quarta-feira, 23 de julho de 2008

ÉCLOGA

"Encontrei o segredo, a chave de vidro
das palavras que escrevo; e tenho medo.
Talvez nos campos imensos, onde o lírio floresce,
na margem de rio que abriga, de manhã cedo,
os teus pés de ninfa, num engano de idade,
me tenhas visto à sombra de um rochedo;
e se os teus lábios, entreabertos num torpor
de romã, me tocaram num sonho bêbedo,
deles só lembro, imprecisos, fluxos
de incêndio numa hipótese de amor."

in «A Partilha dos Mitos», 1982
Por Nuno Judíce

SE...III

"(...) fazemos o que sabemos
mas não sabemos de todo o que fazemos.
Se tivéssemos sabido mais ou melhor
é de supor que
teríamos actuado de outro modo."
(Savater)

Não posso duvidar desta sentença.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Quero...

Quero ver. Quero ser.
Quero estar. Quero amanhecer.
Quero viajar.
Quero aprender a sonhar,
e viver.
Quero...
Quero cantar.
Quero mudar
e rejuvenescer.

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Eras tu e eu...

Atar os sentimentos,
nas veredas percorridas
com desejos esconsos,
indiferentes ao bulício,
do avanço da manhã...
Desatar a saudade
na vizinhança segura,
escondida nos sussurros
das lembranças ofuscas,
nas desculpas inventadas,
nos interesses matreiros,
das vencidas carícias,
anónimas, descritas...
Desassossego no peito,
tristeza na mente
atitude de coragem valente,
recomeçando de novo,
do nada,
instante presente,
na distância ausente,
pleno e ofuscante
de ser e fazer...
Eras tu e eu,
mas eu não serei mais...

Mudanças/Andanças

Descobri que existe um Blog no Sapo que tem este mesmo nome, ENFARPELADASOCUMVEU. Então este meu diário passará a chamar-se: NUASSIMESMO

Caminhar sem destino...

Não há mágoa
que o tempo não cure.
Apenas não sei,
porque teima,
meu coração,
em sussurrar teu nome,
em lembrar teu encanto,
em chorar tua ausência...
Quero viver sem lei,
partir para outra,
caminhar sem destino,
fazendo em cada segundo,
um percurso: o meu caminho...

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Que a vida me seja pródiga de ti

Na ternura que a lua me devolve,
pelo lago claro e liso que reflecte,
a serenidade do afecto bem profundo,
suspenso, quedo e mudo para o mundo.
Eis-me ainda presa, mas já livre,
repetindo o percurso da saudade,
palmilhando terras e segredos,
cantando prosas e plantando medos,
sempre que te lembro amor verdade.
Queria ver-te mais do que em sonho,
poder docemente afagar minha memória
encantar-me ao encantar-te,
num encantamento mágico, risonho,
soletrando as letras do teu nome,
na certeza de te saber sentir glória.
Queria as tuas nas minhas mãos,
assim presas sem correntes vãs,
de coração pleno e presente dádiva,
desejo emoção, significados, gratidão,
amor bálsamo de livre condição.
Que a vida me seja pródiga de ti,
num dia de cheiro intenso a jasmim,
mesmo que esse seja somente o meu fim...

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Ainda e sempre...

Se a vida me permitir,
viverei este sentir
ainda e sempre,
num registo, previdente,
em loucura, diamante,
sombra, segredo gritante,
de sorriso contagiante,
de sereníssimo contraste,
mas grandioso engaste.

És e serás sempre assim,
minha saudade jasmim,
memória d'encantamento,
paixão e deslumbramento.
Amar-te-ei eternamente,
com gratidão expectante,
meu amante reticente...

Tenho o coração nas mãos,
meu pássaro de arribação...

Retrato em Branco e Preto

Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cór
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar
(...)
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração


Chico Buarque, Tom Jobim

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Ser senhora de tuas marés

Há quanto tempo
não digo que te amo?!
Já vai alta a lua
que nua,
mostra o seu ventre,
prazenteira,
prazeirosa,
tão airosa,
por ser matreira.
Sublime,
na sua platinada euforia,
por ainda não ser dia,
por esconder a magia
da sedução que me impele.
Sedutora e seduzida,
aspira um dia na vida,
ser senhora,
de tuas marés.

domingo, 6 de julho de 2008

A Um Ausente

Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.

Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
(...)

Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.

Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Ansiedad



Nat King Cole

terça-feira, 1 de julho de 2008

Pudesse eu ...II

Pudesse eu,
minimizar o sentir,
esconder o desejo,
controlar a emoção,
mudar a distância;
Volver criança,
sonhar de novo,
escutar a canção,
viver o "suspense",
no reencontro fatal:
"No me abandones así...";
Soletrar o encontro,
aceitar expor-me
para dizer-te:
"Regresa a mi...";
E (re)viveria
outro modo de ser,
outro encanto conhecer,
outro mundo saber...
Pudesse eu...
E tu?...

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Sentimentos são pássaros em voo

«Somos donos de nossos actos,
mas não somos donos de nossos
sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos,
mas não somos culpados pelo que
sentimos;
Podemos prometer actos,
não podemos prometer sentimentos...

Actos são pássaros engaiolados,
Sentimentos são pássaros em voo.»

Mário Quintana

quarta-feira, 25 de junho de 2008

poetas andaluces

Sentimentos são pássaros em voo

«Somos donos de nossos actos,

mas não somos donos de nossos
sentimentos;

Somos culpados pelo que fazemos,

mas não somos culpados pelo que
sentimos;

Podemos prometer actos,

não podemos prometer sentimentos...
Actos são pássaros engaiolados,

Sentimentos são pássaros em voo.»

