segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Metáfora.

És a minha metáfora:
a magia de te saber,
a certeza de te querer,
a alegria de te sonhar,
o silêncio de te amar.

Terá valido a pena?!

Terá valido a pena,
dar-me tanto
e tão profundamente
que a limite me desconheça?
Não percebo esta cena,
este escorrer de Afrodite,
esta efervescência de apreço
que por ti nutro,
num turbilhão de emoções,
que desagua na noite,
envolto em silêncio,
com manto de desejo
no suplício de um beijo,
que tarda em chegar...

O fosso adensa-se...

O jogo já vai alto,
a parada foi ao rubro,
os trunfos foram saindo,
um a um, em seu lugar,
fazendo adensar o fosso,
que se avizinha a ressoar.
Aproximando-se do final,
cada jogador mostra a limite,
a experiência triunfal,
observando o maestro,
o desenrolar da estirpe,
de cada apostador lesto,
que se arroga o direito,
de se dar por satisfeito,
porque se julga alguém,
quando inibe o outro além,
sem pesar nem compaixão,
mostrando sem suspeição,
que a equipa é um ideal,
que até nem vai nada mal,
se assim se mantiver.
Ora, esta equipa maravilha,
nada mais é do que um grupo,
cujo valor de partilha,
está muito aquém e devoluto...
Mas, que importa tudo isto,
se com tanta ousadia,
até se celebram largos feitos,
e se edificam sintonias,
em quotidianos solarengos,
ainda que sem grandes pedagogias,
mas sem quaisquer contratempos...

domingo, 9 de setembro de 2007

sábado, 8 de setembro de 2007

O caminho estreita-se...

Calcorreando o caminho,
vou largando nas beiras,
os desejos, as quimeras,
os segredos, as esperas,
os desgostos e os prantos
que delineiam as margens
das desilusões, dos desenganos...
Descubro que os limites,
se estreitam lentamente
provocando enormes quedas.
E, os tropeços são tantos,
que temo que o fim,
também se aproxime de mim.
Já não é o mesmo caminho,
é um carreiro estreitinho,
sinuoso e acidentado,
que me entrava o percurso
e me mostra à evidência
que o amor é um discurso,
vazio e sem consistência...

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

É preciso sentir o encanto

Dizer não chega,
é preciso mostrar
o que os olhos dizem.
Será que dizem mesmo?
É preciso sentir o encanto,
ouvir o silêncio indizível,
da magnética energia fogosa,
que o contacto trará
em faísca imperdível,
do desejo saciado,
da ternura contagiante,
da sedução encantada,
da magia deslumbrante,
do fascínio enfeitiçado
da arrebatada conquista...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Medo: sabor da perdição

Ai o medo, o medo,
que a medo se implanta
corroendo, cerceando
a vontade de ser gente,
o gosto de ser humano.
É um carrasco cinzento
subreptício e sedento,
que instiga ao degredo,
para guardar em segredo
a vontade de ser gente,
o gosto de ser humano.
O medo, expõe-se na anulação
na miséria da recordação,
de se ter sido forte,
submetendo a paixão,
ao demasiado humano
sabor da perdição.

Ligeira a satisfação...

Longo o dia.
Ligeira a satisfação.
Que é do reforço,
perante a abnegação?
Como e quanto dói a falta,
a ausência e o não dito,
o mutismo e o interdito!...
É adiado o carinho,
coarctada a emoção,
desfeita a expectativa,
destroçada a esperança,
transfigurado o sonho,
submergida a ilusão.
E, que é da vida,
e da realização?
Que é da vontade de ser,
do desejo de me perder,
no seio das tuas mãos?
Que é de mim e de ti,
se ignoramos os sentidos,
e sempre anulamos a emoção
para validar a razão?

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Hoje...

Hoje precisava de ti capaz de me dizer duas palavras de reforço individual. Necessitava de uns segundos especiais da tua atenção. Tal como outrora, como quando esperavas os meus "diários desabafos" de final do dia, tive necessidade do teu afago. Foi há tanto tempo já...
Hoje a nostalgia instalou-se e a saudade irrompeu...
Hoje aguardei a proximidade que se esfumou. Esperei um sorriso explícito que se ocultou...
Hoje ambicionei ser o teu ombro amigo, a tua companhia para poderes ser a minha companhia, o meu ombro amigo...
Hoje desejei um abraço franco, apertado, onde a emoção não se escondesse e a tua natureza apaixonada fosse espontaneamente vivida...
Hoje senti o apelo do meu coração pelo teu encanto. Imaginei-me puro espírito e enlacei-me em ti, toquei-te em pensamento...
Hoje suspirei por ouvir dizer-te que me queres e quis-te mais ainda... ...
Hoje almejei ser princesa de novo...
Hoje... quero ao menos sonhar contigo...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Achei um rumo

Achei um rumo,
aceitei um percurso,
descobri um sentido,
acolhi um tesouro...
Escolhi o diferente,
renovei o desejo,
sancionei a culpa...
Valorizei o riso,
defini a meta,
iniciei o roteiro...
E, hei-de ir assim,
andante, caminheiro,
no presente construindo,
o trilho brilhante,
do meu sonho latente.

domingo, 2 de setembro de 2007

Surge o mote.

