quarta-feira, 26 de setembro de 2007

É silêncio adunco, defunto de solidão...

"O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo" Bernard Shaw

Se, como diz Bernard Shaw, o silêncio é a expressão do desprezo, realmente sinto-me profundamente desprezada, completamente humilhada...
Por que me desprezas tanto? Será que o silêncio pode ser outra coisa, poderá querer dizer algo diferente?
Porquê a existência de tão profundo silêncio? Por que razão esse silêncio se torna leitoso com o findar das manhãs, se adensa no decurso das tardes, tornando-se pastoso como o desencadear da noite?
Dói-me a balbúrdia do silêncio, o barulho ensurdecedor da tua presença na minha memória, o ruídoso silêncio do teu olhar quando me interpelas...
Dói-me a arrojada vertigem de me saber intocável nos ecos do silêncio que as tuas palavras constroem quando comigo conversas...
Dói-me fixar-me nas amarras deste meu decrépito desejo de me superar nas palavras que aos atropelos se me colam nos silêncios assumidos dos sentidos inaudíveis que teimam em prevalecer em não ditos, para descomprometer.
Desprezo? Sim. Sentido na feira, na eira, na beira e à soleira do interior do meu castelo... É silêncio adunco, defunto de solidão...

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