Mário Quintana

Como consentir a vida?

Pré ocupações são disfarce
da saudade valentia
com que enfrento a vida,
envolta em cobardia,
em tristeza maresia
de soluço, rebeldia...
Como ultrapassar a mágoa,
desilusão ventania,
deste coração desfeito,
desta louca nostalgia?...
Como suportar o dia
sem desejo ou desafio
sem a chama, melancolia?...
Como consentir a vida?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

E... (II)

E se pudesse ainda em cada silêncio,
encontrar a mão que me salvou,
da desdita de me saber perdida,
numa nuvem d'ilusão que se finou,
seria ainda a mesma ingénua flor
acreditando em ti, meu grande amor,
e em cada sorriso que reflectia,
a verdade de uma fantasia,
que queria então, tanto quanto tu.

Acerca-te a mi...



Rodrigo Leão

sábado, 21 de junho de 2008

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Deslumbramentos

E o tempo resvala por entre os dedos,
escoa-se feito lânguido sussurro
bafejante de carícias expectantes,
convidativas, sedutoras, contagiantes.
Encantamentos sublimes,
veículos de magias envolventes,
em mimos e afagos surpreendentes.
Nem os silêncios escamoteiam
os sonhos mais profundos bordejantes,
de esperanças crentes e fecundas,
nas certezas deste sentir tão confiante.
Deslumbramento, puro desejo de ser,
intenso anseio de amar, convictamente,
a procura em ti, da vida e do saber.

terça-feira, 17 de junho de 2008

Como te hei-de esquecer?

Na lástima da desdita
que se adensa,
na certeza
do silêncio que levita
do esquecimento,
no afastamento,
da distância contradita,
que sem ti vacila
e desata a saudade.
E a voz denota
o segredo de amar,
na pergunta nua,
na tristeza fina que vacila,
na pujança de um ser
que soturno definha,
no conforto de te saber
com ganas de poder voltar.
Como te hei-de esquecer?

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Que é da esperança?

Que importa a tristeza,
o desassossego,
o (des)encanto?
Que importa
se o seco soluço,
impede o engolir?
Que importa
se o investir
pereceu?
Que importa se
cada dia esconde
um suspiro,
uma decepção,
uma emoção,
uma ausência?
Que importa?!...
Que é da convicção,
da expectativa,
do sentimento,
do perdão?
Que é de ti,
do entusiasmo,
da paixão?
Que é da esperança?!

terça-feira, 10 de junho de 2008

É sina...

Tanto sacrifício é sina.
É a vida,
num sufoco envolvida,
num soluço infinito,
qual suplício inventado,
na imensidão do nada,
nesta porta já fechada,
em agonia inaudita...
Quanto não daria agora,
para poder, como outrora,
desistir do desafio,
silenciando o elogio,
a emoção e a razão,
e a vida neles inscrita,
e a força, e a desdita,
destes laços de querer,
que num singular padecer,
desata os elos da paixão?!

sábado, 7 de junho de 2008

Foi assim

The Road not Taken

"Duas estradas num bosque amarelo divergiam. Triste por não poder seguir as duas - sendo um só viajante - muito tempo parei.
(...) Naquela manhã ambas (as estradas) tinham folhas ainda não escurecidas pelos passos. Oh, guardei a primeira para um outro dia. Mas sabendo como uma estrada leva a outra, duvidei poder um dia voltar.
(...) Contarei esta história suspirando algures, daqui a muito, muito tempo. Duas estradas, num bosque, divergiam; e eu tomei a que era menos pisada. E isso fez toda a diferença."

VER MAIS
Robert Frost

Leave Out All The Rest



Linkin Park

I Remember You - Chet Baker

O fim do (Des)Encantamentamento

Dou-me um tempo para a interiorização do limite do meu voar. Quebradas as asas, resta-me a memória de um dos capítulos do meu (Des)Encantamento. E os poucos momentos antes do encerramento desta vereda servirá para me readaptar, reacomodando-me. Já sinto as margens a comprimir a minha ânsia de viver, a enfarpelar o quotidiano que se avizinha, a circundar com farpas os limites do meu reino dia, cerceando a minha liberdade devaneio...
Respirar é difícil quando a tristeza me invade profundamente. Intuo que não será mais possível lutar pelo sonho...
Na impossibilidade de um vislumbre de outro modo de ser, aniquilo-me vontade...
Dói-me respirar. Tanto quanto engolir o sofrimento de me saber "rebelde aprisionada"...

Eis-me resignação

Ainda tu, ainda,
na verdade da libertação,
na saudade da relação,
no horizonte da ilusão.
Por quanto tempo?
Em que registo?
Eis-me resignação
e saudade.

Veracidade do sentir

Imprevisivelmente, a solução surgiu.
A decisão brotou da escolha,
coloriu opções,
patenteou alternativas,
construiu possibilidades,
semeou oportunidades,
concluiu processos.
A vereda pela qual me movo,
ladeada de arbustos,
reflecte percursos airosos,
prados de novidades,
lagos de tranquilidade.
Finou o sonho, o oculto,
o menos ético, menos bom.
A insatisfação do querer,
mantém-se,
na veracidade do sentir,
na convicção de saber,
na certeza de não esquecer.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Rumando ao infinito teu

Sonhos espelhados
em cansaços doentios,
alicerces, plantios,
de esperanças danadas,
quinadas,
em esperas desdenhosas,
cúmplices, dengosas,
de convicções insanes.
Tristezas falsete,
em trilhos deleite,
surpresas lembrete,
de loucas quimeras
feitas desejo vão.
Quisera bálsamo sentir,
num azul primaveril
de profunda sedução
e outra seria eu,
de coração ao léu,
rumando ao infinito teu...

terça-feira, 3 de junho de 2008

A vida estagnou...