Lanço a pena,
qual enxada batalhando
na rugosa assimetria
de chão arável,
seco de tanto pranto,
sedento de maresia.
Conjugo acordes,
irregulares elos
de vagares e desvelos,
que cantam a inspiração,
em secretas sinfonias,
desabafos de emoção.
São maravilhas balsâmicas,
de enorme gratidão,
pelo regresso do mote,
pela clareza do norte,
na certeza da realização...

Regresso do sonho

Regressa o sonho
e também a vontade,
o desejo,
a coragem renovada,
a certeza,
o lampejo da emoção.

sábado, 1 de setembro de 2007

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Rasando o precepício...

Em cada instante,
anseio longa e profusamente,
por um pouco de calor.
Cada pedaço do meu ser,
espera nesgas de sentimento,
no encalce da ilusão de felicidade,
pela garantia de liberdade,
reconhecida na partilha,
na vastidão da pertença,
no silêncio do não dito,
inaudível, porque infinito.
Rasando o precepício,
da soberana entrega,
hesito, vacilo perplexa,
perante o matreiro sorriso,
do sedutor e zombeteiro desejo,
transformado sem pudor,
e sem remédio,
e sem jeito,
em estranho sobressalto
de irredutível esquecimento,
negando o deslumbramento...

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Total incompreensão

Novos rumos, por que não?!
Para quê lutar, correr, saltar?
Se o ganho for a serenidade,
vale a pena desistir,
apesar e por causa
do aperto contido,
do sofoco,
da mágoa da perda,
da ausência do abraço,
da fuga da partilha,
da distância,
da negação,
e também e mais ainda
da total incompreensão...

Fui e ...

Fui e eis-me de volta,
sem volta, nem anseio...
Desligada,
sem elos, sem interesse:
desunida...
Desprendida, abnegada:
vencida...

Quero enfrentar o dia,
qual fénix renascida,
impávida, destemida,
arrojada, decidida,
sem desejos ou sonhos,
sem desatinos,
sem devaneios...

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Vou...

Vou...
Levo a saudade comigo,
não apenas por vos deixar,
mas também pelo degredo,
em que me vou encontrar...
Vou...
Sei o sabor da insatisfação
e tudo pelo que passar,
terá verdadeiro sentido,
se teu aconchego (re)encontrar.
Vou...
Mas voltarei a este lugar
para contar como foi,
e também me (re) confortar,
no (re)encontro comigo mesmo.

Até um destes dias!...

Cause to love you

Quem me leva os meus fantasmas?

Oportunismo calculista

Palavras. Músicas. Imagens.
Emoções. Razões. Desrazões.
São os ingredientes da vida,
os faróis de nevoeiro
que alumiam sem parceiro,
e cuja luz guia humanos passos.

Poesia suportada em esteios lassos,
valores dignificados mas não intrínsecos,
achegas de "raposa" em cio perigoso,
como perigosa é a aproximação...

Reconheço-a ao longe,
ainda distante mas já assumida,
com cálculos precisos, frios,
e a finalidade promovida...

É louca a impressão,
mas certo será o objectivo,
não importando os meios,
nem os sentimentos...

Com tantos acertos e desacertos,
não será a vida matreira,
quando a verdade derradeira,
vier ao de cima um dia?...
Quem sabe, serei ainda viva!...

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Parto

Parto.
Com o coração preso,
amarrda ao sentimento,
sofrendo pelo abandono,
pela saudade de nada.
Parto.
Com os olhos rasos de água,
e o coração apertado no peito,
feito azeitona em conserva,
desesperado, plangente.
Parto.
Levo no peito a certeza
que a ilusão foi sobremesa
e o acreditar, devaneio.
Parto.
E o soluço seco corrói,
tanto que dispara o medo,
de não poder usufruir,
do sol de cada manhã,
do delírio da mamã,
de me sentir em degredo.
Parto.
A estranha sensação de leveza,
desta vez não me acompanha,
e, de mim, tenho tanta pena...

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

terça-feira, 31 de julho de 2007

No More Lonely Nights

Investir em "novas" farpelas...

Se a saudade fosse comum,
teríamos ambos a necessidade
de verbalizar a alegria,
de dizer o sentimento,
de cantar a presença.
Tal não foi o que aconteceu...
E, suspeito que tal
jamais acontecerá,
inexoravelmente. Infelizmente!...
Tanta saudade, para nada!...
Resolveu-se o delírio,
esbanjou-se o sentimento,
gastou-se a vontade,
esgotou-se a tolerância,
foi-se a ilusão,
subjugou-se o desejo,
perdeu-se a esperança...
Ganhou-se mais resistência,
construiu-se maior carapaça,
criou-se resiliência...
Investirei em "novas" farpelas...

segunda-feira, 30 de julho de 2007

A insustentável leveza do amor...

