sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Choro a saudade de ti

Na envolvência da manhã,
despida de vontade,
acabrunhada com o sonho,
saio desnorteada.
A brisa envolvente,
lembra o segredo,
o bálsamo encontrado,
derramado na sedução
do desenvolto suspiro.
Entrego as armas,
esconjuro os mexericos,
organizo o futuro,
escrevo as decisões,
(re)desenho a esperança.
Aquando do regresso,
choro a saudade,
silenciando o desejo
e a vontade de fugir...
Sigo entretanto viagem,
em cada dia de mim,
sem o sorriso de ti,
infelizmente ausente...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Que alento, que ânimo?

Sonhei contigo sim,
mas o escuro da noite,
fez-me ter medo da vida,
e o corpo desapareceu,
no breu denso do sono,
esfumando o desejo...
Tenho medo de te não ter,
de não saber mimar,
de te perder,
mesmo sem ter ganho,
mesmo sem aquele laço,
sem o sorriso seguro,
sem a face firme,
de quem contempla o céu,
e integra o sol,
para lá do horizonte...
Quero-te tanto,
que a desdita é pranto,
na expectativa da vida...
Que entusiasmo?
Que alento, que ânimo?

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Quero-te tanto

E o cheiro,
e a pele?...
E no doce olhar
(transparente,
inseguro,
trémulo,
perplexo,
sedutor),
a vontade,
o desejo
de te beijar.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sonharei contigo

Sonharei contigo uma vez mais,
meu rapaz dos vendavais,
dos abraços fraternais,
de cansaços triunfais...
Sei que sonharei ainda, contigo.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Desejos de encantar

A rede de malha curta,
apanhando o inesperado,
enquanto o imprevisivel
acontece em suspenso,
de olhos fixos atónitos,
estupefactos, pasmados,
incapazes de aceitar
a complexidade do simples.
Nesta rede de suspiros,
verdejantes aturdidos,
constroem-se desacertos,
desgraças de sentir,
ânsias de desesperar,
desejos de encantar...

Quantas vezes...

Quantas vezes, ao ler-te, percebi que o sentido da vida é bem menos compreensível porque nos virámos costas?... Que nada mais vale quando jogamos para o alto o desejo de fluir, a vontade de realizar, o sonho de acontecer?...
Quantas vezes, ao ler-te, me dei conta que deixei do lado de fora a esperança de ser feliz porque queria isso contigo?...
Quantas e quantas vezes, ao ler-te, verifiquei que a desilusão não arrancou de mim o sentir, o querer, o calor, o sabor e o saber-te a "outra face da moeda"?...
Quantas e quantas vezes, ao ler-te, reconheci a cumplicidade, a partilha, a expectativa e também o silêncio, a ausência, o desespero, o sofrimento, o vazio de ser?...
Quantas e quantas vezes, ao ler-te, pretendi interpretar e infelizmente chorei porque incapaz, não percebi, não entendi, não compreendi?...
Quantas e quantas vezes, ao ler-te, decidi esquecer-te e não mais lembrar sonhos ou inventar esperanças?... Mas fechar a porta seria o mesmo que fechar os olhos, caminhar sem orientação, fugir sem ter para onde...
Quantas vezes te odiei por te amar e me detestei por te querer, sem conseguir ultrapassar, sem ter razão para viver?... Quantas, quantas vezes?...

domingo, 9 de dezembro de 2007

Ignóbil veleidade

Voa o pensamento,
lembrando o sorriso,
as mãos, o mimo;
lembrando o silêncio,
o desejo, a vontade
e a veleidade do ser;
lembrando o rubor,
e a certeza do sentir,
o torpor da paixão...
Bebendo a força,
na expressa sensação,
do saber da razão,
do querer fazer acontecer...
Em demência prematura,
esperando com saudade,
a verdade de então,
feita falsidade agora,
presa à sagacidade,
da ignóbil veleidade,
do sentido da emoção.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Encantamento

Encanto, sedução, fascínio.
E o desejo? Tão intenso!...
E o sorriso? Tão sincero!...
Confiar, acreditar, esperar,
verbos novamente conjugados,
numa cumplicidade tácita
de entusiásticas partilhas,
em enunciadas convicções,
tranquilamente aceites
e completamente assumidas.
E, o caminho a crescer,
numa descernida vereda ,
delineada com firmeza,
em silêncio a acontecer.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Dizer não e sorrir

Tudo está a ruir,
paz podre a fluir,
cada qual a camuflar,
seu sentimento,
a esconder a pressão,
denunciando o não,
que se avoluma.
Voltar costas, sair,
para não desiludir,
para não expôr,
a desilusão, o desamor,
a falta de solução.
Sair para fugir,
para dizer não,
sem deixar de sorrir...

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Eu sei...

Vontade de ser...

(Re)bola a bola no relvado fresco,
(re)acende-se o lume na fogueira acesa,
transborda a água da margem,
reflecte-se nela a lua brilhante,
e a noite abre-se num clarão distante,
de inúmeras sinfonias criadas,
que transmitem a magia da emoção,
no enlevado sentir do coração...
Aí vou eu sem olhar para trás,
transportando no peito o querer,
e nas mãos a vontade de ser...
Quero tratar da minha rosa,
dedicar-lhe todo o tempo do mundo,
deixar-me cativar e cativar também,
na doce libertação que o amor tem...

Marejar...

Alvíssaras pela partilha,
e também pela confiança...
Surpresa uma vez mais...
Não compreendo o marejar,
apenas sei do que me lembro,
e da vontade de te abraçar.
(Re)vejo o medo em teus olhos
e sinto uma raiva muda surda
por não te poder provar
que é maior que eu,
este desejo que tenho de abafar...

sábado, 1 de dezembro de 2007

Confiar é outro patamar de ser

Confiar, é palavra mágica que permite discorrer e partilhar cumplicidades. Palavra que possibilita a troca de pontos de vista e ideais que orientam, abrindo caminhos de luz pela segurança que transmitem...
Confiar, é saber e sentir (ainda que a muito custo pela convivência desgastante com quem não se enxerga) que vale a pena sorrir...
Confiar, é compreender que há conversas que são bálsamo, acabando por sentir que de facto a vida tem algum sentido...
Confiar, é andar sem parar. É caminhar fazendo o acontecer. É crescer no fio da navalha para perecer um dia, longínquo, com a certeza da tarefa concluida...
Confiar, é intuir um outro patamar de ser que se reflecte na serenidade com que damos a volta por cima e na certeza com que abraçamos a vida...

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Madrigais intrépidos da existência

Ainda que o agora presente não possa ser senão logo, depois ou amanhã, estarei sempre aqui, ainda que em silêncio ou aparentemente ausente... Aguardarei pacientemente pelo dia do reencontro. Enquanto isso, em silêncio, rasgo com palavras as páginas imaculadas deste diário onde discorro fantasias e estranhas sinfonias que alimentam os voos da minha imaginação. É a esperança que desliza pelas frestas do sentir, reactualizando emoções na magia do sonho que me guia e orienta nos madrigais intrépidos da existência...

