terça-feira, 17 de abril de 2007

Dás-me a mão para caminhar?

Não quero saber de causas,
de porquês ou indagações.
Apenas quero viver o presente de doação e entrega ao outro,
de suspense,
sempre que "face to face"

Não importa nada mais,
apenas a presença que se oferece,
a confiança que se manifesta,
a "verdade" que se revela,
sempre semi-presente,
quase ausente, distante...

Absolutamente alheado:
absorto, longínquo,
abstracto...

Gerindo o paradoxo,
o verídico perdido,
o deserto encontrado,
o falso escamoteado,
o tonto reflectido,
no definhar do sonho,
não realizado...

No ensejo do velho,
do torpe desejo,
querendo ser etéreo:
de outro plano e modo,
de outra dimensão,
outra galáxia,
outra extensão,
explosão de acordes musicais
deste meu prazer liquefeito,
alinhado,
pleno mas contrafeito:
desejo amordaçado,
relutância desenfreada,
afirmada no degredo do exílio...

Dás-me a mão para caminhar?

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