Certa do inviável,
e do inevitável vazio,
fruto do improvável,
da ilusão que se perde,
em cada detalhe,
nos momentos de magia
e de delírio pleno...
Como ingénua sou!...
É a insustentável
leveza do amor,
incondicional,
que se declara
e se reflecte,
na certeza da emoção
que se reconhece,
na impossibilidade
da retribuição...

Com estas palavras te sinto...

Com tua imagem me deito,
e com palavras (estas) te pinto,
e sinto disparar no peito,
ainda um louco galopar,
quem dera, já desfeito...
Enquanto te canto,
invento novas horas,
novos rumos,
outros arco-irís,
diferentes matizes,
de um querer inesperado,
tolo e enfarpelado,
a cada vez, mais desolado
e tristemente seguro,
de nada...

Se II

Se, como ao cair da tarde,
em pleno verão magnetizado,
em maresia e amena cavaqueira,
meu corpo descobrisse,
naquele fantástico pôr de sol
de absoluta sublimidade
num esplenderoso entardecer,
cuja doce proximidade,
o revela tão belo e quente,
tão airoso e pleno
(eternamente delicado,
infinitamente dourado),
seria querida, certamente...

QUARTO EM DESORDEM

"Na curva perigosa dos cinquenta
derrapei neste amor. Que dor! que pétala
sensível e secreta me atormenta
e me provoca à síntese da flor

que não sabe como é feita: amor
na quinta essência da palavra, e mudo
de natural silêncio já não cabe
em tanto gesto de colher e amar

a nuvem que de ambígua se dilui
nesse objecto mais vago do que núvem
e mais indefeso, corpo! Corpo, corpo, corpo

verdade tão final, sede tão vária
a esse cavalo solto pela cama
a passear o peito de quem ama".


Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 26 de julho de 2007

Que é da poesia?

Que é da poesia,
neste relato incerto,
neste desumano deserto,
despido de sensibilidade,
sem conforto e humanidade?
A supremacia da razão,
ocultando as maresias,
que de tanto se expraiarem,
em espasmos valentias,
se resumem e harmonizam
em eternas sinfonias,
que se entrecruzam
em nus silêncios profundos
de sobressaltos dançantes,
plenos de diamantes.
Que é da poesia?

Catarse

verdadeira catarse
na alva brancura
da página que me acolhe
em desventura
e me aceita
a impressão
e sem condição
que não seja
o negrito da letra
o sentido da escrita
a lucidez da vida

Sonho que sou...

No sonho tudo acontece,
o real e o ilusório:
vejo o que não observo,
sinto o que não prevejo.
Nele não iludo o afecto,
não escondo a esperança,
não subordino a expectativa,
ao controle racional.
No sonho, envolvo-me,
em nesgas de emoção.
Mas, não quero o sonho!...
Quero viver (ou não)!
Mas de vez,
plena e intensamente,
como deve sempre viver-se.
Porém,
apenas sonho que sou,
e que sinto,
e que vivo...

Como o tempo muda tudo e nada !...

Quisera afundar-me no poço,
lançar-me ao vento,
libertar-me e voar,
não só no pensamento!...
Desintegrar-me,
deixar de ser,
entrar no silêncio,
transmutar-me...
Esquecer o devir,
e a mudança
que sempre acontecem
num eterno sempre,
absoluto e indefectível?...
(Re)conhecer como o tempo,
muda tudo e nada,
como transforma e altera,
toda a realidade,
toda a vida,
todo o ser,
com o lancinante passar dos anos,
com o crescimento provocado,
com o desejo tolhido!...
E o eu que então se estilhaça,
que implode e se desvanece,
nas lentas e sofridas luas,
nas sombras dos vendavais,
no breu das noites profundas,
semelhantes ao latejo do medo,
ao degredo dos sóis,
ao inferno do outro (dos outros),
no purgatório da ansiedade,
cuja sublimidade,
em vez de enaltecer,
inusitadamente, fenece...
...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Fim

Starry Starry Night - Don McLean



"(...)
Agora, acho que sei
O que você tentou me dizer
E o quanto você sofreu por causa da sua sanidade
E como você tentou libertá-los
Eles não ouviriam
Ainda não o estão escutando
Talvez eles nunca ouçam..."

terça-feira, 24 de julho de 2007

O teatro da vida...

Faz de conta que tudo está bem,
que somos todos amigos,
que nos respeitamos,
como pessoas e profissionais.
Faz de conta que a vida caminha,
em passos precisos e seguros,
capazes de nos conduzirem,
a novas etapas de realização.
Faz de conta que tu não existes,
que não cruzaste a minha vida,
que não és "importante",
que te não quero e te esqueci.
Faz de conta que a vida é bela,
sem senãos e injustiças,
sem amores e desamores,
sem indiferenças e vazios.
Faz de conta que eu vivo,
que sou querida e "importante",
que me revejo e revelo,
num sorriso deslumbrante,
garante de felicidade.
Faz de conta...

Como acreditar no nosso poder interior?