A palavra constrange,
o sentimento inibe.
O sol é, a cada instante,
submerso no negrume
de um céu enublado,
de um desejo truncado,
nos interstícios do saber,
nas agruras da decepção,
nos dilemas do coração.
Falta o olhar,
a certeza do reforço,
a garantia do valor,
o derrame do encanto
que no silêncio se perde
e na angústia se esconde.
Ressoa o desalento,
o desatino, a desilusão,
na falta de cumplicidade
no decurso da solidão.
Já não me surpreendes mais
nem me crias desafios
ou magias pontuais...
Amor, apenas chove,
o arco-íris não ocorre
e a vida estagnou,
num (des)encanto que marcou...

domingo, 1 de junho de 2008

A vergonha

Com esforço arrebatado,
contive as revoltas,
nos rios abruptos,
cansados tumultos.
Estancando desejos,
desatei a tristeza,
entregando de bandeja,
as profundas ilusões
de desalentos traçados
e encantos reprimidos.
Em vão acreditei,
descrente, esperancei
e, desiludida, chorei.
Com pedra sobre pedra,
o sentimento soterrei,
na vergonha que senti,
tão só porque te amei
e tal não esqueci.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Que ingenuidade!...

Eras tu, inesperadamente,
escondido nas palavras,
no diálogo com a sombra
de uma Ana desculpa,
que não aí ao lado,
não contigo inimaginado.
(In)compreensível a atitude,
o não reconhecimento,
o esconder da identidade.
Tantos porquê agora,
como a falta de transparência,
a ausência de naturalidade,
a não autenticidade,
cada vez mais retumbante,
mais difícil de aceitar,
abrindo outras brechas
aprofundando tristezas,
sulcando desencantos,
cavando desilusões...
Palavras que escondem o quê?
Silêncios para quê?
Que ingenuidade a minha
ter acreditado um dia...

sábado, 24 de maio de 2008

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Quando o ego dançou

Martelam no cérebro
palavras significado,
que ventos distantes,
silvando incólumes,
lançaram carinho,
sugerindo de mansinho,
éticas sensatas:
"Não precisamos de nos por
em bicos de pés
só porque repararam em nós..."
E os ventos descansam,
no desassossego da sombra,
nas sementes distantes,
do degredo sentido,
no arremesso da vida
que a escolha falhou.
Lambendo as feridas
que os ecos denotam,
recordo palavras,
sentidos bizarros,
em que o ego dançou.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Marcas de sentimento

Passado o assombro,
de sorriso nos lábios,
coração tremendo,
esperei convites,
descobri silêncios
e outros deslizes...
Batendo como louco,
saltando do peito,
voando bem alto,
esquecendo defeitos,
querendo, desejando,
ansiando abraços,
na carência dos actos,
esperei presenças,
nas ausências plenas...
E queria eu fugir,
deitar fora amarras,
desistir de ti,
resistindo, recusando...
És ainda tu,
a marca do meu sentir.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Máscara de um sonho nu

Meu carossel de emoções,
estranhas e brancas sensações,
e tantas, tantas ilusões...
Eras tu ainda e sempre,
e eu também, sem mais,
em cada instante, num repente,
em acordes festivais,
de generosa e franca bonomia,
numa espera profunda, até ser dia,
em cada madrugada, cintilante,
o amor, a entrega de amante.
Minha via, à revelia
do regular percurso vetusto,
desdenhado desregrado,
avança um dia, valentia,
atrasa no crepúsculo,
a verdade de ser maior,
o sentido de ser mulher...
E ainda e sempre, sempre tu,
imagem fugidia,
máscara de um meu sonho nu.

OMD: Souvenir

quinta-feira, 15 de maio de 2008

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Não sou mais...

Desalenta,
a desatenção.
A desolação no olhar,
a certeza do vingar
perante a soma do afazer
que se estende e se desmancha
perante a desgarrada,
segundo a função,
de cada um perdida
na definida ejaculação
das anunciadas vontades,
finadas
desajustadas,
encantonadas de betão.
Não sou mais,
não sou não.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

E se um dia...

E se um dia vieres bater à minha porta,
Talvez possa ainda sorrir-te,
Por que não?
Quem sabe a solução,
a certeza da vontade
numa saudosa versão?...

terça-feira, 29 de abril de 2008

A saudade...

A saudade, a saudade...
O sem sentido,
o desvario,
o cansaço,
o desalento.
A saudade, a saudade...
O silêncio,
a ausência,
a noite,
o desespero.
A saudade, a saudade...
A lembrança,
a decepção,
a aposta,
a frustração.
A saudade, a saudade...

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Que inferno?!...