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Silêncios feitos desabafos... Palavras...

"A palavra enquanto mensagem, segundo BAKTHTIN (1995), é uma estrutura pura, complexa, que o homem utiliza na sua prática, distanciando o receptor da essência da mensagem que pode ser feita de palavra escrita, falada, cantada, desenhada, pintada, tocada, cheirada, vista, gesticulada, saboreada ou, simplesmente, sentida."

Na voragem dos dias, tudo é coisa nenhuma.
Com ligeireza, adiamos família, amigos, amores, afectos. Deixamos esses entretantos para uma qualquer melhor oportunidade, para um mais adequado e pertinente momento de vida. E, caminhando em passo apressado, corremos contra o tempo, ultrapassando-nos a nós próprios, convencidos de que a meta se encontra ainda lá, naquele espaço de esperança que idealizámos quando ainda crentes adolescentes, humanizados pela certeza de que o amanhã é sempre melhor do que o hoje e seguros que a mudança é sempre portadora e promotora de benefícios e realizações. E corremos lestos pensando que chegaremos a algum lugar...
Eis senão quando, de repente, num fim de tarde qualquer em que o sol começa a esconder-se no horizonte, deixando as suas marcas completamente visíveis, mesmo antes do escuro manto da noite cobrir o mundo fechando o dia, a memória se atravessa subrepticiamente, surpreendendo-nos no âmago da nossa imensa sageza e também no mais profundo da nossa ignorância. É memória mágica, encantada, doce, sedutora que se transfigura e se transpõe para uma memória mágoa, memória luto inacabado, somente balbuciado, feito presente ausente. Memória pungente de silêncios não paridos, grávidos de metafóricas representações não expressas, ausências de palavras, de partilhas, de cumplicidades, de celebrações...
No fundo vem alertar-nos para a certeza de que a saudade é sentimento comum em vivências consensuais de partilhas triunfais, deixadas ao sabor do vento... Vem dizer-nos que há outros como nós que choram em silêncio o que a nós também dói.
Afinal, é a mensageira da solidão em que todos desembocamos. Somos os remorsos de silêncios e de ausências que emergem nos antipodas racionais pela circunstância de estarmos sós e também da vergonha por ir contra a natureza humana que nos distingue pela vivência conjunta que sistematicamente igoramos e silenciamos. Vergonha do que não fizemos, tanto quanto do que não demos e não estivemos. Constrangimento de nos reconhecermos inumanos pela consciência da essência que inconsequentemente olvidamos, não cedendo ao que orgulhosamente controlamos, regulando o jogo com regras de ice player encartado...
Inútil vergonha, vão rebate de consciência! Se por acaso nos permitisse ao menos comunicar, nos exigisse e obrigasse a parar, a partilhar!...
Mas não. Caminhamos apressados estugando o passo para o nosso canto, reengolindo o grito até mordermos as mágoas, mastigando as raivas num refúgio inaudito. Deixamos então que algumas lágrimas grossas deslizem, consentidas, pelo leito já bastante sulcado e perfeitamente definido, cumplices dos soluços entrecortados que por breves instantes produzem espasmos contrafeitos em intervalos regulares de sofrimento incontrolado numa torrente forte que o fosso provocou...
Porém, são apenas breves instantes que rapidamente expurgamos fugindo apressadamente de um caos que pretendemos ordenar. Claro que não temos tempo e não aprendemos nada... Apenas queremos fugir... Como se pudéssemos!...

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Amor universal

Se acreditar é o lema,
e até já o escrevia a pena,
tudo irá melhor, certamente.
Tal como os olhos da paixão,
vêem tudo cor-de-rosa,
com a positividade,
o mundo será de outra cor,
passando tudo a ter
um novo e melhor sabor.
A serenidade e a firmeza,
serão de facto a chave
dessa contrastante beleza.
Mas, para que isso aconteça,
é necessário outro saber,
outra maneira de apreender
que ocorra em cada amanhecer...
Os olhos que assim vêem,
trazem a chama consensual,
de um amor universal.

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Deixar de te querer...

Ainda tenho que penar
se quero crescer,
se etapas vou queimar,
e não quero padecer.
Percorro em esforço,
um caminho turtuoso,
ando três, desando dois,
batalho com altivez,
sentindo cansaço depois...
Superar-me, eis o lema,
encontrando outro poema
quando for outra mulher.
Isso será certamente,
quando apenas inteligente,
dexar de te querer,
sem me esforçar...

domingo, 25 de novembro de 2007

Silêncio ensurdecedor

Tamanho é o mutismo
que quase é greve de som.
É silêncio ensurdecedor,
vazio desmotivador.
E, uma lágrima teimosa,
rola pela pele rugosa,
cansada de esperança,
presa ao sabor da dança,
que imaginou um dia possível,
mas depressa imprevisível...
Levanto o rosto do chão,
olhando a lua no alto,
e confesso em primeira mão,
a afronta e o desalento,
pela confiança nutrida,
num ser íntegro e honesto
que despertou emoções,
deixando-me desiludida,
pelo desacerto funesto,
em que se tornou a minha vida...
Contudo, ando para a frente.
Mas o coração está atrás,
e o sentimento é mordaz,
sempre que a minha mente,
relembra a doce ilusão,
de confiar plenamente,
num homem desconcertante...

Um dia, sem melancolia...

Violenta a derrapagem,
saudosa a mensagem
que se colou ao desejo,
aquele que sempre vejo,
quando reparo em ti.
E as noites longas,
são mais suportáveis,
quando subreptícia me toco
sentindo-te a ti...
São carícias insaciáveis
que regulam o deserto
em que a vida se tornou...
Espero-te ainda assim,
quentinho ao pé de mim,
um dia, sem melancolia...

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Coming Around Again

Sinto...

Sinto tanto a ausência de contacto,
o reforço e o sorriso franco,
que um dia me mimaram sorrateiros,
que já os membros se me adormecem,
no cansaço em que se entorpecem,
numa passividade coagida sem letreiros.

Vi teus olhos densos tão claros,
de novo frescos, se calhar até avaros,
com resquícios de amizade e compreensão.

Voltei a sonhar com a tua companhia,
a ter a certeza de que a sorte me sorria.
Porque sinto tanto prazer na tua sedução?!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Persistências...

De que vale a consciência de tudo isto
se em cada silêncio persiste o abandono,
o vazio da ausência de sentido?!
E olho-te e vejo escolhas anónimas,
que já não entusiasmam nem brilham,
apesar das esperanças condóminas,
dos projectos que ainda se partilham...

Dói-me a solidão

Sem que ninguém veja, escondo compulsivamente a tristeza de me saber sózinha, de me sentir vazia e completamente perdida... Dói-me a solidão...

quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Não queria sentir assim...