Era o quê, mesmo?
Diferente? Circunspecta?
Leve e sã? Não, concerteza...
Que nódoa seria?
Melhor, que nódoa fui?
Ainda hoje lamento:
a indecisão na voz,
a incerteza na razão,
a descrença e a dúvida
nas palavras, nos planos,
a mágoa da desilusão,
do desencanto,
o soluço apertado da perda...
E, uma vez mais emerge o desespero.
Rolam lágrimas silenciosas
que sulcam o rosto,
que mancham a pele...
Libertam o desgosto.
Expelem a tristeza
da descrença no outro,
no mundo, na vida.
Reflectem a ingenuidade
de confiar que se é alguém,
que se tem algum valor...
Como acreditar no nosso poder interior?

segunda-feira, 23 de julho de 2007

O silêncio...

"O silêncio é a cor das ocorrências da vida: pode ser ligeiro, denso, cinzento, alegre, venerável, aéreo, triste, desesperado, feliz. Colora-se de todas as infinitas tonalidades das nossas vidas... Se o escutarmos, o silêncio fala-nos e elucida-nos constantemente acerca do estado, dos lugares e dos seres, acerca da textura e da qualidade das situações que enfrentamos. É o nosso companheiro íntimo, o âmago permanente do qual tudo se liberta.
Lugar da consciência profunda, estabelece o nosso olhar, o nosso escutar, as nossas percepções."

domingo, 22 de julho de 2007

Tenho saudades de mim...

Calma, tranquila, acomodada.
Serena, apesar do vazio.
Segura, apesar da solidão...
Se os teus e os meus olhos
não tivessem faíscado;
Se o teu "por que não?"
não tivesse sido pronunciado;
Se o tempo... Se a emoção...
Se a vida...
Se...
Tenho saudades de mim,
saudades de então...

sábado, 21 de julho de 2007

Tenho saudades de ti...

"Tenho saudades de ti, meu desejo.
Tenho saudades do tempo de amar..."


Encontrar-me,
nesta procura de mim,
reconhecer-te reflexo
(mais do que espelho),
saber-te o centro da vontade,
deste querer dilatado no tempo,
expandido no espaço,
é o primeiro pensamento,
o único pensamento
que vagueia pela minha mente,
durante os dias,
todos os meus dias...

Aceite o vazio,
a ausência da presença,
a espera incondicional,
contrasto-os com o inaceitável:
a inexistência de um sinal...
Tenho saudades de ti...

Atormenta-me o sentir unilateral.
Mas, irei até onde for preciso,
até onde o coração me levar...

sexta-feira, 20 de julho de 2007

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Língua de ansiedade

O medo e o vazio do silêncio
são dois animais raivosos
presos aos meus calcanhares...
Luto desesperadamente,
tento afastá-los,
mas são mais fortes,
mais persistentes...
Anda por mim
uma língua de ansiedade.
Atrever-me-ia a dizer, de medo.
Algo que se adensa no silêncio...


Não!!! Não quero desistir agora!...

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Confiar, outro patamar de ser...

Aprender a confiar...
Confiar e aprender,
duas palavras mágicas,
ambas com poder imenso,
indescritível, indizível,
absolutamente inimaginável...
Apre(e)ndi hoje o mundo,
com os teus olhos,
com os teus ensinamentos...
Hoje vi o invisível,
o que no imediato
não se deixa observar,
o quotidiano que não se diz,
o escondido sob o véu,
o fugidio na permanência,
o perene na mudança...
Apesar das dores de crescimento,
foi uma mais valia,
reconhecer os ensinamentos do mestre
nos processos e nos percursos
que construo com segurança
e me devolvem confiança,
reflectindo novas etapas,
outras formas de existir...
Aprendi a confiar:
eis-me noutro patamar de ser...

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Telepatia...

Percorro os canais,
apenas sinto vazio
nas saladas de arrozais
que outros desafiam
nesta brancura virginal
de valor incalculável,
apesar da solidão
da ausência de companhia
para uma e outra folia
desejada, mas negada...
Ter notícias, sinais,
valer um pouco no tempo,
saber os dias, os ais...
Ouvir a voz, o pensamento,
sentir a energia fluir,
ver a alma ser, despontar,
botão de rosa a florir...
Quem dera ser puro pensar,
nesta cinzenta melancolia
para num ápice interceptar
as inúmeras redes neuronais:
tua lide, tua alma, tua vida,
telepaticamente...
Quem sabe te esqueceria,
como a um qualquer dos mortais...

Às vezes...

