulo imediatamente
Do jeito que for, desembaçado de amor ou aversão.
Não sou cruel, apenas verdadeiro -
O olho de um pequeno deus, de quatro cantos.
Na maior parte do tempo medito sobre a parede em frente.
Ela é rosa, pontilhada. Já olhei para ela tanto tempo,
Eu acho que ela é parte do meu coração. Mas ela oscila.
Rostos e escuridão nos separam toda hora.
Agora sou um lago. Uma mulher se dobra sobre mim,
Buscando na minha superfície o que ela realmente é.
Então ela se vira para aquelas mentirosas, as velas ou a lua.
Vejo suas costas, e as reflito fielmente.
Ela me recompensa com lágrimas e um agitar das mãos.
Sou importante para ela. Ela vem e vai.
A cada manhã é o seu rosto que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha
Se ergue em direção a ela dia após dia, como um peixe terrível."


traduzido por André Cardoso(in 34 LETRAS, issue 5/6, Ed. 34 Literatura and Nova Fronteira, Brazil, 1989) in Educar em Português
Sylvia Plath (1932-1963) é sobretudo reconhecida pela sua obra poética, mas escreveu também um romance semi-autobiográfico, A Redoma de Vidro (The Bell Jar), sob o pseudónimo Victoria Lucas.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Les feuilles mortes



Autumn Leaves (piano)
Xianning

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

QUIERO TOCARTE

"Quiero tocarte;
Borrar distancia,
Y sentir
De frente tu respirar.
Mirada que traspasa
Mi alma
Para fundirse en el tiempo.

Quiero palpar;
Tu piel y tu corazón.
Beber de tu vida,
Nutrirme de ti.
Perderme y hallarme
En superficie y profundidad."

Mercurio
Maestra, traductora y psicoterapeuta norteamericana residente en México.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Soldadinho...

Soldadinho de vintém,
sem ninguém.
Guarda a alma
e a arma também...
Que importa a vida
se a morte é espera
e a sorte uma quimera?
Soldadinho de vintém,
sem ninguém,
és alguém?
Tão só sonhos,
arco-íris sensação,
nas chuvadas de então
sem ninguém na contramão.
Sózinho sem solução,
destemido, pois então,
mas carente e omisso.
Contenção e suplício,
porque sem vintém,
soldadinho,
não serias, jamais, alguém...

Desespero...

Feita de esperas
entardece a tarde
de merendas e quimeras
sem vontade,
sem desejo de controlar.
São as demoras nas horas
que os quartos não contêm
e as meias contrariam
nas intensas maresias
que os crepúsculos
sorrateiramente descaiem
em paráfrases e metáforas
de cambraia...

São milessegundos de ser
que se entretecem
nas agonias do padecer
que os ensombrecem.

Horas e demoras
de esperas em desespero
de te ver.

Dizer-te amor...

Dizer-te amor, numa palavra,
num tempo que se perde,
no vazio dos dias
que se seguem, tristes,
nos distantes acenos,
de lenços que se não vêem
e apenas se pressentem...
Dizer-te amor, num sussurro,
dos gritos de silêncio
que se me afogam,
na desdita de os sentir morrer
no fundo da minha garganta muda...
Dizer-te amor, num eco
que se esfuma,
nas saliências recônditas
de incríveis âncoras,
prisões de ínfimos rumores,
de desejos incansavelmente repetidos
e ininterrupatmente adiados...
Dizer-te amor, num sinal de saudade,
dum roteiro de ilusão
levianamente projectado
em promessas impossíveis,
de sonhos irrealizáveis,
inolvidáveis utopias...
Dizer-te amor, num sorriso
de despedida,
de fácil e serena aceitação
do nada que é, que foi tudo,
em singela abnegação...
Dizer-te meu amor,
no íntimo da solidão
que habita e preenche,
este meu pobre coração
que de memórias vãs,
se enfeita e se enfrenta
e se transmuta e reinventa...

domingo, 10 de outubro de 2010

AMAR

"Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...


E dos meus olhos fechados
desceram lágrimas que não enxuguei,
E da minha boca fechada
nasceram sussurros


E palavras mudas que te dediquei..."


Mario Quintana

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Amor

"Si grand soit le monde, si loin que je sois, à chaque seconde, moi, je pense à toi... Mais quand tout se voile...quand meurt le soleil, il y a notre étoile...là haut dans le ciel... Dis lui que tu m'aimes, en la regardant, je dirai je t'aime, à ce même instant..."

Era assim faz algum tempo... E hoje, como será? Valerá ainda?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Em vão...

Escondida num imenso areal desértico,
de ausências densas de solidão,
albergando sentidos solipsistas
de irrespiráveis memórias,
reequaciono os segundos de ser,
que o viver, presente, concede ao pensamento,
no instante perplexo do amanhecer,
fruto de insónia irreverente.
Desnudados os afectos (im)possíveis
tornados carapaças de saudade
albergados em ínfima fímbria
de desejo incontornável de saber
a vida sob a égide da emoção
feita palavra e sedução,
se é ainda anseio cúmplice,
de amantes insanes de paixão
ainda e sempre em efervescente exaltação
de lembranças criativas solarengas
pródigas de cândida satisfação...
Ai como a vida passa, ao de leve,
nos minutos de glória, tempo
que a memória persegue, em vão...

domingo, 27 de junho de 2010

Viver...

A vida. A sorte. O norte.
Um elo que se move,
um fio que se transcende,
que ruboriza o sentir.
É uma cadeia que se perde
e subsume no passar morno das horas,
nos silêncios dos segundos
que envolvem, nos envolvem...
É um frémito, um grito aflito
que agoniza mesmo antes de surgir,
um silvo que destabiliza
o infinito do ser:
Padecer, perecer...

domingo, 6 de junho de 2010

Silêncios de silêncio II

Soletro teu nome no silêncio de mim
enquanto deambulam cerejas,
num carrossel de sabores diáfanos,
memórias de branco acetinado
dos macios e quentes leitos,
guardiães de sonhos e desejos
com que inocentemente te amava .
Aí despertaram voluptuosas fantasias
inusitadamente travadas,
(por medo, dizes tu...)
São sombras de um LUAR de prata
encastrado num futuro incerto,
inesperado, escondido e desvelado,
em sussurros de vidas intrincadas
que hoje nos damos,
fazendo-nos promessas de amor...

terça-feira, 6 de abril de 2010

Utopia

Suspensa em etérea espera,
de inesperada lambra
em aconchego improvável,
desacerto acertado,
sem culpa ou mácula,
ou controvérsia consciência
de ser e acontecer
sou, sem lei, utopia.
Com inolvidável esperança
no inteiro desapego do dizer,
com o desejo incontornável
do querer que transborda e se anula,
no vazio da verdade que se inventa,
segue imberbe o tempo,
deslavado trapaceiro,
escondendo os segundos
e os silêncios,
na ilusão do possível,
num inviável esteio, requerido,
em inegável enleio,entretecido.

Bem vindos!

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