Sinto desejo de ser...
Por entre rosas e cardos,
vagueio ensandecida,
presa embevecida,
de um desconsolo profundo.
Coloquei em lume brando,
toda a minha fantasia,
descobrindo, acabrunhada,
que perdia, a cada dia,
cada vez mais,
a companhia,
a cumplicidade,
a partilha,
que para outra fugia,
desta feita,
para uma vadia.
E, com algum à vontade,
(apesar de chorar saudade)
aceitei mergulhar no nada,
e esperar pela madrugada,
de um novo amanhecer,
lento,
na bruma do parecer.
E, neste louco padecer,
de ter deixado de lado,
o terno e doce querer,
na fuga do desprazer,
sinto desejo de ser,
apenas a namorada,
da sombra,
ao entardecer...

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