Às vezes tenho ganas de partir,
deixar tudo: fugir.
Largar, alto mar adentro,
navegar rumo ao infinito,
deambular pelo firmamento,
esconder-me na neblina
e aí ficar escondida,
até se fazer dia,
até doer de solidão...
Às vezes em devaneio,
anseio outra de mim,
partilhando outro de ti,
feito antes, e depois
de abraços e amassos,
desses cujas maresias
às vezes eram surpresas
e outras promessas
de mistérios e magias
de estranhas sinfonias,
inventadas e vividas
em louca sofreguidão...
Às vezes queria ser Deus
para te poder ver
em todo o teu esplendor,
pleno, sempre galante,
de sorriso fácil e
contagiante,
olhando com atenção,
para poderes dar a mão...
Às vezes não queria partilhar-te,
queria-te apenas meu:
amigo, amado, amante...
Às vezes ...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Opressão

Com o coração do tamanho de uma azeitona, sente-se o desespero da solidão e também a insegurança do valor... Oprimida leio outros pensamentos e nada encontro que me tranquilize. Desenvolve-se a insegurança e o receio do esquecimento neste afastamento higiénico... Contudo, quero elogiar o silêncio, ainda que o ruído seja ensurdecedor no quotidiano ausente... Quanto daria por um sinal?...

mon homme

Just the way you are

Distracções

Realmente a vida proporciona-nos imensas coisas e, por vezes esquecemo-nos de as desfrutar, infelizmente...
Quantas e quantas experiências e sorrisos ficam então por acontecer, devido a essa "distracção", chamemos-lhe assim...
Sinto que, uma vez mais, alguns sorrisos ficaram comprometidos por ser mesmo muito distraída...
Tenho pena que esta minha característica iniba tantos sorrisos...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Tatuagens

Porquê a vergonha?
E o medo?
Porquê?!!!

Encosta-te a mim

terça-feira, 10 de julho de 2007

Confiar?!

Confiar?!
Como fazê-lo?
Confiar?!
Como, face ao desespero,
ao inexplicável,
ao sentimento que de tão intenso,
quase aniquila?
Confiar?!
Que interpretar
perante o quotidiano,
o inesperado,
o inacreditável?
Confiar?!
Que significado tem o sentimento
face ao inusitado,
ao impossível,
ao estranho emergente?
Confiar?!
Que fazer quando tudo indica
que se está ultrapassada,
quando se sente
que afinal, nada se vale?
Confiar?!
Como?
Se a vontade é morrer?
Se há dó de mim mesma?
Se a duvida se instalou?
Se a vida é um fardo?
Se a verdade é aparência?
Se...

Faça o que fizer,
que é do reconhecimento?
O valor é o mesmo,
e a medalha de mérito,
...
Confiar?!
Como???? Para quê????

Princesa Desalento



Minh'alma é a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
É magoada, e pálida, e sombria,
Como soluços trágicos do vento!

É fágil como o sonho dum momento;
Soturna como preces de agonia,
Vive do riso duma boca fria:
Minh'alma é a Princesa Desalento...

Altas horas da noite ela vagueia...
E ao luar suavíssimo, que anseia,
Põe-se a falar de tanta coisa morta!

O luar ouve minh'alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra duma cruz à tua porta...

Florbela Espanca

domingo, 8 de julho de 2007

Como?

"Mas quem pode livrar-se por ventura
Dos laços que Amor arma brandamente
Entre as rosas e a neve humana pura,
O ouro e o alabastro transparente?
Quem de uma peregrina formosura,
De um vulto de Medusa propriamente,
Que o coração converte, que tem preso,
Em pedra não, mas em desejo aceso?"


Luis de Camões

Hoje e sempre

"Quando penso no mar, o mar regressa
A linha do horizonte é um fio de asas
E o corpo das águas é luar;

De puro esforço, as velas são memória
E o porto e as casas
Uma ruga de areia transitória".




Vitorino Nemésio

sábado, 7 de julho de 2007



Mozart's Requiem part 1

Nãooooo!!!!

Nada mais interessa mesmo...
Pronto...
Para quê continuar...
Nada mais vale porque tudo é ilusão,
presente ausente com promessa que esvai,
num futuro que não é,
ficando passado que dói...
Não! Chega!...
Não quero mais!...

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Chegar a Ti

Ou...

Não sei por que razão decido desistir de vez, baixar os braços e parar e, a meio do percurso, arrepio caminho contra a decisão...
Que razão escondida me orienta nesta luta sem tréguas?
Que lógica me governa neste desejo profundo de sentir o usufruto da cumplicidade e da partilha?
Que norte me guia neste zig-zag racional?
Que loucura me alimenta nesta esperança de felicidade, nesta metáfora de sintonia?
Que ilusão comanda a minha vida neste incumprimento de coerência, nesta instabilidade inóspita que me desgoverna e me faz sofrer?
Quantas dúvidas por responder, por esclarecer, por compreender...
Eis-me retalhos de ser, e flocos de parecer...

Aprender sempre

Os desafios proporcionados,
implementados, criados,
são motivo de aprendizagem,
são superação contínua,
"local" de partilha,
finalidade mais além
que num profundo rasto,
persegues buscando o ideal,
a ultrapassagem do mediano,
encontrando a cada passo,
alternativas credíveis,
resoluções criativas,
percursos/processos inovadores...

Reconheço a ignorância
face ao modelo...
Na soberana presença do mestre,
sou autêntica criança,
confiante e crédula,
e discípula assumida.

quinta-feira, 5 de julho de 2007

E, ainda assim...