Haverá pior inferno
do que este meu inferno?
Vira para lá, volta para cá,
na cama sem jeito,
coração apressado,
galopando no peito,
a arder, a arder,
da falta, da falta, da falta...
A cabeça às voltas,
o sono suspenso,
o sonho defeito...
Mil imagens passam pela cabeça,
soturnas algumas,
outras flashes fortes,
de ilusão desilusão,
de encanto e desencanto...
E volta que volta,
e vira e desvira
e o sono não vem,
neste inferno sem lei,
neste corpo com frio,
cansado empedernido,
esgotado da falta,
e do vazio...
Tudo sem sentido, sem sentido.
Às voltas na cama,
o escuro desvanece-se
num abrir e fechar de olhos,
qual inferno, amanhece:
o cansaço a doer,
o corpo a falhar,
a cabeça a arder,
a vontade a faltar...
Que inferno se compara
a este inferno meu
que tanto me desgasta?!

domingo, 27 de abril de 2008

Espiral que confunde

A cada novo instante,
a distância
dolorosamente sentida,
desenvolve o vazio,
aprofunda o silêncio.
A solidão é mais intensa.
O rosto de cada manhã,
transporta no seio,
o gosto da saudade,
a tristeza de te não ver,
a dor de te não falar,
a inquietação de te não saber,
sabendo-te apenas ausente.
Aceitar a vida,
não me apazigua.
Deixa-me apenas resignada.
Às vezes (como agora),
enquanto o sono tarda
e teima em não me libertar,
a mágoa extravasa,
e minúsculas pérolas
de translúcido cristal,
desenham, silenciosas,
uma espiral,
que tanto me confunde.

sexta-feira, 25 de abril de 2008

Minha Emancipação

Foste meu encanto,
o meu sonho,
meu princípe risonho,
meu mestre,
de sábia oração,
minha inquietude,
renascida,
no silêncio da canção,
minha verdade,
mistério concretude,
de alento e saudade,
ilusão de liberdade,
solidão e finitude.
Foste o tudo nada
em cada madrugada,
o meu bálsamo,
quando cansada,
meu devaneio puro,
minha emancipação.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Senhor de amorizade

Consistência do ser
que no padecer,
dos silêncios constantes,
de propósitos cruciantes,
se vai desmembrando
em ausências distantes;
Cujos vazios contumazes,
desembainham sinais
que se avolumam
em descomunais queixumes,
quais azedumes esconsos,
transpostos,
em ancestrais costumes.
São brumas que se levantam,
nos interstícios emocionais.
Plangentes murmúrios
de indomável sentir,
traduzindo sussurros
de incompreensível sentido.
E o vazio acontece,
antecedendo a saudade
do elegante sedutor;
Veloz veleiro,
de um porto seguro,
companheiro:
Senhor de amorizade.

sábado, 19 de abril de 2008

E... III

E se a vida
mais não me der do que já deu,
hei-de ainda assim viver
da lembrança de ti,
da saudade
e da imaginação,
do que aconteceu,
daquilo que,
apaixonada,
então vivi
e tão profundamente senti.

Still Loving You

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Eis-me capaz de dádiva...

Na esperança de um bálsamo catalizador,
no sentimento que é bom ser alentado,
no saber que o reforço retempera,
no pensar que o amor rejuvenesce,
no acreditar que a verdade revigora,
eis-me capaz de dádiva que fortalece.

Tudo sem sentido...

Haverá pior inferno
que este inferno?
Não! Nenhum se lhe compara:
vira para um lado,
volta para o outro,
na cama sem jeito,
o afago distante,
a saudade a gelar,
o coração a bater
de encontro ao peito,
galopante,
a bater desfeito.
A falta, a falta, a falta,
a falta... do sonho,
a ausência de sono,
a cabeça a arder...
Tudo sem sentido, sem sentido...
Mil pensamentos,
imagens que vão e vêm sem parar,
flashes fortes,
a cabeça a latejar,
num corpo sedento,
com frio, empedernido...
O escuro desvanece-se
num abrir e fechar de olhos,
amanhece o cansaço
da noite passada,
da falta, da falta, da falta...
Tudo sem sentido, sem sentido...

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Pudesse eu...I

Pudesse eu
minimizar o sentir,
esconder o desejo,
mudar a distância...

Tudo faria sentido

Pudesse eu
minimizar o desejo,
esconder o sentir,
mudar a distância,
aceitar o silêncio,
celebrar o desapego,
confiar na vida,
inventar o sonho,
não perder a esperança,
ultrapassar o desassossego
(...)
Teria outra visão,
seria outro desafio,
valeria outros ideais,
ganharia outras dimensões.
E, tudo faria sentido.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Para quê?

Se fosse para me sentir melhor, seria bom.
Se fosse para adormecer, seria útil.
Se fosse para te esquecer, seria pertinente.
Se fosse para crescer, seria eficaz.
De nada vale perder-me em cada noite,
deixando-me branca de esperança e saudade.
De nada serve verter palavras,
senão o impedir o afogamento,
que as poças de lama preanunciam.
Para quê este repetido escrever
senão para me libertar
deste amgustiado sentir que tanto oprime
de tão intenso e improfícuo,
como de tão não correspondido?!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Murmúrio de mulher

Convidaste-me a sentir.
E, eu quis abandonar-me,
partir,
amar-te até ao infinito.
Não contabilizei a dor,
nem o silêncio saudade,
solidão angustiante,
inspiração da verdade...
À cautela, a voz inaudível,
de desejo sedução,
sussurra teu nome branco,
recordação presente,
invocando teu corpo carícia,
em desabafo pungente
fogo incandescente de ser.
E, num murmúrio de mulher,
convoco-te na noite
de luar transparente,
sabendo que apenas o silêncio
ressoará...

Sonho-te...

Na fidelidade do conhecer,
na confiança do saber,
na verdade do sentir,
acredito no teu olhar,
quando me diz o que fazer.
As dúvidas desaparecem,
e a vontade estremece,
leal e terno conselheiro,
meu ideal companheiro,
sonho bonito, anseio,
quando o desafio acontece.
Se pudesse dizer-te o sentir!...
Traduzir a emoção
viver o fogo paixão,
que me embala e adormece,
e solidão transparece,
na saudade do partir!...
Poderosa sensação
de abandono e convicção,
cúmplices,
de gestos contidos
em efémeros voos,
inebriante tentação.

