terça-feira, 20 de novembro de 2007

Um dia...

Um dia, se o dia ainda se mostrar com tempo, esperarei uma explicação, uma apenas, plena de autenticidade, absolutamente singular e verdadeiramente humana. Hei-de olhar-te bem nos olhos, bem lá no fundo do coração, de mansinho, sem qualquer solicitação, adivinhando razões, sentimentos que para além dos talentos, não sejam também desilusão. Hei-de colher respostas para perguntas que jamais verbalizei, questões que amachucam persistentemente os dias de sonhos amarrotados, desfeitos, cansados, perdidos nos lagos alinhados, construidos pelas águas de levante que escondem abruptamente as cicatrizes mal soturadas, ainda frescas de tão profundas e tão mal saradas porque insaráveis de insatisfeitas... Ainda hei-de ser capaz de vislumbrar nos teus olhos, os segredos de menino, cujos medos se esgueiram defronte dos passos lassos que o quotidiano desvenda e apresenta, feito aço de fugir, para impedir males mais insondáveis, também notáveis porque inebriantes de desconcertantes, pela amoralidade (in)desejada. Ainda, espero eu, descortinar o que se escondeu, num véu apenas teu, amordaçado, subjugado ao mais elementar poder de não querer, por querer muito, enfiado num silêncio sepulcral, aliviando o mal que a "superação" provocou... E, hei-de então ser capaz de secar as mágoas e caminhar, de novo, em busca de novos horizontes, de novos amanheceres, de outros voos em outros entardeceres, mesmo que somente no crepúsculo...

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