Descobrir-te na ilusão do presente,
descrever-te no reflexo do passado,
registar-te na promessa de um futuro,
olhar-te no impasse do dia,
cantar-te no segredo do tempo,
sentir-te na presença do norte,
definir-te na esperança da vida
dizer-te no orgulho do ser,
seduzir-te na certeza da morte...

E, ainda assim...

Querer-te no silêncio da voz,
acariciar-te na verdade da manhã
beijar-te no arco-íris do sonho,
desejar-te na intenção do querer,
amar-te no desalinho da noite...

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Still Loving You

Desabafo

Je t'aime

Querer e não querer...

Queria ser outra de mim mesma, em cada instante que me descortino tão intensamente terrena, tão previsivelmente humana, tão insaciavelmente criança...
Queria em cada segundo do meu existir para ti, reconhecer-me na tua mensagem, reflectir-me na tua decisão, rever-me no teu orgulho...
Queria nos espaços em que te imagino e te invento, dar-me conta do quão intrusa posso ser, de quanto inoportuna me apresento e me confundo com medo de não ser...
E em cada noite madrugada que incólume me aceita e me acolhe na limpidez da página virgem que se me oferece, reinvento-me outra diferente, ainda que com os mesmos trages e as mesmas crenças inconfundíveis que transporto nos genes do desejo que enfrento até se fazer sol, na manhã de um outro dia. Aí socumbo uma e outra vez mais à sedução dos teus encantos e afundo-me novamente nos tormentos da paixão, querendo e não querendo, sorrindo e chorando, amando e sofrendo, chegando a sentir náusea de mim mesmo...

terça-feira, 3 de julho de 2007

Es Mejor Vivir Asi

Confiar: palavra de ordem

Tudo na vida é dádiva...

Gratidão é o sentimento nutrido
pelas dádivas que foram sucedendo,
especialmente nos últimos anos...

Serenidade é o sentimento face ao futuro.

Confiar, a palavra de ordem
que fez olhar a vida n'outro prisma:
acreditar, é o lema,
esperar, é minha convicção,
intuir, é natureza,
amar, é minha condição...

segunda-feira, 2 de julho de 2007

domingo, 1 de julho de 2007

sábado, 30 de junho de 2007

Sorrio, apesar de ...

Sorrio, apesar
da inutilidade da vida,
da impossibilidade de ser,
da tristeza da solidão,
da angústia do desapego,
da insuficiência do desejo,
da falta de carinho,
da inexistência do amor,
da desilusão do outro,
do desânimo da vontade
do desgaste do entusiasmo
do desacreditar na humanidade
da desistência de ser feliz...

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Como?

Como idealizar metáforas de esperança?!
Como sair do beco sem saída?!
Como afogar a mágoa?!
Como sobrepor-me ao imediato?!
Como desfazer o aperto, o nó?!
Como entrangular o constrangimento?!

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Chorei(te)...

(Re)lembrar o passado, (re)viver os fios suspensos que entrelaçaram a vida, as vidas, (re)ler textos em que se expuseram sentimentos, emoções, desejos, foi o trabalho do serão de hoje.
(Re)mexer, fez doer...
É difícil contar histórias quando nelas há interstícios da nossa estória.
Mas as etapas ultrapassadas, os pontos de chegada, as expectativas, são estadios de crescimento e, as cicatrizes servem para (re)lembrar, (re)ter ensinamentos...
Apesar de tudo a melancolia envolveu-me e não resisti à saudade: chorei...
Chorei(te)!...

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Sedução e conquista

Quando o amor resiste
saltando em riste,
e não desiste,
provoca o despiste,
mas ainda assim insiste,
e em desejo consiste,
é necessário amar...
E mais ainda se persiste,
num deslumbre encantado.
Sedução e conquista,
de querer viver,
a doce ventura
de um pleno amanhecer,
que não tenha de se contentar
com poucochinho...

terça-feira, 26 de junho de 2007

Semana do dizer bem

Aderi também a esta iniciativa proposta e quero aqui dizer bem e agradecer a existência de tantos sítios interessantes que nos fazem crescer e ver o mundo de uma outra forma. Obrigada por existirem e me permitirem crescer com o V. contributo. Um bem haja especial ao Correio da Educação e ao seu Director por mostrar como se clareiam alguns dias...

segunda-feira, 25 de junho de 2007

A interiorização do encanto

Ouço e vibro.
Vejo e sorrio.
Imagino e suspiro.
Penso e confio...
Quero manter-me fiel
à estranha loucura
que a ti me une
(e ao diverso),
à doce ilusão
de me sentir querida,
à certeza íntima
de me saber complemento,
à razão segura
de me reconhecer cúmplice,
à magia envolvente
de ser companheira...
O espelho devolve confiança,
na lembrança do percurso.
Assumo o sentir,
a interiorização do encanto,
labareda (re)acesa,
no espanto do querer,
no frémito do acontecer...

domingo, 24 de junho de 2007

Love Hurts

sábado, 23 de junho de 2007

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Norte assumido

Constelações.
Conjugações.
Interacções.
Ligações inusitadas,
deslumbradas.
Cumplicidades assumidas,
desajeitadas, omissas...
Feed-back inexistente.
Desempenho sem fio-norte,
ao sabor da corrente,
à deriva pelo poente.
Destroçada pelas escolhas,
plenas de ambiguidade,
imbuídas de dúvidas,
destituídas de força,
sou timoneira assumida...
E, estarei sempre lá,
quando for preciso
e tu me queiras,
do outro lado das fileiras,
mesmo que isso seja
o desafio maior,
do tamanho do mundo:
tomá-lo-ei como via
para a minha salvação...