(...)

Sonho-te memória perdida,
algures meu horizonte matinal...

Aproximei-me de Ti

«Aproximei-me de ti;
e tu, pegando-me na mão,
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os afogados.
Depois, na rua,
ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros;
um ar diferente inundava a cidade.
Sentei-me nos degraus, do cais, em silêncio.
Lembro-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça
até desaparecer.
Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que,
sem estares ali,
continuavas ao meu lado.
E ainda hoje me acompanha
essa doente sensação que
me deixaste como amada
recordação.»


in «Poesia reunida 1967 - 2000», "A Partilha dos Mitos" [1982]

segunda-feira, 7 de abril de 2008

...

Com lágrimas de cristal que me consomem e confundem, num sentimento de vazio que transborda pela estonteante certeza da mudança que se avizinha, reflexo de uma bem mais intensa e profunda mudança que iniciei, faz tempo, questiono-me e analiso criticamente todas as contradições que fui e sou e que não sei ainda se quero continuar a ser...

domingo, 6 de abril de 2008

Para Ti

«Sonhei contigo embora nenhum sonho
possa ter habitantes tu, a quem chamo
amor, cada ano pudesse trazer
um pouco mais de convicção a
esta palavra. É verdade o sonho
poderá ter feito com que, nesta
rarefacção de ambos, a tua presença se
impusesse - como se cada gesto
do poema te restituisse um corpo
que sinto ao dizer o teu nome,
confundindo os teus
lábios com o rebordo desta chávena
de café já frio. Então, bebo-o
de um trago o mesmo se pode fazer
ao amor, quando entre mim e ti
se instalou todo este espaço -
terra, água, nuvens, rios e
o lago obscuro do tempo
que o inverno rouba à transparência
da fontes. É isto, porém, que
faz com que a solidão não seja mais
do que um lugar comum saber
que existes, aí, e estar contigo
mesmo que só o silêncio me
responda quando, uma vez mais
te chamo.»

in Poetas Apaixonados
Por Nuno Judíce

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Desassossego...

É por tudo ter de acabar que tudo é tão belo diz Charles Ramuz.
Mas, será mesmo assim? Não deveria ser antes: É por tudo ter de acabar que tudo é tão belo? A questão parece-me bem mais interessante. Aliás,na minha opinião, apenas quando ainda há algo para o qual não há resposta ou algo que não está respondido, quando ainda há uma questão em aberto, é nessa altura (e atrevia-me a dizer que é maioritariamente aí), nesse entusiasmo da pesquisa, da procura, do desafio que a beleza deslumbra, que a vida encanta. Quando a resposta se pre/anuncia, algo se perde e se esfuma por entre os sinais concretos, compactos, definidos, delimitados da vida...
Um dia, o desejo de partir foi um intenso e profundo impulso. E isso era/foi belo porque havia emoção, sonho, esperança... Imaginei iniciar a viagem caminhando passo a passo na cumplicidade de ideias, de valores, na crença da confiança, que trouxe o desassossego, ponte para a saída, carruagem para a partida... Desde esse dia sinto que em breve apanharei uma carruagem outra (distinta da de outrora), para uma viagem também outra, sem fim previsível... E, é neste saber não factível, neste deslumbramento de não ser, que se vislumbram reflexos da beleza, metamorfoseada em sendo, indo, caminhando, fugindo, errando, "viajando"... E, o mais belo de tudo isso é a interrogação insubstancializada potencializadora, é o não ser sendo, o não dito possibilidade, o espaço aberto à sedução do ser, à serenidade do acontecer, ao silêncio do existente instante fluído e vitalizador...

No teu Poema

«No teu poema
existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira, um céu aberto,
janela debruçada para a vida.

(...)
No teu poema existe a dor calada lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura
e, aberta, uma varanda para o mundo.

No teu poema
existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha
.
(...)
Existe um rio
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema
existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro


José Luis Tinoco
(Int: Carlos do Carmo, Uma canção para a Europa)

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Receios...

Se a vida mais não fosse que pura ilusão, estaria segura da minha função.
Assim, descubro a cada passo novas ironias, novos desafios e euforias que se repercutem em outras pre/ocupações que criam ansiedade, que esgotam a vontade no receio pela novidade...
Novamente a aventura do inesperado, do insuspeitado, do imprevisível...
Mas, onde anda o entusiasmo? Que é do esforço benfazejo aplicado ao ideal? Como olhar para a frente? Onde apoiar (segurando o salto para manter o equilíbrio), o corpo cansado, dorido da mente? Quanta leveza será necessária para desfrutar da esperança?
Parece ser hora de reflexão profunda, na comunhão de novas formas de superação e, contudo, parece também que tudo se perderá, ruindo o castelo de areia, nas vagas disformes do ser, no acontecer sem limites, nem fim...
Quem dera que tudo pudesse ter reparação, que todas as coisas pudessem ser reparadas, consertadas...
Receio o amanhã pelo silêncio, pela saudade, pelo (des)espero, pela (des)lembrança...

segunda-feira, 31 de março de 2008

Cry - James Blunt

Lágrimas de cristal

Este laivo de loucura
que me percorre as veias,
incandescende-me,
provoca-me anseios,
suspende-me a razão,
em gorjeios...
Apenas a emoção vagueia,
por entre o sonho
e o pensamento
...
Sempre que te penso
em afagos de ternura
em lampejos de doçura
esqueço o ruim,
a esperança desfeita,
o desejo contido,
a verdade escondida...
Em devaneio,
esqueço-me de mim,
vivo o deslumbre assumido
que me faz padecer
de saudade brutal
feito enorme vendaval,
suplício entontecido,
em lágrimas de cristal.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Entre/laçada(s)...