Em cada desafio que se coloca,
surgem mostras de fadiga,
de provas inolvidáveis de fraqueza,
de cansaço e profundo desalento,
de quem suporta nos ombros,
o peso da solidão e do afastamento.
Não queria sentir assim,
sozinha e sem valores de eleição,
vãmente escaqueirados nos dissabores,
e nos desamores dos corredores,
que apenas aparência são...
Não sei se vale a pena lutar
por dias melhores em cada manhã,
quando em cada tarde,
novo revés irrompe em roda pé,
afundando um pouco mais o bote...
Creio que tudo me indica o fim,
a conclusão de que só a vontade,
não vale e é debalde a frota,
de que o entusiasmo não chega,
de que a esperança é letra morta...
Sinto-me soçobrar na rota da convicção,
pela ficção que se afirma plena,
no faz de conta que se enxerga...
Que excelência? Que alta competição?
É que nada disso já se observa...

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Um dia...

Um dia, se o dia ainda se mostrar com tempo, esperarei uma explicação, uma apenas, plena de autenticidade, absolutamente singular e verdadeiramente humana. Hei-de olhar-te bem nos olhos, bem lá no fundo do coração, de mansinho, sem qualquer solicitação, adivinhando razões, sentimentos que para além dos talentos, não sejam também desilusão. Hei-de colher respostas para perguntas que jamais verbalizei, questões que amachucam persistentemente os dias de sonhos amarrotados, desfeitos, cansados, perdidos nos lagos alinhados, construidos pelas águas de levante que escondem abruptamente as cicatrizes mal soturadas, ainda frescas de tão profundas e tão mal saradas porque insaráveis de insatisfeitas... Ainda hei-de ser capaz de vislumbrar nos teus olhos, os segredos de menino, cujos medos se esgueiram defronte dos passos lassos que o quotidiano desvenda e apresenta, feito aço de fugir, para impedir males mais insondáveis, também notáveis porque inebriantes de desconcertantes, pela amoralidade (in)desejada. Ainda, espero eu, descortinar o que se escondeu, num véu apenas teu, amordaçado, subjugado ao mais elementar poder de não querer, por querer muito, enfiado num silêncio sepulcral, aliviando o mal que a "superação" provocou... E, hei-de então ser capaz de secar as mágoas e caminhar, de novo, em busca de novos horizontes, de novos amanheceres, de outros voos em outros entardeceres, mesmo que somente no crepúsculo...

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Viver é estabelecer pontes

Amarga a vida,
apesar do doce sonho,
que saboreia esperança,
e vislumbra mudança,
com fé e aceitação.
Baixar os braços,
esperar com paciência,
que as dores se vão,
lavadas pelas águas,
que brotam do coração.
Aceitar perseverando,
na temperança do devir,
velando pelo acontecer,
dos rebentos a florir.
Manter janelas abertas,
nas clareiras do sentir,
reverdejando as fontes,
em suave descernir.
Viver é estabelecer pontes,
elos, nexos, laços de cingir,
é oferecer sorrisos, abraços,
desenhar correntes de unir.

sábado, 17 de novembro de 2007

Simplesmente mulher

Sou do tamanho do que vejo,
do que sinto e intuo.
Sou refúgio benfazejo,
novelo de restrições.
Sou vontade de saber,
complexo de confusões.
Sou silêncio mesclado,
saturado de emoções.
Sou entusiasmo perdido,
no desejo escondido.
Sou saudade reflectida,
na experiência vivida.
Sou de condição humana,
ternamente apaixonada.
Sou simplesmente mulher,
infelizmente não amada.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

Já não há vontade

Momentos derradeiros,
inúteis canseiras,
desilusão tamanha,
valente decepção,
de enorme frustação,
que já agonia,
e cuja energia,
está destruida.
Valente desilusão,
angustia brutal,
desejo final,
de paragem estoica,
na serenidade banal,
dos inúmeros desacertos,
pelos esforços inglórios,
desajeitados e sãos,
mas apenas provisórios.
Já não há vontade,
nem desejo de desafio...

(Re)converter demências...

Batalhar retiros,
encontrar desvios,
desejos bravios,
de intensos desafios,
que suplantam as margens
que nos comprimem,
que em cada esquina,
por etapas sucessivas,
confinam o livre arbítrio,
limitando o ser ao parecer...
Amarrotar papéis,
cujos estatutos,
galgaram fronteiras
de muitas maneiras,
nem sempre as mais fieis...
Regressar ao princípio,
esquecendo a infãncia,
despir o feitiço,
largar a ancora,
retomando o porte,
e com ele o norte,
destituído de magia,
privado de emoção,
sem elos do coração...
(Re)vestir nuas memórias
enfarpelar estórias
(re)converter demências,
descodificar aparências,
(re)inventar esperanças...

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Inventar amor...

Quem eu quero,
não me quer.
Quem me quer,
mandei embora.
Ficar sozinha?
Que fazer agora?!
Amarrotar o sentimento
(não a roupa nu(m) abraço
que não chega mais).
Amarfanhar a paixão,
banir o desejo,
camuflar a sedução.
Virar costas à solidão.
Abafar, esconder a dor,
silenciar a mágoa,
sair de mansinho.
Inventar amor...

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

Fugir para não soçobrar

Pelo canto do olho,
observei, dei conta de ti,
do teu fleuma, da tua segurança,
e também da confiança,
que os gestos reflectem,
como se fossem raios de sol,
nas águas tranquilas,
de um lago qualquer.
Olhei-te bem nos olhos,
sentindo o coração pulsar,
e a vontade de te abraçar
tolheu, paralisou-me...
Senti a onda de solidão
que determinou a queda...
Insisti na presença mas,
foi mais forte do que eu,
a vaga que me entonteceu.
Que fazer?
Fugir, para não soçobrar,
por que não?...

domingo, 11 de novembro de 2007

Ah, só eu sei...

Ah, só eu sei
Quanto dói meu coração
Sem fé nem lei,
Sem melodia nem razão.

Só eu, só eu,
E não o posso dizer
Porque sentir é como o céu,
Vê-se mas não há nele que ver.


Fernando Pessoa

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Quem pode dizer para onde vai a estrada?

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Desassossego e vãs memórias

Devolvo o sorriso brilhante,
apesar da tristeza arrasante
e do remanescente despeito,
que transporto no peito,
pela ausência de reforço,
e a inexistência de conforto,
na solidão da presença fria,
na áspera desarmonia,
que a tua voz denuncia...
É metálica a proximidade
que desanima e atrofia,
destruindo encanto e magia,
que a quimica (pre)anuncia,
mas a razão desvirtua
e ensombrece a ternura...
Tenho dó desta agonia,
que estranhamente amofina,
desenhando no horizonte,
sentimentos ambivalentes,
vontades contraditórias,
revezes duros, emergentes,
desassossego e vãs memórias...

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Pasmo...

