Como te esquecer?

São raízes as pontas que me prendem,
envoltas em anéis de silêncios,
transpostas em recados difusos,
em distantes e subreptícios ecos,
quiçá memórias inquietas, expostas,
dispostas em suspenso véu...
Sucedânios sublimes assim, quem dera,
explícitos em profundos contrastes,
fossem teus sentimentos translúcidos,
traduzidos em indizíveis palavras,
submetidas aos espasmos glamorosos,
dos opacos diálogos profissionais,
de colectivos ajustes transversais,
em inexistentes e perpassados enleios...
Queria tanto esconder a esperança,
mais do que encobri-la, soterrá-la, 
para que a inquietação serenasse,
libertando-me do sonho feito pesadelo,
pelo descanso imaculado do não sentir,
na isenção de um querer balsâmico,
sedutoramente livre do desejo e da paixão,
em repleta ironia e torpe melancolia...
Quanta força esparramada dia a dia,
na racional sabedoria intempestiva,
na luta que ao espelho procuro esgrimir,
num treino inumano e hercúleo,
convertendo minh'alma em deserto,
que num total acervo de não ser,
se esquiva libertando a tensão,
desta profunda e amargurada reflexão...
Não estou a conseguir caminhar,
no trilho que me propus palmilhar,
rumo ao cume infinito da temperança,
reflectido na bordadura da ausência,
de toda e qualquer sensação...
Afinal não sei como te esquecer...

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