sexta-feira, 15 de junho de 2007

Us and them

Não sei para onde vou...

Não sei para onde vou (se é que vou) e nem por onde...
Também não sei se vou por aí ou por outro caminho qualquer...
Sei apenas que não sei...
Mas, tenho uma certeza inquestionável: perecerei um dia.
Lamento não conseguir organizar-me a partir dela...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Espasmos opressores

Entranhou-se-me a tristeza... Por inúmeras vezes tentei respirar e vir ao de cima, mas afoguei a mágoa na urgência de um dormir continuado, sem quaisquer outros sinais ou afazeres...
Dói-me a alma. O espírito está oprimido como quando os meus filhos passaram pela sala de operações, ou como quando, antes, muito no início, tinha que ir a uma reunião geral de equipa, com o chefe...
Acabrunhada, indefesa, qual criança sem colo, sinto o aperto que me envolve... Desanimo. E, este desânimo profundo, com garras de vampiro, segura-se-me à pele, qual cola densa, viscosa...
São levas de ondas cuja intensidade provoca espasmos opressores que me enlaçam e entalam a vontade, não me deixando ser...

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Estulta solidão que me destróis...

Abraço a escolha inconsequente,
pela inglória esperança de ser
outro sentido, no cansaço do sentir
destituído de referenciais,
e de outras coordenadas,
supostamente alteradas,
completamente ultrapassadas,
pela cumplicidade prometida,
em sorrisos de ambiguidade,
ora demasiado atrevidos,
ora altamente recatados,
num puro esconde-esconde excitante,
premente de insinuação e desejo
camuflado, indefinido: "(in)assumido"?.

Estulta solidão que me destróis,
em passos aziagos e dementes,
fruto de inexistentes confissões
e de impensadas conjugações,
plenas de indesejáveis tormentos...

terça-feira, 12 de junho de 2007

Degredo quase obsceno...

Procurei-te no teu canto
e, nada vi por ali,
nem teu cheiro senti...

É quase obsceno
o degredo que me aniquila,
tensão que me subjuga
ao intervalo da afeição...

Novamente triste,
pela dor que me afronta,
no deslize do meu sonho,
no ansiado encontro...

Foges acompanhado,
dando a "volta por cima",
no lúdico desabrochar
da torrente em que afundas,
este imenso calcorrear...

Invento-te em cada canto,
sempre que te penso
e não te vejo,
em vão, querendo um beijo,
bálsamo do meu desejo...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Inteiro em meu roteiro primavera

Quisera ultrapassar barreiras,
caminhando nas clareiras
que surgem estrada fora,
sob a sombra tranquila,
das verdejantes veredas,
em que me encontro,
e quero intensamente viver...

Quisera simplesmente escutar
a voz que teima em brotar,
rompendo o estranho véu,
que me esconde e confunde,
por exigências grosseiras,
distintas das prazenteiras,
atrofiando este meu eu...

Quisera ser ao de leve,
mansa e plenamente,
na concreta melancolia,
que a vida me confia,
e às vezes me impele e me concede
ser essa e outra ainda,
mais completa, menos desavinda...

Serás também vereda de jardim
que terei só para mim,
em algum dia, talvez,
assim o creio e espero,
já que te descobri inteiro,
nesta primavera impensada,
em meu roteiro, amante, companheiro...

domingo, 10 de junho de 2007

Enya - Wild Child


Tradução
"Feche seus olhos,/Pare e escute,/Sinta-se vivo/E você não estará deixando escapar nada./Você não precisa de um motivo,/Deixe o dia prosseguir sem parar...
Deixe a chuva cair/Por todo lado ao seu redor./Renda-se a isso agora,/Deixe o dia te rodear./Você não precisa de um motivo,/Deixe a chuva prosseguir sem parar...
Que dia, que dia para se apreciar!/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa...
Apenas arranje tempo/[longe] do tumulto,/Cada dia você descobre [que]/Tudo está em equilíbrio./Você não precisa de um motivo,/Deixe o dia prosseguir sem parar...
A cada sol de verão,/A cada anoitecer de inverno,/A cada primavera por vir,/A cada outono que vai embora./Você não precisa de um motivo,/Deixe isso tudo prosseguir sem parar...
Que dia, que dia para se apreciar!/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa...
Que dia, que dia para se apreciar!/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Da-da-da Da-da-da-da-da-da/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Da-da-da Da-da-da-da-da-da Da-da-da Da-da-da-da-da-da/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa.../Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa..."

sábado, 9 de junho de 2007

Será isto o envelhecer?