Enamorada,
perdida de apaixonada,
constructo de aventurada,
de aprendizagem negada
em consequências
inimaginadas.
Inocências plasmadas
em ingenuidades complexas
de simplicidades anexas,
à solta,
desencadeadas
pelo uso desusado da razão.
Maltratada.Inconformada
porque confundida
e incompreendida.
Estéril o sentir.
Ignóbil o viver.
Embaraçada...
Entretecida.
Envolvida.
Enredada.
Entre/laçada(s)...

domingo, 23 de março de 2008

Perdida de frio

Devaneio de cansaços,
nos abraços dos parceiros,
enleados em espaços,
dianteiros,
com artefactos,
prazenteiros,
enredados no laço concelhio,
promessas de realização,
de partilha de ilusão,
sentimento fugidio.
Amigo sincero,
só na mente que mente,
plantio de semente
sem florestação,
nem fruto bravio...
Sêca de esperança,
perdida de frio...

sábado, 22 de março de 2008

Desistindo...

Dividida.
Infeliz na escolha
entre a razão
e a doce emoção.
De ilusão pintada,
definhando cansada
da falta de ti,
do abraço apertado
reflexo ambicionado
da ventura de viver...
Dividida.Entristecida.
Incapaz de ver a luz
ao fundo de tudo,
desistindo de amar,
desistindo de ser,
e de esperar,
desistindo de ser feliz...

terça-feira, 18 de março de 2008

Com o ego no poço...

Tenho o ego no poço
e a vida escondida,
por entre o nevoeiro,
num fosso domingueiro,
do fosforescente laivo,
que no sopro de ser
implode e certeiro
sacode lampeiro,
a vontade de viver...

segunda-feira, 17 de março de 2008

Dios Como Te Amo



Gigliola Cinquetti

Gigliola Cinquetti - NonHolet

Aragem de mulher...

Dar-me como modelo
é algo que perdi
no dia em que te olhei
e te vi, despido para mim.
Faz tempo esse olhar...
Foi faísca de escrutínio
Desde então, é como se,
em cada dia te quisesse
um pouco mais de cor...
É rebeldia este sentir,
este gostar que me aniquila,
tanto mais do que poderia
alguma vez imaginar...
Receio não concretizar
o sonho que invento
em cada madrugada
num pouco mais de cor
nos teus olhos doces
que me enebriam
e me suspendem...
Invoco o teu corpo
na nudez da minha alma,
meu sonho pastel,
modelo de outras paragens
aragem de uma mulher...

quarta-feira, 12 de março de 2008

Soluço saudade...

Ofereço a brancura,
da minha candura,
em pele de cetim,
e tu dizes que sim.
Mas ao contacto,
afastas o afago,
e sais do caminho,
tão de mansinho,
que a sedução,
se esfuma em raiva,
de indefinição.
Sobrevém a surpresa,
suprimo a vontade,
domino a natureza,
contra o desejo
uivando tristeza.
O sonho vai morrendo,
ficando distante,
aquele encantamento
que me envolvia.
Escorrendo silêncios,
adenso os vazios,
chorando certezas,
anulando desafios.
E constrangida,
soletro liberdade,
relembro magia,
soluço saudade.

terça-feira, 11 de março de 2008

Sinatra Jobim, the Lost Tape (1969)

Nada mudou. O sentir...

NADA mudou, só a distância?!
Tudo MUDOU. Até o silêncio.
E O SENTIR,
esse DEIXOU vazios,
num esparso EXISTIR
de DESEJOS fugidios,
de CERTEZAS duvidosas,
de VERDADES INVEROSÍMEIS,
de RELAÇÕES IMPROVÁVEIS...
Num acervo, A SAUDADE,
DE CONFIANÇA e verdade,
ESPARGIDA, frustração,
DE VONTADE controlada,
devaneio INSONDÁVEL,
É INSOLÚVEL CONDIÇÃO...
QUANTA ILUSÃO traçada,
em rasgos ESFACELADA...
Quantos DESENGANOS sofridos,
inutilmente NUTRIDOS,
por DESLEAIS companheiros...
Brutais ENIGMAS, postados,
rituais DOLOROSOS marcados,
por PERCURSOS trapaceiros,
esperanças desfeitas,
caminhos OMITIDOS...

domingo, 9 de março de 2008

Migalhas

«Não digas nada, dá-me só a mão. Palavra de honra que não é preciso dizer nada, a mão chega. Parece-te estranho que a mão chegue, não é, mas chega.
(...)
Vou contar-te um segredo: há alturas em que as migalhas ajudam.»

António Lobo Antunes

Navegar sintonias

Quanta ânsia inusitada,
nunca antes acordada,
nem até tão definida.
Como poderá ser perdida
esta ânsia de liberdade,
tão intensamente sentida?
Galgam-se escadas,
procuram-se cadeias,
sugerem-se correntes,
em nós avaliadas,
de naus naufragadas,
a trote gizadas,
num galope instado,
desejo truncado,
em sonhos invocado...
Desabafos plenos
em dias amenos,
claros de magia,
em soberba valentia,
navegando sintonias,
promovendo sinergias...

sexta-feira, 7 de março de 2008

Que escolhas fazer?