Pasmo perante a ousadia,
perante o arrojo,
na audácia descarada,
de ser e de parecer
que se imbricam
e se multifacetam
num reflexo de azimute,
sem verticalidade,
com convivialidade
e com cumplicidade,
em protagonismos reais,
nos alarves comensais,
que se denotam impessoais.
A intuição aguçada,
manifesta maior doer,
por ser capaz de antever,
o que se esconde à socapa...
Quanto desplante,
quanta humilhação...

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Que é da poesia?

Que é da poesia,
neste relato incerto,
neste desumano deserto,
despido de sensibilidade,
sem conforto e humanidade?
A supremacia da razão,
ocultando as maresias,
que de tanto se expraiarem,
em espasmos valentias,
se resumem e harmonizam
em eternas sinfonias,
que se entrecruzam
em nus silêncios profundos
de sobressaltos dançantes,
plenos de diamantes.
Que é da poesia?

Como...

Como fazer o luto,
na presença do defunto?
Como querer serenidade,
se não abona a verdade?
Como cantar emoção,
se o quotidiano é solidão?
Como mostrar sorrisos,
se tanto falham os amigos?
Como sentir paixão,
se o presente é desilusão?
Como sonhar com amor,
se a realidade é torpor?
Como desejar felicidade,
se a vida é só saudade?

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Pretensões

Pretendo:
Desistir de lutar
por um lugar ao sol
(afinal a sombra também
pode ser acolhedora);
Deixar de valorizar
quem nem dá por mim
(afinal há tão boa gente
que se importa comigo);
Sair da esfera de vôo,
para poder agilmente crescer
sem ser por entre abutres
(afinal há céu sem abutres,
que permite deslizar melhor);
Libertar o ringue
deixando espaços amplos
para as lutas de poder
(afinal o poder é saber);
Abandonar o barco, mesmo
com prenúncio de tempestade;
(afinal após a tempestade
acontece sempre a bonança);
Largar tudo, recomeçar de novo,
para valer a pena o amanhecer
(afinal apenas o novo
promove o aperfeiçoamento,
libertando da solidão).
Proponho-me, porque não?
Quero esquecer, porque sim.

sábado, 3 de novembro de 2007

Limites

Para tudo há limites.
Os meus emergem agora.
Nesta encruzilhada vivida,
manifestam-se, refractam-se,
qual força centrípeta,
descrevendo a trajetória
num movimento circular,
do corpo para o centro,
voltando-se sobre si mesmo,
fugindo do confronto,
e do conforto da relação...
Não permitirei desta vez
que acasos profundos e ocultos,
energias levemente trocistas,
galguem novamente as margens...
Está chegando a hora
de expôr os limites,
de zelar pela vida,
de retornar às origens,
de recomeçar percursos,
de cicratizar feridas,
de selar sentimentos,
de esquecer os sonhos,
de encerrar o meu diário...

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Que é da vida?

Há intenções, informações, emoções.
Há razões, complicações, reclamações.
E, há conclusões.
Que é do encanto?
E do deslumbramento?
Que é da vida?!

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Absolutamente!...

Se não fosse este vazio,
esta agonia insana,
este amuo constrangido,
este coração desfeito,
poderia suplantar-me,
buscar novos desafios,
sorrir e congratular-me.
Poderia abrir meu peito,
batalhar outras riquezas,
libertar-me deste aperto,
destas garras de despeito.
Quase autómato, resisto.
Por quanto tempo? Como?
Que interessam os porquês?
E os onde e os para quê?!...
Que crescimento promovem
os reveses pontuados?
De que são feitas as emoções?
De que vale a vontade?
Queria entender teu sentir,
o segredo da tua alma,
a força do teu olhar,
a vontade da razão,
os alicerces da emoção.
Queria poder reagir
ao bárbaro desejo de ser
e, num silêncio sepulcral,
baixar braços: desistir,
absolutamente!...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Sussurros incandescentes

Brota do fundo de mim,
a segurança da verdade.
É minha crença sem fim,
garante de liberdade,
o que espero de mim,
e o que anseio de ti,
partilha de serenidade.
Na secreta e firme certeza
de confiar na natureza,
serei a doce esperança,
de me saber ainda princesa,
e perene minha lembrança...
Fui regalo de horas nuas,
sem ponteiros frios no tempo,
por dias e dias de romaria,
em sôfregos momentos plenos
de incandescentes sussurros,
companheiros de atropelos
e de inolvidáveis desvelos...
Ainda que imprevisível, a vida,
foi capaz de grandes feitos.
Apesar de estranho o sentimento,
do profundo e louco desejo,
de ser outro em outro olhar,
e ainda um terceiro, a denunciar,
enorme explosão de emoções
que foi urgente silenciar,
sobressai a ingenuidade,
de uma paixão com verdade...

sábado, 27 de outubro de 2007

Mestre de eleição

Presença benfazeja,
sempre enobrecido,
empolgado e empolgante,
caminheiro lutador,
não vacilando ao alvor,
com força de diamante.
Entusiasta. Empenhado.
Vais estendendo o universo,
em explicações convictas,
aumentando conhecimento,
modos de ser e fazer,
que com sentido fazem crescer.
Como te admiro a essência,
valente sem dependência,
força de ir e voltar,
navegador em alto mar.
E, ainda te dás com ternura,
tolerando, com brandura,
anseios novos, afeição.
És amora campestre
que me regala e aquece
sempre que estendo a mão.
És meu deleite parceiro,
referente e companheiro,
querido mestre de eleição.

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Retornar princesa

Pudesse eu cantar-te,
soprar-te o meu talento,
dizer-te o meu encanto,
ganhar teu interesse,
acertar o passo,
volver desejo,
saciado com beijos
e admiração tamanha...
Quiseras tu
caminhar a passo,
envolver-me em abraços,
dotar-me de grandezas,
reenamorar-me,
retornar princesa,
em teu dizer de afagos...

Sedutoras magias brancas,
perturbadoras,
que nos sonhos reflectem,
meus delírios,
minhas esperanças,
cujo ser rejuvenescem,
nos imprevisíveis enleios,
dos inolvidáveis paleios,
que deslumbraram,
e ingenuamente encantaram...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

EZ Special - "Sei Que Sabes Que Sim"


E que para mim
És o mundo lá fora
Não há nada a fazer
Nem nada a dizer
Aqui e agora

Deixa à volta o mundo
Vai ser o que o tempo entender
Nem tu tens de o dizer
Só tens de o sentir
Se Sabes que Sim
e que para mim
És o mundo lá fora

Olha para mim
Se estiveres a fim
Falamos depois
A qualquer hora

(...)

Meu sonho lindo

A ânsia que me confina,
me envolve e me oprime,
causa agonia e queixume,
a cuja tristeza és imune.
Sinto um vazio profundo,
no espaço do meu mundo,
onde te vejo distante,
sem o desejo do amante.
E com o coração às voltas,
desejo-te nas notas soltas,
das serenas melodias,
com que engendro sinfonias,
que me ocorrem e guiam.
Ainda és o meu sonho lindo,
com que nas noites me brindo,
em serenos sobressaltos
de vagas doces carmesins,
expressas em rubros espasmos.
Só não compreendo este aperto,
este buraco em meu peito,
que tanto dói e desalenta,
e que magicamente deleita.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Valeu...

