A farsa contida

Ainda vislumbro a encenação do dia,
a melopeia do ir fazendo pela vida, frenesim adulterado,
sem grande empenho,com pouco comprometimento e,
ainda menos envolvimento...
Sinto o caminhar na azáfama do profissionalismo,
para regozijo individual, reflexo de outros interesses
quais quimeras em acção plasmada...
E a revolta cresce-me nos dedos,
sai-me das entranhas quais sombras enegrecendo o céu e também o dia,
e tolda-se a vista em face deste teatro que abomino
criando na boca o sabor amargo da desilusão...
Descernimento e padecimento que queria extinguir
porque quando o céu escurece, a alma enferma
e dói vaguear pela rua solitária, pela calçada vazia,
navegar sem companhia, voar sem parceria...
E, no entanto, quisera que houvesse apenas empatia...
