sábado, 24 de março de 2007

Esperança ainda...


Cada esquina, cada fragmento,
reflectem o sentimento,
que não consigo esquecer,
que a um tempo, me anima,
me alimenta o ego e me destrói.

É duro viver esta agonia,
na ausência de sincronia,
no desespero de te não ter...

Vivo uma 'mentira' sofrida
disfarçada em autonomia,
perdida na espontaneidade,
face à presença distante,
com que me brindas sempre,
seja ou não intencional e sentida...

Deixei de ser capaz de ser eu.

Sou agora outra que desconheço,
que ora se anula, ora estremece,
e, em desassossego enlouquece,
no contraditório e intenso vazio,
com que teces os meus dias,
os meus sonhos, as minha preces...

Crer que um dia tudo será diferente,
em outro tempo, outra estação,
outro espaço, outra dimensão,
é o que me anima e me conduz.

Saber que ainda que demente,
rirei do suplício de te não ter,
da inquietação da longa espera,
da saudade e da quimera,
do valor atribuído ao teu olhar,
da importância dada à tua opinião,
descobrindo razões para o sem razão,
é o que alimenta minh'alma,
neste degredo de amor...

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