Valeu para sentir que sou gente.
Valeu para esquecer a esperança.
Valeu para saber que nada vale.
Valeu para me reconhecer vazia.
Valeu para parar de lutar.
Valeu para abandonar os sonhos.
Valeu para me meter no meu canto.
Valeu para desejar partilhar.
Valeu para aprender a não confiar.
Valeu para viver angústia.
Valeu para querer separação.
Valeu para saborear desejo.
Valeu para crescer pela dor.
Valeu para dominar a paixão.
Valeu para amordaçar o coração.
Valeu para idealizar o céu.
Valeu para conceder o perdão.
Valeu para escrever emoção.
Valeu. Mas, já não vale mais...

Deixa-me ser contigo!

Deixa espontaneamente dizer-te
o que me vai na alma.
Permite acariciar-te,
fazer-te um mimo ternurento,
observar-te longamente,
sem pressas e sem entraves.
Deixa perder-me no teu olhar,
relaxar em teu abrigo,
encontrar-me no teu sorriso,
descansar no teu ombro,
esconder-me no teu abraço,
adormecer no teu regaço.
Deixa-me ser contigo!...

sábado, 20 de outubro de 2007

E...

E, há vezes que por vezes,
apesar de parecer,
as vezes não são vezes,
infelizmente...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Às vezes...

E, às vezes a vida encolhe...
por nada ou por tão pouco!...

Às vezes,
as vezes são vezes,
que por vezes não tememos e,
outras vezes as vezes não são vezes
que iluminem os percursos
e facilitem as opções...

Às vezes são vieses que nos dão,
são amarras do coração,
são inoperâncias do sistema...

Às vezes dói-nos o ser e o parecer,
a vontade e o desdém,
e por vezes soi dizer,
que desistir é mesmo um bem...

Às vezes, valia mais adormecer,
baixar os braços e de vez perder ,
o sonho ideal que nos guiou,
por inúmeras veredas do caminho
que por vezes perdurou...

Há vezes em que as vezes morrem
e com elas os desejos e os anseios...

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Duros vendavais trajam tua ausência

Soterram-se os abrolhos
que tendem a jorrar,
nos longos cinza matinais
dos dias outonais.
Esses duros vendavais,
trajam a tua ausência,
na distante permanência,
de imprevisível silêncio
que causam feio sofrimento.

Bailam as emoções...

Bailam as emoções.
Entrecruzam-se.
Volteiam em arcos,
sinuosos percursos,
de vai-vem encrespados.
Brotam enfeitiçadas,
seduzidas, fascinadas,
saltando escolhos,
ritmando os sonhos,
de futuros risonhos.
Ressurgem nos gavetos,
esquecidas dos prantos,
presas irrequietas,
de um poderoso encanto.
Reavivam-se labaredas,
olvidam-se degredos,
renovam-se espectativas.
Constroem-se esperanças,
organizando danças
de damasco e cetim,
presas desse jasmim
que enlevam meus olhos,
porque quando te revejo
reacende o meu desejo.
As velhas-novas emoções,
cantam suave fantasia,
no segredo do dia a dia,
para eu não soçobrar,
nas sequelas deste mar,
que entre nós tu interpões.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Eras tu mais eu

Eras tu mais eu,
no meio da multidão.
Apenas nós valíamos,
somente tu e eu,
diferente sentíamos...
Eras tu mais eu,
no meio do mundo,
sabendo-nos próximos,
mais juntos,
mesmo no silêncio,
e apesar da distância...
Eras tu mais eu,
apenas nós no olhar,
e também no querer.
Tudo o resto figurava,
no plano da alvorada,
como se sombras fossem,
de névoa ou algodão doce...
Eras tu mais eu,
apenas nós de novo,
capazes de lutar,
felizes pelo fado,
nosso ideal buscado,
tornado mais real,
no quotidiano, concretizado...

sábado, 13 de outubro de 2007

Olhar balsâmico

Ávida de um beijo
que pudesses dar-me,
desejosa de um mimo
que pudesses oferecer-me,
reinvento o quotidiano,
reaprendo a serenidade...
Apesar da presença,
e da intensidade do olhar
com que me presenteias,
deve cumprir-se a distância,
tem de garantir-se o silêncio...
O teu doce olhar,
é o bálsamo do meu anseio,
o serenar do meu desejo...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

D. Quixote em demanda

Constrangida a palavra,
Cansada, aniquilada
Na côncava esfera,
Apaziguada pela chama,
Envolta em teias senhoris,
Revolta de puros ardis,
Cuja retoma se renova,
E ora reacende e apaga,
Face ao vento e ao lamento,
Numa chama de carmim,
De desejo e frenesim.
Eis que sou tal entusiasmo,
Tal qual um cavaleiro andante,
Um D. Quixote em demanda,
De um puro Graal,
De um milagre forçoso,
Doce e generoso,
De emoção ao rubro,
Reflexo de fascínio e sedução,
Transparente e sereno,
Aconchego do meu coração.
E do teu, por que não?

Tenho medo de viver...

A cada nova tentativa,
a dureza da investida,
de não poder ser por agora,
de evitar a dupla vida,
de esconder a deriva
que o coração não tem
porque não gosta,
porque não teme o desdém...
Face à desdita sentida,
aos solavancos do percurso,
nos vai-vem e nas arrecuas,
do desalento disforme,
do desencontro provocado,
de desejos negados,
de promessas desavindas,
de compromissos escusos,
promíscuos mas difusos,
de um ser que parece,
de um parecer que padece,
por não poder ser,
por não querer sentir
e que por isso esquece...
Tenho ganas de fugir,
tenho medo de viver...

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

És tu e eu...

Vale tanto o silêncio
quanto a palavra redonda,
e o que ela silencia,
em sua doce presença,
devota e com premência,
e que ignóbil denuncia,
a tormenta do espírito,
a dor do pensamento,
e o pesado sofrimento,
do inglório martírio.
É na certeza do mistério
que me confundo e me espanto,
e derramo enorme pranto,
de inefável desalento,
cujo desejo recalcado,
reaviva e promete,
novas formas de alimento,
de ausências permanências,
com constantes afastamentos...
És tu e eu, num esconde-mostra,
num diz que sim, mas que não,
que consdescende e aniquila,
que acarinha e maltrata,
que rude lança e desalinha,
acertos e desacertos,
numa indefinida ladainha,
irreal, ilusória, mesquinha,
tão inglória quanto tontinha...

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Sei que hei-de amar-te...

Sei que hei-de amar-te
ainda e tanto,
que espero fugir ligeira
do pranto da tua ausência...

Espero caminhar vida fora,
ganhar com a tua demora,
uma carapaça dura e sorrir,
lograr esquecer de vez
este inoportuno sentir...