Inibem-se os folhos,
nos caminhos solitários,
nas contradições,
afirmadas aos molhos
nas capelas,
iníquos santuários,
atrevidos e cúmplices,
de imberbes signatários,
distintos munícipes...

Desejando conjugar
pequenos reforços
nos percursos trilhados,
de sofridos esforços,
nos enormes tratados,
que um dia concebi...

Ideais defendidos,
de causas não esquecidas.
São sabores adiados,
valores conturbados,
em dias desiguais,
de desejos carnais,
subtilmente contidos...

Que escolhas fazer?
Que veredas percorrer?
Que atitudes tomar?
Que sorrisos espalhar?
Que esperança manter?

...

quinta-feira, 6 de março de 2008

Desistir de mim... Reisistir a ti

Descer precipícios,
ultrapassar ligeira,
certos sacrifícios,
que em nus edifícios,
doei de bandeja...
Voar planando,
rasar o infinito,
lembrando veredas,
d'outras primaveras,
combinando quimeras,
que um dia vivi
e rapidamente esqueci...
...
Devo desistir de mim
para poder ser capaz
de te resistir a ti...

Katie Melua - 'If You Were A Sailboat'

Meu porto seguro...

Rouca, a voz da emoção,
reflectindo satisfação,
na conduta e no caminho,
plenamente construído,
assertivamente defendido.
Ternura na voz,
tremente desejo,
sedenta loucura,
de estarmos sós...
Sonho conjugado
no tempo de ser,
no modo estar,
abraço balsâmico,
profundo sucedâneo,
do segredo de amar...
Denso e perfeito,
sentimento puro,
em esperança ávida,
carente delírio,
meu porto seguro,
de realização magna.

terça-feira, 4 de março de 2008

I can do it!...

É a memória à solta,
aos saltos,
grotescos,
sem percalços,
nos recantos da saudade...
Acreditar,
é ainda o lema.
Confiar,
é a bandeira.
Superar-me-ei.
I can do it!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

O gelo venceu...

Envolta em silêncios,
em olhares desnudos,
perante vós,
vestidos de entrudo,
a desandar a roda,
a desfazer a nódoa,
a derrubar o muro...
Desisto e resisto,
batalho e mergulho,
nesse deserto avaro.
Quão brusco reparo!
Quase me suga,
essa areia muda.
Quase entorpece.
Denota o cansaço,
por falta do abraço,
ao vento sueste?...
E a nuvem branda,
de novo desanda,
ameaçando chuva,
após sinistro desdém,
registo agreste,
que me detém...
Por que me magoas?...
Trazes o manto de breu
assobiando vampiros,
mostrando os gemidos,
da dor das escolhas
que o gelo venceu,
e a esperança matou...
Caminho negrume,
nefasto perfume,
que me envolveu
e me encantou...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Diário II

Nota a nota,
página a página,
hora a hora,
gota a gota,
o lamento,
a insignificância,
o sofrimento...
Sinto o desnorte,
o degredo,
o segredo...
E, a sorte ronda,
o sol já nasce,
e a vida dura...
Quanta saudade
nesta brancura
se esvai sorrateira,
e tanto dela mesma,
se perpetua!...

sábado, 23 de fevereiro de 2008

São rosas, senhor!...

E as lágrimas sedentas
da libertação esperada,
transbordam loucas,
arrogantes,
persistentes,
galopantes...
E, no confronto,
a explicação:
São rosas senhor,
são rosas!...

Só na solidão precipício...

É doloroso sentir,
sem poder dizer o quê,
sem poder dizer porquê,
neste silêncio infinito,
só na solidão precipício...
É difícil libertar a mágoa,
o soluço engasgado,
o aperto incontrolado,
a angústia do vazio...
Nem a música conforta,
nem a pintura denota
nestas palavras sombrias,
a amargura plangente,
de soturnos pensamentos,
e sofrimento absurdo,
de tão pungente e lancinante...
Dói a consciência do ser,
a incerteza do viver...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Veja, você esqueceu...

“Mas deixe-me considerar.
A gota cai, outro estágio foi alcançado. Estágio após estágio.
E por que deveria haver um final para os estágios? E aonde eles nos levam?
A que conclusão?
Pois eles chegam vestindo trajes solenes.
Frente a tais dilemas o justo consulta aquelas celebridades de aparência atraente e grandiosidade
cujo agrupamento vai passando às minhas costas.
No que nos diz respeito, os mestres nos ofendem.
Eis que um homem surge e diz: ‘Atenta, esta é a verdade’, e instantaneamente, eu percebo ao
fundo um gato empoeirado roubando um pedaço de peixe.
Veja, você esqueceu o gato, eu digo.”
Virginia Woolf (The Waves, 1931)2

2. Piaget J. Le jugement moral chez l’enfant. Paris: Z. Alcan, 1932.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Saudades...

Tenho saudades de ti
do tempo em que não havia tempo,
do espaço que era tão nosso,
tão intimamente nosso...
Tenho saudades do abraço,
do afago e do olhar,
que em desdita, cansado,
olhava mais do que olhar...
Temho saudades do riso,
dos acordes musicais,
cujos ecos matinais,
seguiam durante o dia,
tão cristalinos,
tão profundamente soltos
que quase afoitos,
roçavam meu corpo
ávido do teu...
Tenho saudades do tempo
em que te sentia menino,
mas também poderoso, felino,
dominando a situação,
ganhando largo terreno,
no meu pobre coração...
Tenho saudades de ti,
desejo do meu silêncio,
encanto do meu deleite,
perdição do meu coração...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Não te fies tanto...