Pranto, por mim e ...

"Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas"

Sophia de Mello Breyner, Livro Sexto, 1962

Copiado do Blog Terrear de José Matias Alves

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Momentos difíceis...

Acreditar é difícil quando o deslumbramento que se observa, é tão notório...
No entanto continuo a acreditar plenamente, apesar das revelações que por vezes ocorrem...
Acredito assim mesmo, apesar de às vezes me sentir completamente "tola" e sem jeito...
Nos momentos de maior solidão, pergunto-me se não estarei totalmente enganada...
Vivo um momento de profunda solidão.

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Dúvida corrosiva...

De novo a dúvida que corrói,
magoa, aniquila...
Preciso de reforços,
de colo e de mimo...

terça-feira, 19 de junho de 2007

Hello

Reavivo o gosto do chocolate


Reavivo o gosto do chocolate,
imaginando-o derretido,
sofregamente lambido,
gostosamente saboreado.
Treino as letras frente ao espelho
e sorrio antecipando o frémito,
o desejo levado ao rubro,
o corpo em desalinho...
Delicio-me...
Sinto o formigueiro invadir-me,
melhor que o torpor,
mais agradável e prazeiroso
do que a brisa em dia de calor...
Renovo a memória do cheiro.
Inspiro profundamente
e sinto o desejo crescente,
em catadupa, até à explosão...
Relembro, em flashes, alguns momentos,
reavivo memórias,
cujas emoções guardo, com afecto...
Resumo a espera à expectativa,
ao devir que em delirio anseio,
pronta para a reconciliação serena,
consequência do querer saciado,
Descortino realização plena...

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Superação...

O filtro com que vejo a vida,
dá-me o disforme,
o não organizado...
Troco o humor e observo:
o mundo reflecte-se,
dominando o preto e o branco...
O medo inibe-me:
não contemplo o arco-íris...
A insegurança assusta-me,
impede o vislumbre
da claridade das cores...
Descubro, consciente
o mote da revolução do eu!...
Defino-me, qual fénix renascida,
destacando minha ambição:
serei superação de mim mesma,
eis o meu objectivo de vida,
minha defesa...

I Believe in You

domingo, 17 de junho de 2007

Pobre coração...

O coração não aguenta tanta emoção...
E, o aperto, e a formigagem, e o suspense e a saudade?!...
Pobre coração, assim não resistirás por muito tempo...

sábado, 16 de junho de 2007

Será isto o envelhecer? (II)

Mais um final e com ele o balanço que se impõe. Na hora de avaliar, tudo vem, tem de ser...

A vergonha sentida perante alguns procedimentos, alertam-me para a necessidade da
serenidade e para a exigência de repensar as actuações e o desempenho de forma mais profunda, procurando encontrar razões escondidas para as acções...

Questionar-me, também faz parte: Que aprendi em tantos anos de experiência e vida? Como tenho interiorizado experiências de aprendizagem? Como auto-regulo os fracassos e os êxitos? Cada vez me conheço menos e me descubro com mais dúvidas, porquê? Seria suposto ser assim?

Se fosse ao menos capaz de escrever sobre essas aprendizagens, teria ideia clara e racional do que me constitui por dentro...

Tenho sentido na pele o que costumo dizer aos meus jovens alunos: Crescer faz doer, tanto quanto o pensar...

Eis-me, de novo, em fase de mudança... Novo ano se aproxima perspectivando vida nova pelo "calo" formado no (per)curso/processo individual que forçosamente terá
repercussões no meu trabalho e no das equipas...

Sinto e sei que se não fossem algumas raízes que me prendem à terra: ser mãe (filhos - o meu orgulho) e amar (a minha paixão - meu encanto/sonho), aliadas aos ideais que o trabalho me proporciona, "socumbiria" fácil, fácil...

Apesar dos pesares, sinto-me serena. Tal sentimento amedronta-me, por um lado, mas por outro, descansa-me... Será isto o envelhecer?

Only The Lonely



Roy Orbison

Crying



Roy Orbison

La copa de la vida

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Us and them

Não sei para onde vou...

Não sei para onde vou (se é que vou) e nem por onde...
Também não sei se vou por aí ou por outro caminho qualquer...
Sei apenas que não sei...
Mas, tenho uma certeza inquestionável: perecerei um dia.
Lamento não conseguir organizar-me a partir dela...

