Tropel de mágoa
A cada instante me fortaleço,
ouvindo-me frente ao espelho
dizer-me que serei capaz de voar 
sem que um qualquer pássaro me guie,
ou me acompanhe em meus voos,
a caminho do infinito,
galgando velozmente o tempo,
em busca do absoluto...
Sei que terei de caminhar,
apenas com a minha sombra,
desligada do resto do mundo
de todos, de ti também,
ainda mais do que dos outros,
se afinal nada sou e,
do que fui, apenas sobrou
sabor amargo, vazio...
Serás meu imaginário suplício,
que estarás sempre aí para outros,
mas para mim, serás apenas desejo,
vontade de afirmação, realização,
a expectativa que se esfumou
mesmo antes de ser pereceu,
num tropel de mágoa sem sentido...
Engulo o soluço profundo no peito,
reafirmando o desassossego sentido,
perante o percurso deslize assumido,
batalha de minha paixão,
remédio de meu enleio,
eterno encanto meu, sedução,
cansaço de busca, espera inglória,
sofrida, sentida desilusão...

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