Não te fies...
Afinal, nesta vida,
nada é certo senão a morte...
E, se sei que te quero,
quando te olho,
e penso que mostro
esse querer em cada instante,
também sei que isso nada vale,
e que a transparência
é somente uma crença
a qual não vislumbro
no teu doce e terno olhar...
Pelo menos não sei ler
essa centelha de ser,
sempre que te vejo
e te desejo,
longínquo entardecer...
Mas, não te fies porém,
porque há vidas,
que a vida contém,
cujos males que vêm,
vêm por bem...
Quem sabe o que virá aí,
para mim e para ti...
Atenta e não te espantes.
Mas, não te fies tanto...

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Um dia ...

Um dia,
não precisarei mais
de inventar dias claros
reflexo da intensa luminosidade
do teu doce e terno olhar...
Um dia,
também não terei mais
os sorrisos madrigais
fruto de jogos matinais,
com que quiçá me brindas,
quando me constróis
e me fantasias...
Também um dia,
não terei mais,
a agonia de me perder,
em sonhos triunfais,
desvelos sustidos,
em afagos sumidos,
nos nus lençóis engelhados,
em que derramo os fluídos
dos desejos mal contidos,
com que me convenço
e me espanto de ti,
encanto de mim,
dançando contigo...
Um dia,
tudo será eterno,
como este sentimento etéreo
que me envolve e cativa,
mas quase me aniquila,
no silêncio do meu peito,
neste aperto derradeiro,
que desperta, mal te penso,
que galopa, mal te ouço,
que me assusta, mal me deito...
Um dia... Seremos eternos?!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Vã glória de existir

Luta inglória.
Assumo: não consegui!...
Sobra desejo
mas falta coragem
e é nessa aragem
que me confundo
e me entrego
de braços caídos,
resignada
à (tua) razão...
Sem reforço,
não há excelência que resista,
não há força que subsista,
não há vontade que persista...

Celebração

O dia que se avizinha é um dia especial. Deveria ser um dia de celebração e convite à entrega. Deveria ser um meio, um veículo para o assumir dos aspectos que caracterizam o lado mais profundamente humano do ser, da pessoa que se quer inteira e não fragmentária. Poderia ser a ponte entre as margens que comprimem o rio na libertação dos sentimentos mais puros e das emoções mais íntimas, numa celebração de carinho e serenidade onde o outro se apresentasse como bálsamo refrescante capaz de conciliar o ser e o nada, o desejo e a realização...
Sonho com os elos que configuram a corrente na acepção do ser e do pensar que se unem no sentir e no viver...

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

O sonho que emudesceu

Já pouco importa
quando mais nada vale...
Nus vendavais,
emoções ao rubro
esgueirando-se lentamente,
pelas frestas da pele,
em gotículas de suor,
brilhantes, luzentes.
Esvaídas dos poros,
quais brechas sulcadas,
reflectindo as mágoas,
de ingénuas andanças,
de desejos lembrança...
É a vontade que decai,
a força que se perdeu...
É o desafio que se vai,
o sonho que emudesceu...

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Desistência escancarada

E o caminho íngreme à espreita,
o frio lá fora em desfeita,
de andar ao léu enfarpelada...
E eu aqui presa, contrafeita,
infeliz na angústia insatisfeita,
do silêncio de ti, acabrunhada...
E tu em ausência rarefeita,
de vazio e saudade, qual maleita,
crias solidão profunda, esvaziada...

E tudo em desistência premente escancarada...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Percurso

Brilhei. Esmoreci.
Vibrei. Assumi.
Batalhei. Fugi.
Mudei. Aprendi.
Ganhei. Perdi. Mas, também cresci.
Amei. Sofri.
Pensei. Resisti. Mas, não venci...

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Quero acreditar...

E eu que sonhei
auroras boreais,
Vangelis e Quioto!...
Que criei
vã esperança
no valor da humanidade,
no crescimento da vontade!...
Apostei sinergias,
inventando a liberdade...
Outros mundos,
segredos abismais,
profundos...
Quero voltar a sonhar,
a ser ingénua,
a acreditar...

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Sensações amorais

Num carossel de emoções,
são estranhas sensações
que falam mais alto,
planam acima do super ego,
ultrapassam a barreira,
são amorais...
Valentes e desordeiras,
"ilusões" parceiras
das revelações...
Inspiração. Admoestação.
Inovação.
Opção inacessível,
prisão verosímil.
Obscuridade.
Urgência...

Gianna Nannini - Meravigliosa creatura

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Querer-te...

Sei que estás por aí...
Mas, ver-te,
confirmar a presença,
é ligação à vida,
ao desejo de lembrança
permanente.
Saber-te,
é presença de luz,
na resistência de ser
que me conduz
negando a desistência...
Tenho esta cruz
de querer o impossível:
de te querer...

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Expressão

Entreabro a nesga
que me confronta e desola,
se apresenta ironia,
e me consola,
na provocação diáfana,
reflectida em cada dia.
Disfonia alternativa,
surpresa imagem,
translúcido reflexo,
que num desejo de sucesso,
me aniquila e fulmina.
Transformação, mudança,
rendição...
Precisão, geometria,
consentânea parceria,
ávido querer,
desnuda paixão.
Rigor listado, apostado.
Hesitação, indução,
aprendizagem solução.
Sentido significado,
sentimento, expressão.

POR TI VOLARE

Bem vindos!

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