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Espasmos opressores

Entranhou-se-me a tristeza... Por inúmeras vezes tentei respirar e vir ao de cima, mas afoguei a mágoa na urgência de um dormir continuado, sem quaisquer outros sinais ou afazeres...
Dói-me a alma. O espírito está oprimido como quando os meus filhos passaram pela sala de operações, ou como quando, antes, muito no início, tinha que ir a uma reunião geral de equipa, com o chefe...
Acabrunhada, indefesa, qual criança sem colo, sinto o aperto que me envolve... Desanimo. E, este desânimo profundo, com garras de vampiro, segura-se-me à pele, qual cola densa, viscosa...
São levas de ondas cuja intensidade provoca espasmos opressores que me enlaçam e entalam a vontade, não me deixando ser...

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Estulta solidão que me destróis...

Abraço a escolha inconsequente,
pela inglória esperança de ser
outro sentido, no cansaço do sentir
destituído de referenciais,
e de outras coordenadas,
supostamente alteradas,
completamente ultrapassadas,
pela cumplicidade prometida,
em sorrisos de ambiguidade,
ora demasiado atrevidos,
ora altamente recatados,
num puro esconde-esconde excitante,
premente de insinuação e desejo
camuflado, indefinido: "(in)assumido"?.

Estulta solidão que me destróis,
em passos aziagos e dementes,
fruto de inexistentes confissões
e de impensadas conjugações,
plenas de indesejáveis tormentos...

terça-feira, 12 de junho de 2007

Degredo quase obsceno...

Procurei-te no teu canto
e, nada vi por ali,
nem teu cheiro senti...

É quase obsceno
o degredo que me aniquila,
tensão que me subjuga
ao intervalo da afeição...

Novamente triste,
pela dor que me afronta,
no deslize do meu sonho,
no ansiado encontro...

Foges acompanhado,
dando a "volta por cima",
no lúdico desabrochar
da torrente em que afundas,
este imenso calcorrear...

Invento-te em cada canto,
sempre que te penso
e não te vejo,
em vão, querendo um beijo,
bálsamo do meu desejo...

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Inteiro em meu roteiro primavera

Quisera ultrapassar barreiras,
caminhando nas clareiras
que surgem estrada fora,
sob a sombra tranquila,
das verdejantes veredas,
em que me encontro,
e quero intensamente viver...

Quisera simplesmente escutar
a voz que teima em brotar,
rompendo o estranho véu,
que me esconde e confunde,
por exigências grosseiras,
distintas das prazenteiras,
atrofiando este meu eu...

Quisera ser ao de leve,
mansa e plenamente,
na concreta melancolia,
que a vida me confia,
e às vezes me impele e me concede
ser essa e outra ainda,
mais completa, menos desavinda...

Serás também vereda de jardim
que terei só para mim,
em algum dia, talvez,
assim o creio e espero,
já que te descobri inteiro,
nesta primavera impensada,
em meu roteiro, amante, companheiro...

domingo, 10 de junho de 2007

Enya - Wild Child


Tradução
"Feche seus olhos,/Pare e escute,/Sinta-se vivo/E você não estará deixando escapar nada./Você não precisa de um motivo,/Deixe o dia prosseguir sem parar...
Deixe a chuva cair/Por todo lado ao seu redor./Renda-se a isso agora,/Deixe o dia te rodear./Você não precisa de um motivo,/Deixe a chuva prosseguir sem parar...
Que dia, que dia para se apreciar!/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa...
Apenas arranje tempo/[longe] do tumulto,/Cada dia você descobre [que]/Tudo está em equilíbrio./Você não precisa de um motivo,/Deixe o dia prosseguir sem parar...
A cada sol de verão,/A cada anoitecer de inverno,/A cada primavera por vir,/A cada outono que vai embora./Você não precisa de um motivo,/Deixe isso tudo prosseguir sem parar...
Que dia, que dia para se apreciar!/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa...
Que dia, que dia para se apreciar!/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Da-da-da Da-da-da-da-da-da/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Da-da-da Da-da-da-da-da-da Da-da-da Da-da-da-da-da-da/Que caminho, que caminho para se percorrer!/Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa.../Que dia, que dia para se apreciar,/Uma criança impetuosa..."

sábado, 9 de junho de 2007

Será isto o envelhecer?

Queria que este meu desalento,
fosse nuvem passageira,
que se fosse com o vento,
este desacerto e desajuste
bolorento,
capaz de desassossego,
disforme de imberbe,
pelo cansaço profundo,
do embaraço senil
que determina o desânimo
e nem a ovação inocente,
nem o trabalho clemente,
constroem/consolidam libertação...
Devia sorrir, (sei disso),
perante o esforço expresso,
assertivo,
que se evidencia
na realização das mostras,
dos desempenhos percursos
e dos ganhos, mais valias,
boas práticas, recursos,
balanços de excepção,
nos "produtos" de gratificação...
São o meu reflexo, eu sei.
Mas, perante o desalento,
o cansaço acumulado,
este torpor nefasto,
oprimente, sem igual,
angustiante,
que poderei fazer
senão "este" escrever?...
Será isto o envelhecer?
E, se o feed-back surgisse!...
Quem sabe acreditaria ainda,
lembrando a caixa de Pandora...

Love it self

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