Desatei a tristeza... derramei a saudade

Caminhei por entre o silêncio
das giestas, dos carvalhos,
dos pinheiros e das urzes,
saboreando amoras silvestres,
enroscada em silvas e bogalhos,
e xistos de quartzo,
sem presenças vis,
à procura de memórias infantis:
- Olha a casa do Ti'aniel!!!
- Aqui caímos da burra...
Fui encostada ao riacho,
ao encontro da história,
olhando o agrião agreste,
as meruges, as urtigas,
os choupos e os ciprestes...
Desatei a tristeza,
derramei a saudade
e as lágrimas saírem,
sorrateiras, presas ao âmago...
Chorei a credulidade "abusada",
de infância e inocêcia amputadas...
Chorei a verdade inesperada,
e a dor deste amor impossível.
E, nem as memórias e o cansaço,
me libertaram desse abraço,
que há tanto tempo recordo,
e dentro do peito transborda
e o revivo e reinvento,
e em cada esquina o lamento
e o espero e o sufoco...

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Ir...

Fugir?!... Ir:
Ocupar a mente,
baixar às raízes,
às memórias recônditas
das saudosas meninices,
relembrando o tempo,
cujo tempo não passava,
apesar da brevidade
com que os jogos acabavam,
nos dias afinal curtos,
para tantas folias...
Até o sol era outro,
num céu de um azul profundo,
minha terra, minha gente,
semente do meu fazer...
Relembrar felicidade,
única fase prazenteira,
de tão amena cavaqueira,
num crescimento sereno...
Ir e ficar. Por que não?
Talvez limpasse o coração
desta dor alucinante,
de me saber só e incapaz,
de garantir realização,
com menor frustração...

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Encalhei no lusco fusco...

Vesti o manto triste
bordado de vendavais,
em fria noite esculpido,
na rocha deslavada,
no cristal esfacelado,
traduzindo pedaços,
em espaços sinuosos
de cansaço desilusão...
Despi o sorriso cristalino,
banquei a alegria dourada,
para soletrar verdades,
inevitavelmente encarceradas,
retesadas pelo silêncio,
grávidas de desejo,
tentadas pelo encanto,
definhando em pranto,
como se nada fosse...
Perante meu peito nu,
construí robusto muro,
como se o fazer de conta,
não fosse o meu futuro,
e houvesse ainda esperança,
latente, brilhante, ofuscante,
fio de luz transparente,
alumiando o presente...
Encalhei no lusco fusco
que mal vislumbrei outrora
e que se extingue agora,
valente mas agonizante,
oprimido, definhante,
com planos obstruídos,
por não ditos consentidos,
opções imprevisíveis,
brutais punhais de desenganos...
Caminharei(?) ciente do vazio
que o teu corpo não preenche,
porque o cérebro teima,
e o coração obedece,
apesar do logro,
apesar da chama
que a tua razão esquece...

Pensamento

"Ainda que eu conheça todos os mistérios e toda a ciência; ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montanhas, se não tiver amor, nada serei. O amor é paciente, é benigno, não se exaspera..."
(Paulo de Tarso - sec.I)

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Queria dizer-te...

Acabou, tudo. Findou...
E, o soluço seco no peito,
endureceu, potenciou
a certeza da queda,
o desespero da "perda",
a agonia da tristeza,
intrínseca, plena,
a "bruteza" da frustração...
Queria tanto
dizer-te

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Nãooooo!!!!

Não tenho vontade de ser,
nem de pensar,
nem de saber...

domingo, 30 de setembro de 2007

Curtindo a fossa...

Curtindo a fossa,
da lua minguante,
calcorreio à chuva,
peregrina, caminhante...
Batem-me no rosto,
os pingos frios,
as gotas gordas
escorrendo,
por entre os olhos,
pelos desânimos,
e pelos desenganos,
sem controle e sem limite,
irrompendo sem contento...
Choro com a chuva,
a dura desilusão,
e também a crua sina
de me saber sozinha...

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Inutilidade

Se o mundo não estivesse a desabar,
seria tão mais fácil...
Apetecia-me desistir de vez.
Largar tudo, fugir...
Estou sem força para me sustentar...
Dói-me reconhecer-me cinza e pó...
Sinto-me absolutamente inútil...
Hoje tenho vontade de morrer...

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Equívocos...

Equívocos, vários,
sempre com afastamento,
tensão e constrangimento...
Eras outro, outrora...
Que suplicio esta vida,
este enorme vazio,
eterno desejo de cristal,
plantio de vendaval,
incontrolável, avassalador...

É silêncio adunco, defunto de solidão...

"O silêncio é a mais perfeita expressão do desprezo" Bernard Shaw

Se, como diz Bernard Shaw, o silêncio é a expressão do desprezo, realmente sinto-me profundamente desprezada, completamente humilhada...
Por que me desprezas tanto? Será que o silêncio pode ser outra coisa, poderá querer dizer algo diferente?
Porquê a existência de tão profundo silêncio? Por que razão esse silêncio se torna leitoso com o findar das manhãs, se adensa no decurso das tardes, tornando-se pastoso como o desencadear da noite?
Dói-me a balbúrdia do silêncio, o barulho ensurdecedor da tua presença na minha memória, o ruídoso silêncio do teu olhar quando me interpelas...
Dói-me a arrojada vertigem de me saber intocável nos ecos do silêncio que as tuas palavras constroem quando comigo conversas...
Dói-me fixar-me nas amarras deste meu decrépito desejo de me superar nas palavras que aos atropelos se me colam nos silêncios assumidos dos sentidos inaudíveis que teimam em prevalecer em não ditos, para descomprometer.
Desprezo? Sim. Sentido na feira, na eira, na beira e à soleira do interior do meu castelo... É silêncio adunco, defunto de solidão...

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Explode Coração

Vou até onde me doam as mãos...

E a fada sorrindo,
depressa saudou
a gota de espuma,
que rapidamente secou...

Estrela cadente,
vestigio de luz,
letra agonizante,
que ainda seduz...

Rosto de ternura,
carícia de sonhar,
segredos de ser,
retidos no olhar...

E a fuga serena,
de desejos contidos,
valendo sorrisos,
resgatando abrigos...

Resisto a custo,
intensifico o muro,
escolho não pensar,
caminhando no escuro...

E vou, até onde me doam
as mãos que me libertam,
caminho, até onde me guiem,
os olhos que me matam...

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Ainda dói o silêncio...

E ainda, de novo,
aquele sentimento louco,
o desassossego intenso,
o desespero e a dor,
de te reler e me entontecer,
e me perder nas tuas graças,
no teu encanto sedução,
e reconhecer vazio,
angústia e decepção...
E o aperto do peito,
o soluço seco perdido,
por entre as palavras vãs,
tão inúteis e insignificantes...
Ainda dói o silêncio...

A dádiva de uma entrega adiada...