Queria que este meu desalento,
fosse nuvem passageira,
que se fosse com o vento,
este desacerto e desajuste
bolorento,
capaz de desassossego,
disforme de imberbe,
pelo cansaço profundo,
do embaraço senil
que determina o desânimo
e nem a ovação inocente,
nem o trabalho clemente,
constroem/consolidam libertação...
Devia sorrir, (sei disso),
perante o esforço expresso,
assertivo,
que se evidencia
na realização das mostras,
dos desempenhos percursos
e dos ganhos, mais valias,
boas práticas, recursos,
balanços de excepção,
nos "produtos" de gratificação...
São o meu reflexo, eu sei.
Mas, perante o desalento,
o cansaço acumulado,
este torpor nefasto,
oprimente, sem igual,
angustiante,
que poderei fazer
senão "este" escrever?...
Será isto o envelhecer?
E, se o feed-back surgisse!...
Quem sabe acreditaria ainda,
lembrando a caixa de Pandora...

Love it self

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Saudade II

Agoniada,
enojada,
enjoada,
entediada,
sem vontade de me erguer,
sem força para caminhar,
com desejo de desfalecer,
desligar, soçobrar...

Os braços pendem,
desolados,
cansados,
destituídos de energia,
brandos,
frouxos,
extenuados...

O cérebro atrofiado,
encasquetado,
engodado,
obnibulado,
sem suficiente potência
para as sinapses significativas,
criativas e iluminadas,
capazes de sobressair,
irrompendo em sínteses renovadas...

A nostalgia segreda a saudade
da dinâmica da mudança
em que acreditei,
mostra a incapacidade,
a incompetência,
para alterações
que vislumbro e desejo,
mas sem autoridade,
sem razão, sem apoio,
para a sua operacionalização...

Que misto de angústia e opressão!

...

Crazy (?)

(Re) Iniciar (?)



Dire Straits - So far away

quinta-feira, 7 de junho de 2007

terça-feira, 5 de junho de 2007

Excitação...

Bailam no pensamento
as imagens,
fecho os olhos e revivo,
os instantes intensos,
que guardo com ternura,
de encanto retomado,
explosão convidativa,
espasmo e louca deriva,
num etéreo chamamento,
pleno de acontecimento,
de cuja excitação,
de ávida manifestação,
sentida, plena, intensa,
conduz à libertação...

É bom o formigueiro sentido,
o buraco, em suspense, tido,
o galopar do coração,
num frenesim de sesejo,
selado com um beijo,
e a esperança do absoluto...

Ser feliz com a dádiva,
de ao outro se abrir,
força de ânimo suave,
capaz de encher a fonte,
saciando com vontade,
a sede que me persuade
e me destabiliza tanto,
pela construção da distância
que alimenta a nossa ânsia...

Quanto te quero encanto meu
e me preencho com o teu véu!...

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Can't stop loving you

De que vale saber a estrada?...

De que vale caminhar afinal,
se o caminho que traço
a custo,
por entre desvios,
reflecte somente o cansaço,
de avanços e recuos,
arredios,
em clareiras de acção,
vontade de libertação,
de inevitável ansiedade
que não vale a verdade?...

Como é que o sentimento vão,
traduzido em paixão,
se comprime em margens,
de resistentes reservas,
eternas fontes lembrança,
de outras suaves danças,
em afoitos lilazes,
e desertos de aragens?...

Queria valer mais,
ir e não voltar...

domingo, 3 de junho de 2007

Perder ou ganhar?

Perder/Ganhar:
a vontade, a saudade, a ventura, a doçura, a certeza, a beleza, a ionia, a maresia, a alegria, a brisa, a flor, a cor, a serenidade, a vivacidade,
a verdura, a amargura, a leitura, a loucura, a frescura, a postura, a ilusão,
a canção, a paixão, a visão, a noção, a razão, a raiva, a força, a competência, a consciência, a sensibilidade, a verdade, a metáfora, a magia,
o porte, o norte, o fio, o rio, o riso, o brio, o desejo, o beijo, o olhar, o vagar, o humor, o sabor, o saber, o viver, o pavor, o rancor, o amor, o torpor, o fulgor, o roteiro, o terreiro, o amigo, o vazio, o afago, o orvalho, o ser, o valer, o abraço, o espaço, o cansaço, o cansaço, o cansaço...

sábado, 2 de junho de 2007

Fugir

Fugir,
correr para desaparecer,
acabar de vez...

Quanto desespero
nesta incapacidade
de ser feliz!...

Quanta amargura
na falta de ternura,
pela criança que me habita...

Autómato intermitente,
na acção quotidiana,
mecânica, incausal, inconsequente...

Por que é que tem de ser assim?

Porque La Vida Es Asi?

Bem vindos!

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