Em vez de apaziguar minha ânsia de ser,
Tua presença/existência,
Potencia e intensifica o desejo.
Embora pacificando o quotidiano,
Colmatando incertezas e descrenças,
Glorificando ideais e verdades defendidas,
Provoca(s) torrentes impetuosas,
De sentimentos contraditórios,
Incontroláveis emoções em conflito…
De cada vez, um pouco mais me obrigo a viver,
Resignadamente, cada silêncio do tempo,
Cada momento sem planos, sem lamentos,
Com um maior isolamento interior,
Uma maior solidão não partilhada,
Assaz intranquila…
Lutei tanto contra este sentimento!...
Quis deliberadamente fugir,
Esquecer o deslumbramento
Evitando a louca caminhada, sem retrocesso,
Em que acabei por investir,
Oferecendo-me e expondo-me,
Na dádiva de uma entrega adiada…
Porém, não foi possível escapar ao fluido, ao flash…
E, em abandono completo, revivo cada segundo
Do instante de intenso e pleno prazer
Que espero ainda, um dia, viver…

domingo, 23 de setembro de 2007

Foi-se o bulício...

A rotina espreita,
anunciando sacrifício.
Foi-se o bulício,
e com ele o desafio,
a densa presença,
na pertença de um sonho,
trazendo de volta,
o cansaço medonho...
Mas, com ele virá também,
a espera abnegada,
de intencional fervor,
a vontade iluminada,
pelo intenso entusiasmo,
de partilha e amor,
com que te espreito
e reparto com alguém.
E, se nada mais valesse,
restava a satisfação
de uma mãe que recebe,
um beijo de gratidão,
depositado no rosto,
com enorme prontidão.
Mas, é já saudade,
a lembrança de então,
pautado de ansiedade,
de desafio e compreensão,
retido na cumplicidade,
na memória da partilha,
fruto de profunda emoção.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Sentimentos soltos

Foi tâo rápido que esqueci.
Mas, serenamente venci,
tamanho deslumbramento...
Pensei os dias cansada,
perdida e solitária,
mas dei-me conta
e quase sempre,
senti-me sorridente,
parecendo-me outro ser,
capaz de tanto acontecer...
Impensável este efeito,
antes deste intenso sentir,
mesmo antes deste viver...
Porém, houve gestâo de mestre
e esta intençâo campestre,
realizaçâo proporcionou,
com crescimento profundo.
E, foi quase de afogadilho,
que desliguei qualquer rastilho,
para poder ser outra ser,
lembrando quem me encantou...

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Quis-te mais do que outrora

O marulhar das ondas,
a agitaçäo da manhä,
o silêncio da luz,
o fresco da brisa,
o sorriso nervoso,
a singularidade
e a certeza da vida,
em cada esquina escondida,
o vaguear pela cidade
e a maresia, saudade...
Quis-te mais do que outrora,
penso-te a cada hora,
(re)invento-te
e (re)definindo-me,
espero-te convictamente,
reganhando expressamente,
a certeza de te querer...

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Eis-me de volta

Aqui estou de volta,
capaz de sorrir,
alegre por caminhar,
saudosa por compartir
na ausência do modelo,
sem garantia de retemperar,
da agonia de te nño ver,
desejosa de me dar,
para também receber.
Aqui estou, de volta,
fresca e sem perceber
como a vida pode ser
um eterno devir,
um profundo acontecer...

Vou ali, já volto...

Com pezinhos de lã,
pela manhã,
sem que se ouça,
sem que se saiba,
vou ali, já volto,
despir a saia...
Sonho-te esperança,
maduro o desejo,
verde a temperança,
vou ali, já volto,
um poema num beijo...

domingo, 16 de setembro de 2007

sábado, 15 de setembro de 2007

A ti, a minha eterna gratidão.

Fizeste-me acreditar que o sol está sempre no horizonte, por mais que as nuvens o tapem... Rasgaste horizontes, proporcionaste-me outros olhares pelos desenhos que foste delicadamente construindo nos meus dias de labuta inconsistente...
Num complemento de imensa partilha, acreditei que poderia ser outra, pela profunda cumplicidade pressentida, apenas possível entre sensibilidades especiais e próximas dos ideais e dos sonhos de mudança das realidades estáticas, tão tradicionalmente aceites e estanques e tão absolutamente cristalizadas e redutoras, tal qual o descrito em "O Nome da Rosa" de Humberto Eco, secundado pelo "Mundo Imaginado" de June Goodfielf e cuja figura do "velho do Restelo" tão bem caracteriza e evidencia... Senti-me par, alma gémea, com tanto em comum e tão necessitada de um ombro amigo, de um peito aconchegante, de uma mão orientadora, de um colo balsâmico, de uma aceitação protectora que me proporcionavas... Senti-me de novo menina, jovem e princesa de um reino que se me apresentava sedutor, que desabrochava num tropel de cores, sabores e odores, tão vivo e tão intensamente rico e cativante que, a custo, a muito e pesado custo, poderia olvidar-se no seu deslumbrante reflexo espelhado, qual arco-irís engalanando o céu em tarde de tempestade... E, foi neste encantamento sublime que construí os alicerces que hoje me dão algum conforto e me fazem sentir com uma enorme segurança (totalmente desconhecida e impensada), relativamente ao que quero e espero da vida... É bom quando, como hoje, sinto que há carinho e valor e ... calor, nas gentes que me rodeiam.

Beijos lassos

Beijos lassos,
húmidos, gostosos,
línguas vibrantes,
mansos amassos,
imensos abraços,
verdes e longos,
grandes espaços...
E, que é dos laços?
Dava jeito...
Óptimo seria,
criar compassos
e neles satisfação:
a libertação da pulsão...

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Faz de conta...

Faz de conta que a vida, lá fora é apenas penumbra e que se vislumbra já sem valor, somente por entre as lentes difusas, gastas e desbotadas, velhas e desfeitas...
Faz de conta que não aconteceu nada, nunca, nas manhãs de nevoeiro...
Faz de conta que os sentidos são vazios, ocos de sentimento...
Faz de conta que fazemos de conta, que somos gente feliz...
Faz de conta... Por que não?
Hei-de abrir as asas e também fazer de conta, porque sim...

Sinto desejo de ser...

Por entre rosas e cardos,
vagueio ensandecida,
presa embevecida,
de um desconsolo profundo.
Coloquei em lume brando,
toda a minha fantasia,
descobrindo, acabrunhada,
que perdia, a cada dia,
cada vez mais,
a companhia,
a cumplicidade,
a partilha,
que para outra fugia,
desta feita,
para uma vadia.
E, com algum à vontade,
(apesar de chorar saudade)
aceitei mergulhar no nada,
e esperar pela madrugada,
de um novo amanhecer,
lento,
na bruma do parecer.
E, neste louco padecer,
de ter deixado de lado,
o terno e doce querer,
na fuga do desprazer,
sinto desejo de ser,
apenas a namorada,
da sombra,
ao entardecer...

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

E tu...

E tu tão longe,
tão distante e ausente,
na presença eficiente,
do silêncio assumido,
da razão soberana,
"ice player", seguro,
com percurso firme traçado,
num desenho aprimorado,
dorido de espartilhos,
mas recto de ideais,
e de sonhos alicerçados,
que te fazem mais humano
e tão fielmente amado,
apesar dessa distância,
desse silêncio marcado.

11 de Setembro: memorável espanto

Neste diário do meu (des)encanto,
foi um dia de memorável espanto
e de excelsa riqueza,
pelo empenhamento de tantos,
na verdadeira sinfonia,
da verdadeira partilha
de valores e anseios...
Quanta gratidão,
por este lugar charneira,
este cargo de eleição,
que congrega na dianteira,
tantos esforços concretos,
para a radical mudança,
abolindo sem sentidos,
promovendo alianças,
num esforço de equilíbrio,
numa atitude de esperança.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Hoje, mais difícil que ontem...

Tanto silêncio e tanta azáfama, tanta luta e tanto atropelo, até me fazem saltar da cadeira. E, ter de suportar tudo, com serenidade, é uma façanha e tanto...

Metáfora.

És a minha metáfora:
a magia de te saber,
a certeza de te querer,
a alegria de te sonhar,
o silêncio de te amar.

Terá valido a pena?!

Terá valido a pena,
dar-me tanto
e tão profundamente
que a limite me desconheça?
Não percebo esta cena,
este escorrer de Afrodite,
esta efervescência de apreço
que por ti nutro,
num turbilhão de emoções,
que desagua na noite,
envolto em silêncio,
com manto de desejo
no suplício de um beijo,
que tarda em chegar...

O fosso adensa-se...

O jogo já vai alto,
a parada foi ao rubro,
os trunfos foram saindo,
um a um, em seu lugar,
fazendo adensar o fosso,
que se avizinha a ressoar.
Aproximando-se do final,
cada jogador mostra a limite,
a experiência triunfal,
observando o maestro,
o desenrolar da estirpe,
de cada apostador lesto,
que se arroga o direito,
de se dar por satisfeito,
porque se julga alguém,
quando inibe o outro além,
sem pesar nem compaixão,
mostrando sem suspeição,
que a equipa é um ideal,
que até nem vai nada mal,
se assim se mantiver.
Ora, esta equipa maravilha,
nada mais é do que um grupo,
cujo valor de partilha,
está muito aquém e devoluto...
Mas, que importa tudo isto,
se com tanta ousadia,
até se celebram largos feitos,
e se edificam sintonias,
em quotidianos solarengos,
ainda que sem grandes pedagogias,
mas sem quaisquer contratempos...

domingo, 9 de setembro de 2007

sábado, 8 de setembro de 2007

O caminho estreita-se...

Calcorreando o caminho,
vou largando nas beiras,
os desejos, as quimeras,
os segredos, as esperas,
os desgostos e os prantos
que delineiam as margens
das desilusões, dos desenganos...
Descubro que os limites,
se estreitam lentamente
provocando enormes quedas.
E, os tropeços são tantos,
que temo que o fim,
também se aproxime de mim.
Já não é o mesmo caminho,
é um carreiro estreitinho,
sinuoso e acidentado,
que me entrava o percurso
e me mostra à evidência
que o amor é um discurso,
vazio e sem consistência...

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

É preciso sentir o encanto

Dizer não chega,
é preciso mostrar
o que os olhos dizem.
Será que dizem mesmo?
É preciso sentir o encanto,
ouvir o silêncio indizível,
da magnética energia fogosa,
que o contacto trará
em faísca imperdível,
do desejo saciado,
da ternura contagiante,
da sedução encantada,
da magia deslumbrante,
do fascínio enfeitiçado
da arrebatada conquista...

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Medo: sabor da perdição

Ai o medo, o medo,
que a medo se implanta
corroendo, cerceando
a vontade de ser gente,
o gosto de ser humano.
É um carrasco cinzento
subreptício e sedento,
que instiga ao degredo,
para guardar em segredo
a vontade de ser gente,
o gosto de ser humano.
O medo, expõe-se na anulação
na miséria da recordação,
de se ter sido forte,
submetendo a paixão,
ao demasiado humano
sabor da perdição.

Ligeira a satisfação...

Longo o dia.
Ligeira a satisfação.
Que é do reforço,
perante a abnegação?
Como e quanto dói a falta,
a ausência e o não dito,
o mutismo e o interdito!...
É adiado o carinho,
coarctada a emoção,
desfeita a expectativa,
destroçada a esperança,
transfigurado o sonho,
submergida a ilusão.
E, que é da vida,
e da realização?
Que é da vontade de ser,
do desejo de me perder,
no seio das tuas mãos?
Que é de mim e de ti,
se ignoramos os sentidos,
e sempre anulamos a emoção
para validar a razão?

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Hoje...

Hoje precisava de ti capaz de me dizer duas palavras de reforço individual. Necessitava de uns segundos especiais da tua atenção. Tal como outrora, como quando esperavas os meus "diários desabafos" de final do dia, tive necessidade do teu afago. Foi há tanto tempo já...
Hoje a nostalgia instalou-se e a saudade irrompeu...
Hoje aguardei a proximidade que se esfumou. Esperei um sorriso explícito que se ocultou...
Hoje ambicionei ser o teu ombro amigo, a tua companhia para poderes ser a minha companhia, o meu ombro amigo...
Hoje desejei um abraço franco, apertado, onde a emoção não se escondesse e a tua natureza apaixonada fosse espontaneamente vivida...
Hoje senti o apelo do meu coração pelo teu encanto. Imaginei-me puro espírito e enlacei-me em ti, toquei-te em pensamento...
Hoje suspirei por ouvir dizer-te que me queres e quis-te mais ainda... ...
Hoje almejei ser princesa de novo...
Hoje... quero ao menos sonhar contigo...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Achei um rumo

Achei um rumo,
aceitei um percurso,
descobri um sentido,
acolhi um tesouro...
Escolhi o diferente,
renovei o desejo,
sancionei a culpa...
Valorizei o riso,
defini a meta,
iniciei o roteiro...
E, hei-de ir assim,
andante, caminheiro,
no presente construindo,
o trilho brilhante,
do meu sonho latente.

domingo, 2 de setembro de 2007

Surge o mote.

Lanço a pena,
qual enxada batalhando
na rugosa assimetria
de chão arável,
seco de tanto pranto,
sedento de maresia.
Conjugo acordes,
irregulares elos
de vagares e desvelos,
que cantam a inspiração,
em secretas sinfonias,
desabafos de emoção.
São maravilhas balsâmicas,
de enorme gratidão,
pelo regresso do mote,
pela clareza do norte,
na certeza da realização...

Regresso do sonho

Regressa o sonho
e também a vontade,
o desejo,
a coragem renovada,
a certeza,
o lampejo da emoção.

sábado, 1 de setembro de 2007

Bem vindos!

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